Resumo (PT):
Esta dissertação investiga o processo de educação e formação de adultos(as) que
são potenciais líderes/sucessores(as) de empresas familiares no Brasil, a partir da visão que
essas pessoas têm acerca do próprio percurso. Especificamente, explora e analisa: as
aprendizagens socializantes da infância, relacionando-as com as formas de ser e agir da
vida adulta; os percursos de educação formal; as narrativas de educação informal no
contexto profissional. Visa também desmaranhar a relação herdeiro(a) - família - empresa,
no tocante à reprodução social e educação para a carreira que objetiva dar continuidade à
liderança da família na empresa. Considerando que o desenvolvimento não ocorre apenas
no escopo individual, buscou-se apoio em um corpo teórico interdisciplinar: da Sociologia
Educacional, a teoria de Bourdieu sobre socialização e capital; da Educação, pesquisas
sobre educação de elites; da Psicologia, achados da orientação profissional e de carreira; e
da Administração, estudos sobre empresas familiares. Os dados foram coletados a partir de
sete entrevistas semiestruturadas com herdeiros(as), potenciais líderes ou sucessores(as) de
empresas familiares, que foram transcritas e codificadas. Utilizou-se uma abordagem
qualitativa e interpretativa. Os resultados sugerem que, apesar da heterogeneidade entre as
famílias e firmas participantes, alguns pontos da educação/formação poderiam ser
indicadores de estratégias para a continuidade da família na liderança empresarial. A
família exerce uma função socializante vital e vitalícia, ensinando/instruindo sobre a
apropriação da herança (material e simbólica), e seleciona instituições de
ensino/experiências educativas que suportam, reforçam e legitimam o estilo de vida que
possuem/almejam para os(as) filhos(as). O gosto por aspectos de administração,
financeiros e jurídicos e a decisão por trabalhar nessas áreas são inculcados nos(as)
herdeiros(as), bem como a percepção da própria vontade e/ou necessidade de assumir a
liderança da empresa. Ser da família pode garantir a entrada e o desenvolvimento na
empresa, mas a percepção comum entre a família, as e os funcionários, e as e os acionistas
do(a) herdeiro(a) como líder ou sucessor(a) legítimo(a) depende de aspectos tangíveis (e.g.,
qualificação) e intangíveis (e.g., relacionamentos interpessoais), sendo que esses últimos
frequentemente são ignorados em planejamentos sucessórios.
Idioma:
Português
Nº de páginas:
146