| Resumo: |
Os sistemas de transporte não são apenas um fator chave para a sustentabilidade económica e bem-estar social, mas também uma dimensão fundamental na agenda das chamadas cidades inteligentes. Cerca de 80% dos cidadãos europeus vivem em zonas urbanas, onde 85% do Produto Nacional Bruto europeu é gerado (EC, 2006). No entanto, estas áreas enfrentam atualmente os desafios que advêm do crescente número de veículos particulares, do aumento das distâncias percorridas e do consumo de energia. Estas questões só podem ser resolvidas com uma abordagem integrada, onde os esforços devem convergir de forma a promover a implantação das tecnologias de Sistemas de Transportes Inteligentes (ITS) e planeamento de transporte urbano sustentável, através da combinação do uso do solo com sistemas de transporte inovadores e modos soft.
O conceito de mobilidade sustentável envolve a consideração de dimensões que não estão estritamente limitadas ao domínio do consumo de energia nos transportes e seus impactos sobre o meio ambiente: a mobilidade deve ser entendida como o modo e a frequência com que os indivíduos se deslocam para satisfazer suas diversas necessidades, do imprescindível (trabalho/escola) ao ocasional/opcional (lazer, social, turismo, etc.). Assim, embora continue a ser um aspeto essencial do planeamento de transportes, o estudo das viagens de rotina diária cedeu terreno ao estudo das viagens para outros fins. Todavia, fornecer serviços de transporte público de qualidade pode revelar-se extremamente caro quando a procura é baixa, variável e imprevisível. Compreender os padrões pessoais de viagem e modelar a procura é essencial para planear sistemas de transportes urbanos sustentáveis que satisfaçam as necessidades de mobilidade dos cidadãos.
O conhecimento dos movimentos urbanos tem-se baseado, tradicionalmente, nos padrões de uso do solo. Os dados utilizados provêm, na sua maioria, de métodos tradicionais, como questionários e censos, que para além de dispendiosos, são mor  |
Resumo Os sistemas de transporte não são apenas um fator chave para a sustentabilidade económica e bem-estar social, mas também uma dimensão fundamental na agenda das chamadas cidades inteligentes. Cerca de 80% dos cidadãos europeus vivem em zonas urbanas, onde 85% do Produto Nacional Bruto europeu é gerado (EC, 2006). No entanto, estas áreas enfrentam atualmente os desafios que advêm do crescente número de veículos particulares, do aumento das distâncias percorridas e do consumo de energia. Estas questões só podem ser resolvidas com uma abordagem integrada, onde os esforços devem convergir de forma a promover a implantação das tecnologias de Sistemas de Transportes Inteligentes (ITS) e planeamento de transporte urbano sustentável, através da combinação do uso do solo com sistemas de transporte inovadores e modos soft.
O conceito de mobilidade sustentável envolve a consideração de dimensões que não estão estritamente limitadas ao domínio do consumo de energia nos transportes e seus impactos sobre o meio ambiente: a mobilidade deve ser entendida como o modo e a frequência com que os indivíduos se deslocam para satisfazer suas diversas necessidades, do imprescindível (trabalho/escola) ao ocasional/opcional (lazer, social, turismo, etc.). Assim, embora continue a ser um aspeto essencial do planeamento de transportes, o estudo das viagens de rotina diária cedeu terreno ao estudo das viagens para outros fins. Todavia, fornecer serviços de transporte público de qualidade pode revelar-se extremamente caro quando a procura é baixa, variável e imprevisível. Compreender os padrões pessoais de viagem e modelar a procura é essencial para planear sistemas de transportes urbanos sustentáveis que satisfaçam as necessidades de mobilidade dos cidadãos.
O conhecimento dos movimentos urbanos tem-se baseado, tradicionalmente, nos padrões de uso do solo. Os dados utilizados provêm, na sua maioria, de métodos tradicionais, como questionários e censos, que para além de dispendiosos, são morosos e necessitam da participação ativa, fornecendo às entidades responsáveis um mero retrato histórico da mobilidade. Em contraste com esta abordagem tradicional, um campo emergente de investigação começou a ganhar terreno, partindo da recolha e subsequente análise dados de telemóveis para ''sensorização urbana'' (Cuff, 2008). A utilização massificada de dispositivos interativos de computação (telemóveis, cartões inteligentes, dispositivos GPS, câmaras digitais, etc.) e os registos do sistema de transporte (por exemplo, a contagem de validação de bilhetes) fornecem pegadas digitais sem precedentes, revelando onde estão os utilizadores e quando.
Nos últimos anos verificou-se ainda um aumento brutal na adoção e uso de plataformas e serviços de média social, que oferecem uma grande variedade de canais digitais para a expressão e interação, que vão desde fóruns ou blogs até às redes sociais. Com milhões de utilizadores por todo o mundo, a investigação em transportes começou a usar os conceitos e métodos de Análise de Redes Sociais para modelação e análise da procura de transportes.
Assim, as plataformas virtuais de socialização e as interações humanas que lhes seguem como consequência são fundamentais não só para a compreensão das atividades sociais, como também para a compreensão dos padrões de viagem, vicissitudes e tendências dos utilizadores (Carrasco, 2008). Todos estes dados de mobilidade, juntamente com as modernas técnicas de geoprocessamento, SNA e fusão de dados, oferecem novas possibilidades para identificar destinos e atividades, permitindo a análise da ligação entre osespaços cibernéticos e os físicos.
Neste projeto propomos estudar a mobilidade dos utilizadores para a extracção de padrões de mobilidade em cenários fora da rotina
(ou seja, lazer, social, turismo, etc.) a partir de múltiplas fontes de dados. Normalmente, os seguintes padrões de mobilidade são de
elevado interesse: locais populares, modos de transporte, padrões de trajectória e actividades baseados em localização. Os dados
recolhidos por meio de dispositivos ubíquos combinados com dados de plataformas de média social oferecem um denso fluxo de
novas informações em (quase) tempo real que podem ser combinados com os dados oriundos de fontes mais tradicionais
(questionários, registos de sistemas de transporte, dados estáticos, etc.) para um planeamento e gestão eficientes e integrados da
mobilidade urbana. De notar que, quando analisadas isoladamente, cada uma destas fontes de dados podem possuir lacunas e
apresentar-se incompleta. Neste sentido, o nosso projecto baseia-se na convicção de que a combinação de múltiplas fontes de
dados pode facilitar a análise dos transportes e, desta forma, permitir operadores um melhor ajuste (potencialmente em tempo
real) do transporte público dentro das cidades, com o ambicioso objectivo de alcançar viagens mais baratas, mais céleres e
associadas a uma menor pegada de carbono. |