Resumo (PT):
A qualidade das interações pais-filhos é determinante para o desenvolvimento da
criança e bem-estar das famílias. A exposição a um contexto de risco psicossocial, por
oposição a um contexto sem riscos, pode influenciar a expressão da comunicação afetiva
na interação pais-filhos, contribuindo para variações entre o elevado afeto e proximidade e
a ausência de empatia e rejeição em famílias de diferentes contextos.
Considerando a necessidade de utilizar ferramentas sólidas e fidedignas para avaliar
a expressão da comunicação afetiva na relação pais-filhos, o presente estudo teve como
objetivos avaliar as propriedades psicométricas (estrutura fatorial, invariância da medida, e
validade convergente) das versões para pais e filhos da Escala do Afeto, e comparar as
perceções de Afeto-Comunicação (AC) e Crítica-Rejeição (CR) entre famílias do grupo de
risco (GR) e do grupo de “não-risco” (GNR). Participaram no estudo 103 crianças e 113
mães no GR, e 104 crianças e 151 pais no GNR.
Os resultados identificaram uma estrutura fatorial de 2 fatores para cada versão da
Escala do Afeto revista – pais e filhos – e invariância parcial da medida, demonstrando que
os grupos avaliam os constructos de forma diferente. Não foram identificadas diferenças
entre os grupos ao nível dos fatores AC e CR, tanto entre as crianças, como entre as mães.
Estes resultados têm implicações para a prática e investigação psicológica no
contexto nacional, ao disponibilizar um instrumento que permite avaliar a percepção da
relação junto da criança e dos pais a respeito do Afeto e Comunicação, e Crítica e Rejeição
na relação.
Language:
Portuguese
No. of pages:
58