Saltar para:
Logótipo SIGARRA U.Porto
This page in english A Ajuda Contextual não se encontra disponível Autenticar-se
Você está em: U. Porto > Memória U.Porto > Antigos Estudantes Ilustres U.Porto: Pedro Vitorino

Memória U.Porto

Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto

Pedro Vitorino

Desenho a lápis de Pedro Vitorino da autoria de Gouvêa Portuense / Pencil drawing of Pedro Vitorino, by Gouvêa Portuense Pedro Vitorino
1882-1944
Médico, historiador, arqueólogo, etnógrafo, militar, e crítico de arte



Fotografia do Largo Dr. Pedro Vitorino, Porto / Photo of Largo Dr. Pedro Vitorino, PortoJoaquim Pedro Vitorino Ribeiro nasceu no n.º 204 da Rua do Bonfim, a 20 de Janeiro de 1882. Era o mais velho dos três filhos do pintor e colecionador Joaquim Vitorino Ribeiro e de D. Lucinda Lucrécia de Freitas Ribeiro.
Entre 1895 e 1902 estudou no Liceu Central do Porto, onde fez todos os exames, com exceção do exame de Alemão, que foi realizado no Liceu Central de Braga (1904). Passou, ainda, pelo Instituto Industrial do Porto (1901-1902).
Logo de seguida, frequentou a Academia Politécnica do Porto (1902-1905), tendo acompanhado a "Estudantina Académica do Porto" numa digressão à Galiza, em 1902.
Deste estabelecimento de ensino transitou para a Escola Médico-Cirúrgica do Porto, onde, em 1910, concluiu o curso de Medicina com a defesa da tese "Socorros de urgência - Breves Notas". De seguida, partiu para Paris, onde se especializou em Radiologia.

Regressou ao Porto em 1911. Em 1919, foi nomeado clínico auxiliar da Santa Casa da Misericórdia e chefe do Laboratório de Radiologia e Fotografia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, onde, desde 1913, exercia as funções de chefe do Gabinete de Fotografia e Eletroterapia.

Em paralelo com a formação académica e a carreira médica, desenvolveu muitas outras atividades humanitárias e culturais. Foi militar (voluntário de Infantaria em 1901, alferes em 1911, tenente-médico em 1915 e capitão em 1918), tendo chegado a participar na I Guerra Mundial, pois integrou como capitão-médico miliciano o Corpo Expedicionário Português que partiu para Paris em Abril de 1918.

Trabalhou no Museu Municipal do Porto (1922-1938), onde desempenhou as funções de conservador e Vice-diretor, mas abandonou esta instituição em 1938 para assumir o cargo de chefe dos Serviços de Radiologia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Capa da Publicação Cerâmica Portuense, de Pedro Vitorino / Cover of the publication Cerâmica Portuense, by Pedro VitorinoEnquanto estudioso e divulgador da História, da Pintura e da Arqueologia do Porto, Pedro Vitorino produziu um extenso conjunto de livros e artigos editados em diversas publicações periódicas. Foi autor, entre outras obras, de José Teixeira Barreto, Artista Portuense (1925), Cerâmica Portuense (1930), Os Museu de Arte do Porto (1930), Iconografia Histórico-Portuense (1932), Notas de Arqueologia Portuense (1937) e Invasões Francesas (1945).
Colaborou com as publicações "O Lusitano" e o "Estudante" e na revista "Pétalas" (com o pseudónimo Victor Nerêo, que usou em alguns dos primeiros trabalhos), com revistas e jornais como "O Arqueólogo Português", "O Tripeiro", a "Águia", a "Revista de Estudos Históricos" da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, a "Revista de Guimarães", o "Arquivo Nacional de Ex-libris", a "Ilustração Moderna", o "Museu", o "Boletim Cultural da Câmara Municipal do Porto", o "Boletim do Salão Silva Porto", a "Feira da Ladra", o "Boletim do Douro-litoral", o "Jornal do Médico", os "Arquivos de História da Medicina Portuguesa".

Capas de Edições da Revista O Tripeiro / Covers of the magazines O TripeiroDirigiu a revista "Portucale", desde 1929 com o Dr. Augusto Martins e o Dr. Cláudio Basto, até à morte do primeiro (1932) e depois só com o segundo com quem dirigiu a revista "Lusa" de Viana do Castelo. Foi um dos redatores de "O Tripeiro", desde o n.º 5 da 4. ª Série.
Pedro Vitorino organizou exposições de arte. Projetou o Museu Portuense de Etnografia, a implantar em São João Novo, e esteve indiretamente ligado à criação do Museu de História da Medicina "Maximiano Lemos", sedeado na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (1933). Este museu teve origem num conjunto de peças que integraram a exposição médico-cirúrgica de 1925, comemorativa do I Centenário da fundação da Régia Escola de Cirurgia do Porto, promovida pelo Professor Alfredo de Magalhães e organizada por Pedro Vitorino e Alberto Saavedra, a qual teve lugar no Palácio de Cristal.
A partir de 1934, e em colaboração com o Dr. Roberto de Carvalho, seu colega no serviço de Radiologia do Hospital de Santo António, fez exames radiológicos para estudar quadros antigos.

Foi bombeiro da Associação dos Bombeiros Voluntários do Porto, Irmão e Mesário da Santa Casa da Misericórdia do Porto. Integrou a Comissão Provincial de Etnografia e História da Junta de Província do Douro-litoral e pertenceu ao núcleo organizador do Museu de Etnografia e História dessa Junta. Foi oficial da Ordem de Cristo, sócio correspondente da Academia Nacional de Belas-Artes, membro do Instituto de Coimbra, do Instituto de Arqueologia, História e Etnografia da Associação dos Arqueólogos Portugueses; foi, também, membro da Sociedade de Antropologia e de Etnologia do "Comité Internationale d’Histoire des Sciences".

Viajou por vários países da Europa, como Espanha, França, Bélgica e Suíça e participou em jornadas arqueológicas e artísticas pelo país, desenhando, pintando e tirando fotografias.
Possuidor de um vasto património iconográfico e de uma extensa biblioteca, a qual se encontra conservada pela Biblioteca Pública Municipal do Porto, Pedro Vitorino viveu com o irmão, em Contumil, na casa que pertencera ao pai e que acabou por se converter na Casa-Museu Vitorino Ribeiro.

Foi amigo do Abade de Baçal, de José Leite de Vasconcelos, de Marques Abreu, de Aarão de Lacerda, de Cláudio Basto, de Kol de Alvarenga, de Armando de Matos, de Luís Reis Santos e dos irmãos e artistas Francisco e José de Oliveira Ferreira.

Esta personagem multifacetada, culta e discreta, que se costumava apresentar de chapéu preto redondo, com abas voltadas para cima, bigode curto e gravata preta, faleceu numa trágica colisão entre o automóvel do seu condiscípulo e amigo, Dr. Ferreira Alves, onde ambos viajavam, e um comboio de mercadorias, na passagem de nível de Francelos, Vila Nova de Gaia, na noite de 10 de Novembro de 1944.
Pedro Vitorino jaz no cemitério portuense do Prado do Repouso, numa campa ornada por um baixo-relevo da autoria do escultor Sousa Caldas.
(Universidade Digital / Gestão de Informação, 2009)

Recomendar Página Voltar ao Topo
Copyright 1996-2019 © Universidade do Porto Termos e Condições Acessibilidade Índice A-Z Livro de Visitas
Última actualização: 2016-06-27 Página gerada em: 2019-03-18 às 14:34:15