Psicossociologia das Organizações
Ocorrência: 2004/2005 - A
Ciclos de Estudo/Cursos
Objetivos
A Psicossociologia das Organizações que utiliza preferencialmente o nível grupal e organizacional como objecto de estudo, visa fundamentalmente familiarizar os estudantes com os modelos de análise e de intervenção organizacional permitindo-lhes
· a aquisição da linguagem própria da Psicologia das Organizações;
· o conhecimento de diversos modelos/teorias de análise e intervenção nas organizações;
· o desenvolvimento de competências práticas fundamentalmente ao nível da análise, no domínio da investigação organizacional; e, em última instância;
· a sensibilização para a necessidade da intervenção psicológica nos contextos organizacionais/laborais.
Tendo em vista a prossecução dos objectivos enunciados é proposto aos alunos nas aulas práticas a realização de um trabalho desenvolvido em duas fases distintas:
1ª) estudo de uma organização tendo por base um dos modelos desenvolvidos nas aulas teóricas, a perspectiva sistémica;
2ª) estudo do desempenho de papel considerando uma das funções do subsistema técnico ou de produção identificado na fase anterior.
Programa
A. Introdução
1. A Psicossociologia das Organizações
2. O conceito de "Organização"
3. O interesse e utilidade em estudar as Organizações
B. A realidade organizacional e o seu estudo
1. A realidade organizacional como uma realidade social
2. Modelos teóricos – perspectiva histórica
2.1. Os primeiros contributos para uma Teoria das Organizações
2.2. A Organização Científica do Trabalho ou Taylorismo
2.2.1. Características do meio sócio-económico e dos modelos teórico-ideológicos predominantes no início do séc. XX nos EUA.
2.2.2. Alguns dados biográficos sobre Taylor.
2.2.3. Principais fases de desenvolvimento do modelo proposto por Taylor
2.2.4. Principais características do "Taylorismo" enquanto modelo de organização de trabalho.
2.2.5. Reflexão crítica de algumas das ideias e/ou crenças habitualmente associadas ao taylorismo
2.2.6. Conclusões: análise das condições que contribuíram para o desenvolvimento e para o fracasso do taylorismo.
2.3. A Teoria da Burocracia
2.3.1. Modelo burocrático de Weber
2.3.2. Os modelos das disfunções burocráticas
2.4. O Movimento das Relações Humanas
2.4.1. Os estudos de Hawthorne e os seus objectivos iniciais
2.4.2. Sistematização das diferentes fases destes estudos
2.4.2.1. Os estudos da fase experimental"
2.4.2.2. Os estudos da fase não – experimental
2.4.3. Contributos reais destes estudos e reflexão sobre o papel neles desempenhado por Elton Mayo.
2.5. As Organizações como Sistemas Abertos
2.5.1. A Teoria Geral dos Sistemas (Bertalanffy, 1950): a sua emergência, âmbito e definição de sistema aberto.
2.5.2. Abordagem das Organizações como sistemas abertos
2.5.2.1. Características gerais dos sistemas abertos;
2.5.2.2. Características específicas dos sistemas sociais segundo Katz e Kahn (1987)
2.5.2.3. O conceito de "meio" e a sua importância na perspectiva sistémica; o "meio específico" e o "meio geral" das Organizações segundo Bertrand e Guillemet.
2.6. A abordagem sociotécnica das Organizações
2.6.1. Origens da abordagem sociotécnica: O Tavistock Institute of Human Relations
2.6.2. Os princípios da perspectiva sociotécnica
2.6.3. Os factores que influenciam a definição da estrutura e o seu funcionamento
2.6.4. Modelos de análise sociotécnica
2.6.4.1. O modelo proposto por Hill (1971) retomado mais tarde por Emery e Trist (1978), para diagnóstico sociotécnico de uma unidade fabril.
2.6.4.2. O modelo proposto por Liu (1983) para diagnóstico sociotécnico de um Serviço.
2.7. A abordagem organizacional de Mintzberg
2.7.1. Os atributos das Organizações
2.7.2. As diversas configurações organizacionais: características gerais, condições facilitadoras para o seu aparecimento e problemas que colocam.
2.7.3. O conceito de forças em oposição ao de formas ou configurações: As diversas forças organizacionais
2.7.4. Conclusão sobre a abordagem das organizações proposta por Mintzberg.
2.8. O modelo do processo de organizar (Weick, 1979; 1995)
2.8.1. O emergir da perspectiva interpretativa nos estudos organizacionais
2.8.2. O modelo do processo de organizar
2.8.2.1. Os processos cognitivos ou construtivos do “fazer – sentido” organizacional
2.8.2.2. Os processos políticos inerentes ao processo de organizar
2.8.3. Conclusões e reflexões finais
3. Uma proposta de sistematização do campo de estudos das Organizações
3.1. Características deste campo de estudos: diversidade teórica e relativa confusão.
3.2. A sistematização das Teorias das Organizações proposta por Burrell e Morgan (1994)
3.2.1. Principais dimensões e os pressupostos subjacentes
3.2.2. A abordagem metafórica das Teorias das Organizações (Morgan, 1980, 1989)
C. Processos organizacionais
1. A comunicação
1.1. Introdução
1.2. O processo comunicativo
1.3. A competência comunicativa
1.4. O estudo da comunicação nas organizações
D. Avaliação da disciplina
Bibliografia Principal
1. Bertrand, Y. & Guillemet, P. (1994). Organizações: Uma abordagem sistémica. Lisboa: Instituto Piaget (Tradução de Dulce Matos), Cap. 3, Cap. 4 e Cap. 5.
