Resumo (PT):
O uso de medicamentos durante a gravidez é muito frequente, contudo, para a
maioria, os dados disponíveis de farmacocinética e segurança nesta população
permanecem limitados. As mulheres grávidas raramente são incluídas em ensaios
clínicos, e as adaptações fisiológicas da gestação afetam profundamente a
absorção, distribuição, metabolismo e excreção dos fármacos. Esta lacuna reflete
um risco de exposições subterapêuticas ou tóxicas. A modelação farmacocinética
baseada na fisiologia (PBPK) surge como uma ferramenta promissora para suprir
esta limitação, permitindo prever a disposição de fármacos em contextos
específicos.
O objetivo desta dissertação foi desenvolver e validar modelos PBPK para a
indometacina e fenetoína, avaliando o impacto da idade, de diferentes regimes de
dosagem, da gravidez e de potenciais interações medicamentosas (DDIs). Os
modelos foram construídos de raiz no GastroPlus™ v9.8.3 e validados com dados
clínicos.
A indometacina apresentou uma farmacocinética linear, com exposição
proporcional à frequência de administração, enquanto a fenetoína apresentou um
comportamento não linear, em que regimes fracionados de 100 mg de 8 em 8 horas
resultaram numa maior exposição do que a administração única diária de 300 mg a
cada 24 horas. Durante a gravidez, a exposição da indometacina diminuiu,
enquanto a apresentou variabilidade.
O estudo da interação medicamentosa entre a fenetoína como perpetradora e da
indometacina como vítima, não revelou alterações relevantes em mulheres não
grávidas, apesar de ambos os fármacos serem metabolizados pela enzima
CYP2C9.
A modelação PBPK mostrou-se eficaz na previsão de alterações farmacocinéticas
em populações sub-representadas, mostrando a importância de abordagens
individualizadas e evidenciando o contributo dos modelos in silico para uma
utilização mais segura de fármacos durante a gravidez.
Abstract (EN):
The use of medications during pregnancy is very common, however, for most drugs
available data on pharmacokinetics (PK) and safety in this population remain
limited. Pregnant women are rarely included in clinical trials, and the physiological
changes during pregnancy significantly affect drug absorption, distribution,
metabolism and excretion (ADME). This limitation can result in unpredictable drug
levels, with risks of underexposure or toxicity. Physiologically based
pharmacokinetic (PBPK) modelling emerges as a promising tool to overcome this
limitation, enabling the prediction of drug disposition in specific contexts.
The purpose of this dissertation was to develop and validate PBPK models for
indomethacin and phenytoin, assessing the impact of age, different dosing
regimens, pregnancy, and potential drug-drug interactions (DDIs). Models were built
from scratch in GastroPlus™ v9.8.3 and validated with clinical data.
Indomethacin exhibited linear pharmacokinetics, with systemic exposure
proportional to dosing frequency, whereas phenytoin exhibited nonlinear behavior,
with fractionated regimens of 100 mg every 8 hours resulting in greater exposure
compared to a single daily dose of 300 mg every 24 hours. During pregnancy,
indomethacin exposure decreased, while phenytoin exhibited variable exposure.
The DDI study, in which phenytoin acted as a perpetrator and indomethacin as a
victim, revealed no clinically relevant alterations in non-pregnant women, despite
both drugs being metabolized by the CYP2C9 enzyme.
PBPK modelling proved to be effective in predicting pharmacokinetic changes in
underrepresented populations, emphasizing the need for personalized treatment
strategies and demonstrating the value of in silico models to promote safer
pharmacotherapy during pregnancy.
Idioma:
Inglês