| Resumo: |
A insuficiência renal afeta 10% da população mundial, sendo que 7-14 milhões de pessoas têm de receber transplante renal ou realizar diálise para o resto da vida. O tipo mais comum de diálise continua a ser a hemodiálise, na qual se acede ao sangue através de uma fístula/enxerto ou de um cateter. No entanto, a diálise peritonial através de cateter também é utilizada e vista como um tratamento muito promissor, uma vez que os doentes podem realizá-lo em casa, estando o seu uso a aumentar progressivamente. Os doentes em diálise apresentam risco aumentado de infecção, sendo esta refractária a antibióticos em 15% dos doentes.
A colonização por bactérias do local de saída do cateter pode resultar em infeção e posterior disseminação ao longo do túnel subcutâneo até ao ?cuff? interior e subsequentes peritoneu ou endocárdio (dependendo do local de inserção do cateter). Por esse motivo, existe uma necessidade urgente de melhorar as propriedades antibacterianas dos cateteres.
Foi demonstrado que a incorporação de materiais derivados do grafeno (MBGs) em matrizes poliméricas lhes conferem propriedades antibacterianas, explicadas por danos físicos na membrana celular pelos MBGs. A nossa equipa tem vindo a explorar a biocompatibilidade de diferentes GBMs e a desenvolver compósitos de ácido poliláctico reforçados por incorporação de GBMs para aplicações biomédicas, demonstrando que a incorporação de GBMs em PLA reduz a ativação de plaquetas e potencia a adesão e proliferação de fibroblastos.
Nós colocamos a hipótese de que a incorporação de GBMs possa ser usada como uma abordagem simples e económica para conferir propriedades antibacterianas aos cateteres habitualmente usados em diálise, nomeadamente produzidos a partir de poly(uretano) (PUR) e silicone (SR).
A maioria dos cateteres possuem um ou dois "cuffs", normalmente produzidos a partir de fibras de poli(tereftalato de etileno) (PET), cuja função é fixar a posição do cateter e minimizar a migração bacteriana da pele pa  |
Resumo A insuficiência renal afeta 10% da população mundial, sendo que 7-14 milhões de pessoas têm de receber transplante renal ou realizar diálise para o resto da vida. O tipo mais comum de diálise continua a ser a hemodiálise, na qual se acede ao sangue através de uma fístula/enxerto ou de um cateter. No entanto, a diálise peritonial através de cateter também é utilizada e vista como um tratamento muito promissor, uma vez que os doentes podem realizá-lo em casa, estando o seu uso a aumentar progressivamente. Os doentes em diálise apresentam risco aumentado de infecção, sendo esta refractária a antibióticos em 15% dos doentes.
A colonização por bactérias do local de saída do cateter pode resultar em infeção e posterior disseminação ao longo do túnel subcutâneo até ao ?cuff? interior e subsequentes peritoneu ou endocárdio (dependendo do local de inserção do cateter). Por esse motivo, existe uma necessidade urgente de melhorar as propriedades antibacterianas dos cateteres.
Foi demonstrado que a incorporação de materiais derivados do grafeno (MBGs) em matrizes poliméricas lhes conferem propriedades antibacterianas, explicadas por danos físicos na membrana celular pelos MBGs. A nossa equipa tem vindo a explorar a biocompatibilidade de diferentes GBMs e a desenvolver compósitos de ácido poliláctico reforçados por incorporação de GBMs para aplicações biomédicas, demonstrando que a incorporação de GBMs em PLA reduz a ativação de plaquetas e potencia a adesão e proliferação de fibroblastos.
Nós colocamos a hipótese de que a incorporação de GBMs possa ser usada como uma abordagem simples e económica para conferir propriedades antibacterianas aos cateteres habitualmente usados em diálise, nomeadamente produzidos a partir de poly(uretano) (PUR) e silicone (SR).
A maioria dos cateteres possuem um ou dois "cuffs", normalmente produzidos a partir de fibras de poli(tereftalato de etileno) (PET), cuja função é fixar a posição do cateter e minimizar a migração bacteriana da pele para o interior do corpo. Seguindo o mesmo raciocínio, acreditamos que a incorporação de grafeno nas fibras de PET possa potenciar a adesão e proliferação de fibroblastos enquanto confere propriedades antibacterianas.
Os péptidos antimicrobianos (AMPs) são agentes de largo espectro, com baixa propensão para desenvolvimento de resistência. A nossa equipa tem estudado a sua imobilização na superfície de biomateriais, verificando-se a manutenção da actividade antimicrobiana, sendo esta actividade localizada, de longa duração. Este projeto visa melhorar as propriedades antibacterianas dos tubos dos cateteres usados em hemodiálise e dos tubos e ?cuffs? de diálise peritonial usando GBMs e AMPs para prevenir as infeções associadas.
Duas abordagens serão seguidas: i) desenvolvimento de novos compósitos através da incorporação de diferentes tipos de GBMs em PUR e SR, para uso nos tubos dos cateteres e nas fibras de PET; ii) revestir os polímeros usados para produção dos tubos dos cateteres (PUR e SR) com GBMs e AMPs.
Técnicas de caracterização de superfície serão usadas para avaliar a incorporação de GBMs. As propriedades mecânicas dos materiais resultantes serão caracterizadas. As propriedades antibacterianas em relação a diferentes estirpes bacterianas, a hemocompatibilidade respeitante a formação de trombos e lise de eritrócitos e a biocompatibilidade com fibrobastos serão avaliadas para inferir o desempenho dos matérias recém-desenvolvidos.
Os cateteres são dispositivos que comportam riscos de complicações graves, mas são uma ferramenta necessária na gestão da insuficiência renal. Com ba |