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Memória U.Porto

Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto

António Cardoso

Fotografia de António Cardoso / Photo of António Cardoso António Cardoso
1932-
Professor universitário, pintor e museólogo



António Cardoso Pinheiro de Carvalho nasceu em Amarante em 1932.
Estudou na Escola Primária de Tabuado, onde o seu pai era professor e, depois, no Colégio de S. Gonçalo de Amarante, que ficava perto da quinta da família. Com o seu avô, um homem de variados interesses e apaixonado por Amarante, descobriu o prazer do contacto com a terra.

Fotografia do Museu Municipal de Amadeo de Souza-Cardoso / Photo of the Municipal Museum of Amadeo de Souza-CardosoEntre 1949 e 1951 fez o curso do Magistério Primário, que concluiu com 19 anos de idade, começando a trabalhar nas escolas da região.
Durante os anos cinquenta, passava os tempos livres em Amarante, na Biblioteca-museu, na companhia de Albano e de Victor Sardoeira, com quem diligenciou a criação das salas de António Carneiro, António Cândido, e no café da Maria José, "Gioconda de Pascoaes", onde jogava bilhar e contava as novidades do Porto. Nesta cidade, além de estudar pintura na Academia Alvarez, criada em 1954 por Jaime Isidoro e António Sampaio, frequentava, como muitos outros estudantes, os cafés Majestic, Rialto e Paladium, a PrimusCine-Clube, o círculo do TEP e a Livraria Telos.

António Cardoso foi o elo de ligação entre a galeria portuense e a Biblioteca-museu de Amarante. Jaime Isidoro pintou paisagens amarantinas e a Galeria Alvarez realizou 3 exposições no espaço cultural desta vila. No Porto, organizaram-se uma mostra de Amadeo de Souza Cardoso, na Galeria Alvarez (1956) e a Exposição de Pintura Moderna (1957), em colaboração com o Grupo de Amigos da Biblioteca, que revelou novos artistas, como Ângelo de Sousa, António Quadros, Júlio Resende, Tito Roboredo, e o próprio António Cardoso.

A pintura deste artista ficou marcada desde 1956 pelas viagens que passou a fazer anualmente, sempre ao volante da sua motorizada, sozinho ou com amigos como António Bronze, por países como a França, a Espanha, a Itália e a Bélgica onde, em 1958, visitou a primeira exposição universal depois da II Guerra Mundial.

20 desenhos de António Cardoso, fotografia da capa da Publicação / 20 drawings by Antonio Cardoso (cover of a publication)O seu trabalho "Paisagem III" integrou a selecção enviada à I Bienal de Paris, em 1959. Com ele, mas também com as obras de Ângelo de Sousa, Artur Bual, René Bertholo, Lourdes de Castro, Luís Demée, Mário Eloy, António Quadros, Nuno Siqueira, Maria Teles e João Barata Feyo, Portugal recebeu o 1.º Prémio da crítica.
Na sua qualidade de artista plástico, António Cardoso tem exposto pinturas, de forma individual e colectiva, no país e no estrangeiro (Porto, Braga, Alijó, Lamego, Peso da Régua, Bragança, Amarante, Vila Nova de Gaia, Chaves, Viana do Castelo, Viseu, Lisboa, Lourenço Marques e Paris). Publicou um Álbum de 20 Desenhos em 1980, com prefácio de Diogo Alcoforado, e produziu os cartazes para três congressos realizados no Porto - La Sociologie et les Nouveaux Défis de la Modernisation, em 1988; I Congresso Internacional do Barroco; e O Porto na Época Contemporânea, em 1989.

Fotografia de um Desenho de António Cardoso, 1979 / Photo of a Drawing by António Cardoso, 1979A par dos seus interesses artísticos, António Cardoso nunca esqueceu a sua vocação pedagógica e aplicou as suas ideias relativas à prática artística na educação e na função de educador como estimulador das capacidades e da criatividade das crianças. Escreveu na "Escola Portuguesa", associou-se aos dois números da revista "Coordenada – Cadernos de convívio" (1958-1959), onde foi ilustrador e redator. Dirigiu a "página Quatro" do Jornal "Flor do Tâmega" dos modernistas de Amarante, o que lhe permitiu visitar o Brasil de Niemeyer e Portinari, e passou pelo Suplemento Cultural "Ângulo" (desde 1966), que dirigiu com Manuel Amaral e no qual veiculou propostas arrojadas.

