| Resumo: |
A prática da morte antecipada continua a ser um assunto controverso e polarizador, suscitando um intenso debate a propósito dos seus riscos e benefícios. No centro deste debate estão dois valores considerados como fundamentais nas sociedades modernas: o respeito pela autonomia e o valor da vida.Um objetivo central dos cuidados de saúde é promover os melhores interesses da pessoa na sua relação com a doença. A este respeito, os profissionais de saúde têm a tarefa de ajudar os indivíduos a tomar decisões que melhorem a sua saúde e o seu bem-estar, bem como, possam mitigar o seu sofrimento. Não devem existir escolhas pré-estabelecidas ou imutáveis. Por conseguinte, considerando a diversidade individual, torna-se ainda mais difícil defender respostas inequívocas do tipo "sim" ou "não". Discernir se as decisões de uma pessoa sobre a sua própria morte são conscientes, congruentes e estáveis, e além disso, se essas decisões representam verdadeiramente a melhor opção para o próprio, é simultaneamente complexo e essencial. É, por isso, crucial acompanhar as pessoas ao longo do seu percurso de tomada de decisão, fazendo com que se sintam acolhidas nas suas dificuldades e possam ter a oportunidade de as refletir em conjunto num contexto de grande confiança, o que poderá promover decisões mais adequadas É imperativo, pois, investigar os motivos que podem levar a um pedido de morte antecipada e como estes podem evoluir ao longo do tempo. O desenvolvimento e a validação da Escala de Avaliação da Vontade de Antecipar a Morte (EAVAM) representou um marco inicial. Os estudos da EAVAM em Portugal visaram contribuir para a identificação dos motivos que podem estar por trás de um pedido de morte antecipada, e sobretudo, da evolução do mesmo ao longo do tempo, numa área onde o conhecimento é escasso. Contudo, reconhecendo as limitações destes estudos num país onde a antecipação da morte não é possível, torna-se necessário ampliar a sua validação num contexto internacional, nomeadame  |
Resumo A prática da morte antecipada continua a ser um assunto controverso e polarizador, suscitando um intenso debate a propósito dos seus riscos e benefícios. No centro deste debate estão dois valores considerados como fundamentais nas sociedades modernas: o respeito pela autonomia e o valor da vida.Um objetivo central dos cuidados de saúde é promover os melhores interesses da pessoa na sua relação com a doença. A este respeito, os profissionais de saúde têm a tarefa de ajudar os indivíduos a tomar decisões que melhorem a sua saúde e o seu bem-estar, bem como, possam mitigar o seu sofrimento. Não devem existir escolhas pré-estabelecidas ou imutáveis. Por conseguinte, considerando a diversidade individual, torna-se ainda mais difícil defender respostas inequívocas do tipo "sim" ou "não". Discernir se as decisões de uma pessoa sobre a sua própria morte são conscientes, congruentes e estáveis, e além disso, se essas decisões representam verdadeiramente a melhor opção para o próprio, é simultaneamente complexo e essencial. É, por isso, crucial acompanhar as pessoas ao longo do seu percurso de tomada de decisão, fazendo com que se sintam acolhidas nas suas dificuldades e possam ter a oportunidade de as refletir em conjunto num contexto de grande confiança, o que poderá promover decisões mais adequadas É imperativo, pois, investigar os motivos que podem levar a um pedido de morte antecipada e como estes podem evoluir ao longo do tempo. O desenvolvimento e a validação da Escala de Avaliação da Vontade de Antecipar a Morte (EAVAM) representou um marco inicial. Os estudos da EAVAM em Portugal visaram contribuir para a identificação dos motivos que podem estar por trás de um pedido de morte antecipada, e sobretudo, da evolução do mesmo ao longo do tempo, numa área onde o conhecimento é escasso. Contudo, reconhecendo as limitações destes estudos num país onde a antecipação da morte não é possível, torna-se necessário ampliar a sua validação num contexto internacional, nomeadamente na Espanha, onde a morte antecipada é permitida. Este projeto não visa apenas a adaptação e validação da EAVAM em Espanha como ferramenta única nesta área, mas também procura ampliar a compreensão dos fatores fundamentais que influenciam o pedido de morte antecipada. Deste modo, em paralelo com a validação da escala, pretende-se realizar uma avaliação longitudinal em três momentos, explorando a evolução da vontade de morrer e os fatores físicos, funcionais e emocionais associados, em doentes com doença grave e incurável ou lesão definitiva, terminal ou não terminal, que estejam a ser acompanhados em ambulatório, em internamento ou no domicílio. Este poderá ser um contributo decisivo da Psicologia para a compreensão dos processos de morte antecipada, nos países onde esta seja possível. Deste modo, esta investigação pretende contribuir positivamente para a procura de consensos e para a promoção de melhores cuidados de saúde na área da morte antecipada. |