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Memória U.Porto

Docentes e Estudantes da Escola Médico-Cirúrgica do Porto

Guilhermina de Moraes Sarmento

Fotografia de Guilhermina de Moraes Sarmento / Photo of Guilhermina de Moraes Sarmento Guilhermina de Moraes Sarmento
1870 – [?]
Médica, uma das primeiras clínicas a nível nacional

Guilhermina de Moraes Sarmento, terceira filha de Anselmo Evaristo de Moraes Sarmento, negociante e natural de Aveiro, e de sua mulher, D. Rita de Cássia de Oliveira Moraes, natural do Porto, moradores na Rua do Almada, nasceu na casa de seus pais no dia 4 de julho de 1870. Foi batizada dias mais tarde, a 17 de julho, na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Vitória, Porto, pelo Padre António Ribeiro dos Santos. Foram padrinhos o Doutor Joaquim Teófilo Braga, também morador na Rua do Almada, e, por procuração, D. Emília Ludovina de Moraes Sarmento, residente em Aveiro.

Guilhermina passou a infância e a juventude no Porto. Para além de um irmão, teve três irmãs, próximas de idade entre si: Laurinda, Aurélia e Rita, nascidas em 1867, 1869 e 1872, respetivamente. Enquanto a Mãe se encarregava da educação dos cinco filhos, o Pai exercia a atividade de negociante com a Tipografia "Imprensa Portuguesa" e a de jornalista, dirigindo os periódicos "Gazeta Literária do Porto" e "A Actualidade", assim como, mais tarde, a "A Ideia Nova – diário democrático".

A sua formação moral e ética foi fortemente influenciada pelo espírito liberal do Pai, descendente dos Moraes de Aveiro, acossados durante o reinado absolutista de D. Miguel. Esta influência familiar também terá contribuído para realçar a importância da educação como fator de promoção pessoal e social.

Fotografia das irmãs Moraes Sarmento com o pai Anselmo Evaristo de Moraes Sarmento / Photo of sisters Moraes Sarmento with their father Anselmo Evaristo de Moraes SarmentoPara além dos ideais liberais defendidos pela família, Guilhermina também recebeu a influência de pessoas que se relacionavam com o Pai por razões profissionais e de amizade. Entre estas contam-se figuras de prestígio como Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, Camilo Castelo Branco, Antero de Quental e Teófilo Braga. A casa dos Moraes Sarmento era um espaço privilegiado para a proliferação dos ideais liberais e das ideias que então grassavam, enquanto no País se procurava construir uma cultura e uma mentalidade democráticas.

Não é alheio a esse ambiente familiar o facto, inédito na altura, de os cinco irmãos terem obtido diplomas no ensino superior. Tanto Guilhermina como as irmãs diplomaram-se no Porto ainda antes da viragem do século XIX.

Com 17 anos de idade, Guilhermina matriculou-se na Academia Politécnica do Porto, tendo como companheira a irmã mais nova, Rita, e seguindo o exemplo das irmãs mais velhas ao frequentar as cadeiras obrigatórias para o ingresso na Escola Médico-Cirúrgica do Porto.

Logo no primeiro ano letivo (1887-1888), a aluna deu provas de inteligência e labor ao concluir, com distinção, as disciplinas de Química Inorgânica Geral, Botânica e Física Geral, tendo, até, merecido uma menção de louvor referente a esta última cadeira, a qual foi concedida pelo Conselho Escolar. No ano seguinte, concluiu as cadeiras de Química Orgânica e Analítica e de Zoologia, obtendo a classificação de 15 valores em ambas, o que lhe permitiu granjear uma nova distinção escolar.

A 15 de outubro de 1889, Guilhermina matriculou-se na Escola Médico-Cirúrgica do Porto, onde as irmãs mais velhas se preparavam para concluir os respetivos cursos.

Durante o primeiro ano, que decorreu entre 1889 e 1890, ficou aprovada nas cadeiras de Anatomia, de Fisiologia, de Farmacologia ou Matéria Médica, de Anatomia Patológica e Patologia Geral. Apesar do falecimento da Mãe em novembro de 1892, quando Guilhermina frequentava o 4.º ano do curso, apresentou-se com sucesso aos exames de Patologia e Terapêutica Externas, Patologia Interna e Medicina Operatória. Por fim, durante o último ano letivo, realizou com êxito as cadeiras de Clínica Médica, Clínica Cirúrgica, Obstetrícia ou Partos, assim como a de Higiene e Medicina Legal. Era a única mulher entre os 28 diplomados quando realizou o último exame, em 11 de julho de 1894.

Capa digitalizada da dissertação inaugural de Guilhermina de Moraes Sarmento / Digitalized cover of the inaugural dissertation of Guilhermina de Moraes SarmentoGuilhermina apresentou-se, então, ao "Ato Grande", no dia 6 de outubro de 1894, com a dissertação intitulada A Dilatação do Estômago, publicada no mesmo ano pela Imprensa Portuguesa. A Dissertação teve como orientador o Dr. Agostinho do Souto, sendo arguentes os Doutores António Joaquim de Moraes Caldas, Pereira Pimenta, Plácido da Costa e Maximiano Lemos. Guilhermina de Moraes Sarmento tornou-se, assim, a quarta médica formada pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto.

A Dissertação, dedicou-a, em primeiro lugar, ao Pai e à memória da Mãe, depois, aos irmãos, de seguida, a Teófilo Braga, seu padrinho, e à mulher deste, D. Maria do Carmo Xavier Braga, ao Tio-avô Jerónimo de Moraes Sarmento, ao primo, Dr. António Augusto Soares de Sousa Cirne e, ainda, à memória do Dr. António Vitorino da Mota. Os professores não ficaram esquecidos, nem o presidente do júri.

Não dispomos de dados que nos permitam traçar o percurso pessoal e profissional seguido por Guilhermina de Moraes Sarmento, sabendo, apenas, que, quando se casou a irmã mais nova, Rita, em finais de 1898, Guilhermina constava como testemunha ao lado do Pai, com a seguinte inscrição: «Guilhermina de Moraes Sarmento, medica, moradora na dita rua do Almada».
(Universidade Digital / Gestão de Informação, 2011)

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