No começo dos anos sessenta, o inspetor escolar Baptista Martins, que veio a ser um dos grandes responsáveis pela criação da Telescola, numa visita que fez a Amarante ficou bem impressionado com o museu local e com o professor António Cardoso que, por sua intercessão, veio a incorporar o Instituto de Meios Áudio-visuais e o Instituto de Tecnologia Educativa, apresentando programas de Televisão Escolar (1963-1965).

Fotografia de um Desenho de António Cardoso, 1979, Tinta da China sobre papel / Photo of a Drawing by António Cardoso, Chinese ink on paper (1979)Entre 1965 e 1974, António Cardoso desempenhou a função de realizador da Televisão Educativa e da Telescola/ITE, no decurso da qual foi convidado a participar no V Seminário Internacional da União Europeia da Radiodifusão, em Basileia (1967). Foi diretor do Curso do CPTV / ITE (1977-1981) e encabeçou ações de formação de Professores do Ensino Básico e Secundário em várias cidades portuguesas, promovidas pelo Ministério da Educação, e de Professores do CPTV, difundidas pela RTP do Instituto de Tecnologia Educativa. Integrou, ainda, a Comissão do Ministério da Educação para a renovação do Sistema de Avaliação de Alunos do Ensino Básico e Secundário.

Entretanto, durante os anos sessenta, investira igualmente na sua formação académica. Frequentou a Escola Superior de Belas Artes do Porto (1965-1966), que abandonou por incompatibilidade do horário escolar com o laboral. De seguida, pensou cursar Direito, mas a abertura da Segunda Faculdade de Letras da Universidade do Porto levou-o a inscrever-se no curso de História. Durante a licenciatura, que terminou em 1974 com a classificação final de 16 valores, foi fortemente marcado pelos professores José António Ferreira de Almeida e Carlos Alberto Ferreira de Almeida. Realizou o estágio pedagógico no CPES, classificado com 16 valores. Em 1981, no centenário do nascimento de Picasso, ingressou no quadro de docentes do Curso de História, variante de Arte da FLUP.

Por esta mesma ocasião, fez várias intervenções sobre a obra de Picasso no Círculo de Belas-Artes de Madrid, no Instituto Espanhol de Cultura, no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Museu de Amarante e em escolas secundárias do Porto e de Vila Nova de Gaia.
Por exigência da carreira universitária preparou a tese de doutoramento sobre o século XX, que era a sua área de trabalho e na qual pontuava a acção de José Augusto França. Aquando das comemorações dos cem anos da Sociedade Martins Sarmento, em Guimarães, José Augusto França proferiu uma conferência sobre o edifício-sede dessa Sociedade e sobre o seu autor, José Marques da Silva. Este facto levou António Cardoso a decidir estudar a obra deste arquiteto, em detrimento do seu conterrâneo, Amadeo de Souza Cardoso, sua escolha inicial para o trabalho de investigação.

Capa do livro António Cardoso – O Arquitecto José Marques da Silva e a arquitectura no Norte do País na primeira metade do séc. XX / Publication CoverAs grandes linhas da sua tese, apoiada por uma bolsa do INIC entre 1986 e 1988 foram traçadas na exposição sobre Marques da Silva, montada na Casa do Infante, em 1986.
A 19 de Novembro de 1992 defendeu na Faculdade de Letras da Universidade do Porto as provas de doutoramento, submetidas ao tema "O Arquitecto José Marques da Silva e a Arquitectura no Norte do País na primeira metade do século XX", tendo sido aprovado por unanimidade, distinção e louvor.
O trabalho desenvolvido para a tese de doutoramento conduziu à doação do legado de Marques da Silva à Universidade do Porto, formalizada no testamento da arquiteta Maria José Marques da Silva (24 de Junho de 1993), sua herdeira, e que resultou na criação, em 1994, do Instituto Arquitecto José Marques da Silva, hoje Fundação Instituto Arquitecto José Marques da Silva.

