Resumo (PT):
No atual sistema de saúde português os enfermeiros desempenham um papel
fundamental na interação com os utentes. Contudo, a sua saúde psicológica pode estar em
risco, pois são submetidos a exigências profissionais e laborais cada vez mais fortes, cujas
consequências individuais podem ser o burnout e a desmotivação no trabalho, bem como, a
nível organizacional, a qualidade dos cuidados prestados. Face à preocupação que a Agência
Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho tem vindo a revelar sobre o impacto
negativo do stress crónico no trabalho, é fundamental identificar fenómenos como o burnout
e o engagement, pois a presença do primeiro e a ausência do segundo constituem fatores de
risco no adoecer psicológico dos enfermeiros.
Este estudo tem como objetivos conhecer os níveis de burnout e de engagement numa
amostra de enfermeiros, a sua inter-relação e variação em função de características
sociodemográficas/laborais.
Os dados foram recolhidos no âmbito do projeto INT-SO “Dos contextos de trabalho
à saúde ocupacional dos profissionais de enfermagem”, liderado pela ESEP e no qual a
FPCEUP é parceira. Foram aplicadas versões portuguesas do Maslach Burnout Inventory e
da Utrecht Work Engagement Scale, e um questionário de caracterização
sociodemográfica/laboral. Participaram de forma anónima e voluntária, 346 enfermeiros do
distrito do Porto. Os resultados revelaram níveis elevados de engagement, moderados de
exaustão emocional e baixos de despersonalização. Apesar de terem sido identificados 54%
de enfermeiros com nível baixo de burnout, existem já 9% com burnout elevado. Verificou-
se também que o burnout diminui com a idade e anos de serviço, estando associado a turnos
rotativos, trabalhar em hospitais, e apresenta uma correlação negativa com o engagement. A
análise de regressão permitiu ver que o burnout prediz mais fortemente o engagement (de
20% a 40%) do que o engagement prediz o burnout (de 8% a 38%).
A existência de 9% de enfermeiros em burnout confirma este grupo como estando
em risco de adoecer psicologicamente, reforçando a necessidade de se prevenir o burnout,
até porque este tem consequências na motivação (engagement) no trabalho. É também
importante sensibilizar os enfermeiros para a adoção de estratégias e competências para lidar
com as exigências da profissão, bem como para uma adequada gestão do stress, já que o
stress crónico no trabalho conduz ao aumento do burnout e à diminuição do engagement,
afetando profissionais, instituições e utentes destas.
Idioma:
Português
Nº de páginas:
37