Socioantropologia do Desenvolvimento e da Cultura
| Áreas Científicas |
| Classificação |
Área Científica |
| OFICIAL |
Estudos Sociais/Políticas Públicas |
Ocorrência: 2008/2009 - 1S
Ciclos de Estudo/Cursos
| Sigla |
Nº de Estudantes |
Plano de Estudos |
Anos Curriculares |
Créditos UCN |
Créditos ECTS |
Horas de Contacto |
Horas Totais |
| MCED |
16 |
Plano Oficial |
1 |
- |
6 |
- |
|
Língua de trabalho
Português
Objetivos
O domínio de educação e diversidade cultural tem como propósito principal aprofundar questões relacionadas com uma educação (escolar e contínua), sensível à troca entre universos de sentido diferentes e, em grande medida, incomensuráveis, no apelo a um procedimento hermenêutico, não confinado a simples método de interpretação mas como tese; por outro lado, facilitadora de uma leitura crítica do quadro do nosso tempo, tendo por referência a interferência das relações de produção, experiência e poder nas políticas sociais, económicas e culturais dos estados-nação, em tempo de globalização. Rentabilizando conhecimentos adquiridos e desenvolvidos em anos recentes, através de investigação no campo da educação para a multiculturalidade, esta especialização proporcionará, aos formandos e formandas, a possibilidade, não só de conhecer e reflectir sobre conceitos e práticas desenvolvidas nesse campo, como envolver-se num projecto de investigação que se informa e se operacionaliza na mesma base.
Neste sentido, com Questões Aprofundadas de Socioantropologia do Desenvolvimento e da Cultura, pretende-se equipar cognitivamente os/as estudantes para as tarefas inerentes à análise e compreensão das relações entre educação, desenvolvimento e cultura sob o impacto da globalização, e seus efeitos.
Assim, os objectivos perseguidos são:
- Conjugar uma formação aprofundada da área da sociologia e da antropologia com os desígnios da investigação em educação e diversidade cultural.
- Preparar especialistas em ciências da educação para a investigação e a intervenção nos múltiplos processos do desenvolvimento e da cultura.
- Qualificar para o exercício de funções de animação comunitária e de formação permanente e para a coordenação de projectos e actividades de formação contínua de docentes na área da educação e diversidade cultural.
Dotar mestrandas/os de competências para:
- manipular noções operatórias fundamentais no domínio da antropologia e da sociologia;
- comprender a realidade social como um todo articulado;
- agir em grupos socio-culturalmente heterogéneos;
- produzir conhecimento inerente às práticas investigativas.
Programa
1. Teoria Social Contemporânea
2. Tradição, Modernidade e Pós-Modernidade
3. História recente do pensamento antropológico
4. A construção do Outro: nós/eles
5. Implicações da globalização no saber: impacto na Educação
1. O processo educativo e as relações local/global
6. Reflexividade, auto-reflexividade e identidades sociais.
7. A construção identitária:
1. A questão do sujeito
2.A identidade nacional, cultural, social, …
8. A escola numa sociedade multicultural: silenciamento e dialogicidade
9. Para uma Sociantropologia dos fins
1. A tradução
2. Hermenêutica Diatópica
10. Para uma racionalidade transcultural
Bibliiografia básica:
AUGÉ, M. (2007). Para que Vivemos. Lisboa, Editora 90º.
BOURDIEU, Pierre (1997). Méditations Pascaliennes, Paris: Seuil.
CAMILLERI, C. (1985). Antropologie Culturelle et éducation, Paris: Unesco, Delachaux & Niestlé.
CASTELLS, M. (2007). O Poder da identidade. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian.
DALE, R. (2002). Globalização e educação: demonstrando a existência de uma “cultura educacional comum” ou localizando uma “Agenda Globalmente Estruturada para a educação”? Sociedade, Educação & Culturas, nº 16, p. 133-169.
96), “Etnicidade e Escola: o Caso dos Ciganos”, Educação, Sociedade e Culturas, Nº 6, 5-22.
FORQUIN, Jean-Claude (1992). École et Culture, Bruxelles: De Boeck Université.
GEERTZ, C. (1983), Le Savoir Local et le Savoir Global, Paris: Puf.
ITURRA, Raul (1990b), Fugirás à Escola para Trabalhar a Terra: Ensaios de Antropologia Social sobre o Insucesso Escolar, Lisboa: Escher.
LEVI-STRAUSS, Claude (1977), L’Identité, Paris: Grasset.
MAGALHÃES, A. M. e STOER, S. R. (2002 ). A escola para Todos e a Excelência Académica. Porto: Profedições.
