Resumo (PT):
As relações amorosas são pautadas por divergências, pelo conflito e pela
possibilidade de nos magoarmos a nós e a quem mais amamos. Daí surge a necessidade de
explorar o perdão e o autoperdão cruzando-os com a infidelidade, um dos eventos mais
destrutivos num relacionamento. Para colmatar a escassez da investigação existente face à
interligação destes construtos, construímos uma entrevista semiestruturada, onde foram
entrevistados seis casais, portanto doze participantes, de forma individual, com idades
compreendidas entre os 25 e os 35 anos, com o 12º ano de escolaridade, no mínimo, e que
estão numa relação íntima, há pelo menos dois anos. Tendo como foco a conjugalidade, os
objetivos do estudo visam explorar os significados de perdão, de autoperdão e de
infidelidade, individualmente, e a interligação entre os três construtos, não só para o
indivíduo, como também para a díade. No geral, os resultados mostram a complexidade
inerente aos construtos e a forma como os indivíduos os significam e vivem, a título
individual e relacional. O perdão e o autoperdão são vistos como processos
multidimensionais, extremamente, benéficos para o crescimento pessoal e relacional. Já a
infidelidade é perspetivada como a quebra de confiança inequívoca, que se desdobra em
várias vertentes e consequências negativas. Perante um ato de infidelidade, o papel do
ofendido e do ofensor assemelham-se, no que toca às consequências emocionais e
comportamentais, e ao recurso ao perdão e ao autoperdão, mas também divergem, no que
toca à certeza de reconciliação.
Idioma:
Português
Nº de páginas:
70