Na Faculdade de Letras, em paralelo com as aulas de História de Arte, dirigiu seminários de Património/Restauro, Escultura e Arquitetura do século XX no Curso de Mestrado de História de Arte do Departamento de Ciências e Técnicas do Património. Orientou teses de doutoramento e de mestrado e participou em júris de provas universitárias.
Lecionou nos Seminários de Verão. Guiou memoráveis visitas a Espanha (Madrid, Barcelona, Mérida, etc.) no âmbito da cadeira de História de Arte do Século XX. Organizou exposições de artistas portuenses, como Ângelo de Sousa, Carlos Carreiro e Zulmiro de Carvalho nas instalações da FLUP e fez parte da Comissão do Património da Câmara Municipal do Porto em representação da Faculdade (1996-2001). António Cardoso está, hoje, jubilado.

Desenho do Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso / Drawing of Amadeo de Souza-Cardoso Municipal MuseumFora desta instituição, colaborou na docência de cursos de técnicos auxiliares de museografia do IPPC e arguiu teses de Mestrado na Universidade Nova de Lisboa/Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Foi, também, organizador de três destacadas exposições na cidade do Porto: "Marques da Silva/Arquitecto 1896/1947", que teve lugar na Casa do Infante, em 1986; "Casa de Serralves, retrato de uma época", decorrida na Casa de Serralves em 1988; e "Aguarelas de Marques da Silva", em 2001, nas instalações do Instituto Marques da Silva. António Cardoso cooperou, ainda, com outras instituições educativas e culturais, em conferências e palestras.
Na década de 90, o seu interesse pelo estudo da História Local e pela área da Museologia (como membro da APOM, nomeadamente), a constante colaboração com o museu de Amarante (através do Grupo de Amigos do Museu) e o trabalho desenvolvido na FLUP tornaram inevitável o convite que lhe foi dirigido para exercer o cargo de Diretor do Museu de Amarante, que ainda hoje detém.

Fotografia do Palácio da Bolsa, de António Cardoso / Photo of Palácio da Bolsa, by António CardosoEntre as muitas outras actividades que tem desenvolvido ao longo da sua carreira contam-se a participação em conferências - no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, no Museu Alberto Sampaio, em Guimarães, no Museu dos Biscainhos, em Braga, na Cooperativa Árvore e na Universidade Portucalense, no Porto -, assim como em mesas-redondas - da Casa de Serralves, da Cooperativa Árvore e da ESBAP, no Porto, da Fundação Cupertino de Miranda de Vila Nova de Famalicão; a colaboração em estágios pedagógicos no Grande Porto, a publicação de vários livros, nomeadamente sobre S. Gonçalo de Amarante, a Igreja de Gondar, o Palácio da Bolsa e o Arquiteto Marques da Silva, a edição de dezenas de artigos científicos; os estudos e trabalhos sobre Amadeo de Souza Cardoso, como, por exemplo, a produção de um filme para a RTP, a participação num filme de Paulo Rocha e a colaboração no catálogo raisonée de Amadeo e na organização da exposição do centenário do seu nascimento (1987), duas iniciativas da Fundação Calouste Gulbenkian; a ligação à revista "Entremuros", sobre História Local de Amarante, cujo primeiro número (1990) foi patrocinado pela Reitoria da U.Porto; a visita à "Documenta 7" de Kassel e à Bienal de Veneza de 1982, enquanto bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian; a integração no Júri do Concurso de Ideias para o projecto de renovação da Estação de S. Bento (1985), organizado pelo Ministério do Equipamento Social/ Gabinete da Ponte Ferroviária sobre o rio Douro; o exercício do cargo de delegado da Junta Nacional da Educação em Amarante, no qual foi responsável pela classificação do seu mais relevante património arquitectónico e a actividade como ex-membro da APOM (Associação Portuguesa de Museologia) e da ARPPA (Associação Regional do Património Cultural e Natural); a sua filiação como membro da Associação Internacional dos Críticos de Arte (Secção Portuguesa).
(Universidade Digital / Gestão de Informação, 2010)

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