José de Figueiredo Seixas, filho de Geraldo Pais Cardoso e de Luísa de Figueiredo, natural da freguesia de Couto de Cima, Viseu, foi pintor e arquiteto.
A 16 de Setembro de 1728 casou-se na Sé do Porto com Isidora Teresa Angélica e pensa-se que, nesta cidade, terá residido em diversas artérias: na Rua da Neta, em 1734, na Rua do Bonjardim, em 1745, na Rua dos Açougues, em 1760 e na Rua da Senhora de Agosto, em 1761.
Durante a sua carreira desenvolveu diversas atividades artísticas e intelectuais. Foi pintor, arquiteto, professor e teorizador. Fez pinturas de ornatos na Sé do Porto (1734-1758), sob a orientação de Nicolau Nasoni, e realizou pinturas para a Capela Nova ou dos Clérigos de Vila Real, em 1745. Em 1756, riscou a Igreja da Ordem Terceira do Carmo, onde introduziu o rococó de influência quer francesa, quer alemã, num plano alterado por Nicolau Nasoni em 1762. Em 1758, compôs o segundo projeto da Igreja da Ordem da Lapa, em substituição do de João Glama Ströberle. Para esta igreja desenhou uma frontaria próxima do estilo inglês, tendo assumido a direção das obras em 1759. No ano seguinte, pintou o retábulo da capela-mor da Igreja da ordem Terceira do Carmo, no Porto.
De um modo geral, são-lhe atribuídas a construção da capela do Solar de Mateus e a fachada da Capela Nova, de Vila Real, datadas de 1743 e 1753, respetivamente. Flávio Gonçalves colocou a hipótese de José de Figueiredo Seixas ter sido o autor do prédio com os números 76 a 80 na Rua dos Clérigos, do Palácio dos Pacheco Pereira, situado na Rua de Belmonte e da Igreja de Nossa Senhora da Vitória. Carlos de Passos sugeriu a sua intervenção na Igreja da Ordem do Terço.
José de Figueiredo Seixas traduziu a edição italiana do manual "Perspectiva pictorum et architectorum" de Andrea Pozzo (1642-1709), escreveu a "Arte de edificar" sobre tradições urbanas (obra desaparecida) e concebeu um trabalho sobre a reforma das estradas, ruas e cidades do país que enviou a Sebastião José de Carvalho e Melo.
O seu "Tratado da Ruação para emenda das Ruas, das Cidades Vilas e Lugares deste Reino" (c. 1762) é um trabalho teórico que costuma ser interpretado como uma resposta da cidade do Porto à reconstrução da baixa pombalina, assim como uma tentativa de sistematização da prática urbanística.
José de Figueiredo Seixas não fez escola. Foi um personagem desconhecido dos arquitetos, talvez com a honrosa exceção de Reinaldo Oudinot.
Lecionou na "Aula de Riscar do Porto". Em 1760, juntamente com a sua mulher, recebeu o hábito de irmão da Venerável Ordem Terceira do Carmo pelo facto de ter pintado o retábulo da igreja que, mais tarde, foi substituído por outro.
Faleceu em 1773, no dia 26 de Março, encontrando-se sepultado na Igreja da Ordem Terceira do Carmo, sua grande obra-prima.