Resumo (PT):
A investigação científica tem apresentando evidência de que determinadas
doenças crónicas como a doença oncológica, podem em muitos casos fazer-se acompanhar
de quadros específicos de ansiedade, distintos de quadros psiquiátricos ansiosos mais
graves, como é o caso do medo da progressão da doença, que possui um papel central na
vida do doente oncológico. O medo da progressão da doença diz respeito ao medo de que a
sua doença possa progredir ou de que a doença possa volta a surgir, com todas as suas
consequências biopsicossociais que essa continuação da existência de doença traz consigo.
Neste sentido, nos últimos anos o interesse pelo medo da progressão da doença em
Oncologia tem sido crescente, focando-se na relação entre o medo da progressão da doença
e diversos tipos de variáveis, desde variáveis demográficas, a variáveis clínicas e a
variáveis psicológicas. Uma vez que o medo da progressão da doença parece ser distinto de
outros quadros psicopatológicos, surgiu a necessidade de criar um instrumento específico
para avaliar o medo da progressão em doenças crónicas - o Fear of Progression
Questionnaire (Herschbach et al., 2005), que ainda não se encontra validado para a
população portuguesa. Deste modo, o primeiro objetivo deste estudo é adaptar para a
população portuguesa o instrumento Fear of Progression Questionnaire - Short Form.
Como segundo objetivo pretende-se caraterizar o medo da progressão da doença em
mulheres com cancro da mama, e analisar a sua relação com a idade, com o estádio da
doença, o número de anos pós diagnóstico, e com algumas variáveis psicológicas: distress
e qualidade de vida, de modo a encontrar alguns preditores.
A adaptação para a população portuguesa do instrumento Fear of Progression
Questionnaire - Short Form (FoP-Q-Sf) identificou três dimensões do medo da progressão
da doença: Preocupações Físicas, Preocupações Profissionais e Ansiedade, e Preocupações
Familiares e Autonomia, tendo apresentado boas qualidades psicométricas que
demonstram que o instrumento é válido e fiável. Relativamente à incidência do medo da
progressão da doença verificou-se que mais de metade das doentes apresentaram níveis
moderados a elevados. A análise da relação do medo da progressão da doença com
variáveis sociodemográficas, clínicas e psicológicas apresentou relações significativas com
a idade, a ansiedade, o Bem-estar físico, o Bem-estar emocional e a QdV global.
Realizaram-se modelos de predição para o medo da progressão da doença, sendo o Bem-estar
físico um dos principais preditores do medo da progressão da doença. Destaca-se
assim a sua importância ao nível da intervenção psicológica.
Idioma:
Português
Nº de páginas:
61