NUNES, R. S. (2000). E a Escola? Sociedade, Educação & Culturas, nº 18, p. 41-67.
NUNES, Rosa Soares (2005) Nada Sobre Nós Sem Nós: a centralidade da comunicação na obra de Boaventura de Sousa Santos, São Paulo: Cortez Editora.
PETIT, Michel - Coord. (1991), L' Europe Interculturelle: Mythe ou Realité?, Paris: Les Editions d’ Organisation.
ROWLAND, Robert (1987). Antropologia, História e Diferença, Porto: Afrontamento.
SANTOS, B. S. (1987). Um Discurso sobre as Ciências. Porto. Afrontamento.
SANTOS, B. S. (1997) « Por uma concepção multicultural de direitos humanos”, Revista crítica de Ciências Sociais, 48, 1-32.
STOER, S. R. e MAGALHÃES, A.M. (2001). O Anti-anti Etnocentrismo e a Incomensurabilidade da diferença” in RODRIGUES, D. (org.) Educação e Diferença, Porto Editora, 35-48.
STOER, Stephen e ARAÚJO, Helena (1992), Escola e Aprendizagem para o Trabalho num País da (Semi)periferia Europeia, Lisboa: Escher.
STOER, Stephen (1994), “Construindo a Escola Democrática através do «Campo da Recontextualização Pedagógica»”, Educação, Sociedade e Culturas, 1, 7-27.
STOER, S. R. e MAGALHÃES, A.M. (2005). A Diferença somos Nós - a gestão da mudança social e a spolíticas educativas e sociais. Porto: Afrontamento.
SHWEDER, Richard A. (1997). "A rebelião romântica da antropologia contra o iluminismo, ou de como há mais coisas no pensamento para além da razão e da evidência", Revista de Educação, Sociedade e Culturas, nº 8, Porto: Afrontamento, pp.135-188.
SPIRO, Melford E. (1998). "Algumas reflexões sobre o determinismo e o relativismo culturais com especial referência à emoção e à razão", in Educação Sociedade e Culturas nº 9, Porto, pp.197-230.
WIEVIORKA, Michel (1999) “Será que o Multiculturalismo é a Resposta”, Educação, Sociedade e Culturas, 12, 7-46.
Métodos de ensino e atividades de aprendizagem
Exposição, debate, exposição por parte dos/as estudantes de textos e de trabalhos. Trabalho individual e trabalho de grupo.
Tipo de avaliação
Avaliação distribuída sem exame final
Obtenção de frequência
O/a estudante obtém a frequência da unidade curricular se, tendo estado regularmente inscrito/a, não exceder o número limite de faltas correspondente a 25 % das aulas previstas.
Fórmula de cálculo da classificação final
Do processo de avaliação constarão os seguintes momentos:
i. Participação nas tarefas distribuídas nas sessões
ii. Apresentação em pequenos grupos de uma obra de referência para a disciplina.
iii. Produção de um artigo, com um máximo de 3000 palavras (com referências bibliográficas), com as seguintes características:
identificação de uma problemática (introdução teórica/revisão da literatura)
identificação e justificação da metodologia utilizada
análise de um contexto/situação/problema e/ou de uma dada política
discussão dos resultados da análise e conclusão
referências bibliográficas
A classificação da unidade curricular é expressa numa escala inteira de 0 a 20.
O envolvimento dos estudantes nas tarefas respeitantes aos pontos i. e ii. será calculado a partir de uma ponderação máxima de 25% numa escala inteira de 0 a 20. O artigo, iii, avaliado a partir das características especificadas, terá uma ponderação de 75% numa escala inteira de 0 a 20.
A classificação final da unidade curricular resultará da soma das duas componentes. A participação nas tarefas distribuídas nas sessões e a elaboração de um esquema de desenvolvimento para o artigo, sem a consecução do mesmo e respectiva entrega ao docente, não têm classificação. Nestes casos, os estudantes terão de usar as formas de avaliação de recurso da unidade curricular.
Avaliação especial (TE, DA, ...)
Os estudantes, em situações previstas pela legislação e pelos regulamentos em vigor, que não frequentem as aulas terão, além do artigo acima referido, de entregar duas fichas de leitura (em datas a combinar com o docente), uma, com base nas leituras recomendadas para o ponto 1 do programa e, outra, sobre textos recomendados para o ponto 3 do programa.
Melhoria de classificação
Para efeitos de melhoria de nota, sem nova frequência da unidade curricular, ou como recurso, os estudantes terão ou de (re)escrever o artigo acima caracterizado ou de fazer a sua discussão/defesa oral.