2. Burrell, G. & Morgan, G. (1994). Sociological paradigms and organizational analysis. London: Heinemann Educational Books Ltd., pp. VIII-37.
3. Jordão, F. (1998). Uma abordagem cognitiva das Organizações: Estudos de mapeamento cognitivo na banca portuguesa (Cap. 2, págs.57-94). Porto: FPCE - UP.
4. Katz, D. & Kahn, R. (1966). Organizations and the system concept. In Shafritz & Ott (1992), (Eds.). Classics of Organization Theory. California: Brooks/Cole Publishing Company, Cap. 27.
5. Katz D. & Kahn, R. (1987). Psicologia social das organizações (Tradução brasileira de Auriphebo Simões). São Paulo: Editora Atlas, Cap. 2, Cap. 3, Cap. 4, Cap. 5 e Cap. 7.
6. Liu, M. (1983). Approche socio-technique de l’organisation. Paris: Les Éditions d’Organisation, Cap. IV e Cap. V, pp. 69-101.
7. Lynch, P., Eisenberger, R. & Armeli, S. (1999). Perceived organizational support: inferior versus superior performance by wary employees. Journal of Apllied Psychology, 84, 4, 467-483.
8. Mintzberg, H. (1995). Estrutura e dinâmica das Organizações (Tradução). Lisboa: Publicações Dom Quixote, Cap. 1, Cap. 2, Cap. 4, Cap. 5, Cap. 6, Cap. 7, Cap. 8, Cap. 9, Cap. 10, Cap. 11, Cap. 12, Cap. 13, Cap. 14, Cap. 15 e Cap. 16.
9. Mintzberg, H. (1989). Mintzberg on management: inside our strange world of organizations (Versão original do livro anterior). NY: The Free Press. Cap. 2, Cap. 6, Cap. 7, Cap. 8, Cap. 9, Cap. 10, Cap. 11, Cap. 12, Cap. 13 e Cap. 14.
10. Morais, M. F. (1988). A reconcepção dos postos de trabalho e as novas tecnologias: Porto: FPCE, Cap. 1 e Cap. 2.
11. Morgan, G. (1989). Images de L' Organisation. Québec: Les Presses de L' Université Laval, Éditions ESKA, Caps. 2 e 3, pp. 9-78.
12. Morgan, G. (1980). Paradigms, metaphors, and puzzle solving in organization theory. Administrative Science Quarterly, 25 (4), 605-622.
13. Rego, A. (1999). Comunicação nas Organizações. Lisboa: Edições Sílabo, Lda.
14. Rego, A. (1998). Liderança nas Organizações. Teoria e prática. Lisboa: Edições Sílabo, Lda.
15. Rego, A. (2002). Comportamentos de cidadania organizacional. Um passo na senda da excelência. Amadora: McGraw-Hill de Portugal, Ltd.ª. Introdução – pp35.
16. Roethlisberger, F. (1941). The Hawthorne Experiments. In Ott, J. (Ed.). Classic readings in Organizational Behavior. California: Brooks/Cole Publishing Company, Cap. 1 (1), pp. 36-47.
17. Shafritz, J. M. & Ott, J. S. (1992) (Ed.). Classics of Organization Theory. California: Brooks/Cole Publishing Company, Introdução, pp. 1-23.
18. Taylor, F. W. (1916). The principles of scientific management. In Shafritz & Ott (1992), (Ed.). Classics of Organization Theory. California: Brooks/Cole Publishing Company, Cap. 7, pp. 69-80.
19. Taylor, F. (1947). Scientific Management. London: Harper & Row, pp. 124-146.
20. Trist, E. & Bamforth, K. (1951). Some social and psychological consequences of the longwall method of coal-getting. In Ott, J. (1989) (Ed.). Classic readings in Organizational Behavior. California: Brooks/Cole Publishing Company, Cap. IV, 27, pp. 373-391.
21. Weber, M. (1946). Bureaucracy. In Shafritz & Ott (1992) (Eds.). Classics of Organization Theory. California: Brooks/Cole Publishing Company, Cap. 8, pp. 81-86.
22. Yin, R. K. (1993). Applications of case study research. Newbury Park, CA: SAGE Publications, Cap. 1.
Bibliografia Complementar
1. Blau, P. & Scott, W. (1962). The concept of formal organization. In Shafritz & Ott (1992), (Eds.). Classics of Organization Theory. California: Brooks/Cole Publishing Company, Cap. 21, pp. 212-216.
2. Boulding, K. E. (1956). General systems theory - The skeleton of science. Management Science, 2 (3), 197-208.
3. Burns, T. & Stalker, (1961). Mechanistic and organic systems. In Shafritz & Ott (1992), (Eds.). Classics of Organization Theory. California: Brooks/Cole Publishing Company, Cap. 20, pp. 207-211.
4. Chiavenato, I. (1998). Teoria geral da administração: Abordagens descritivas e explicativas (5ª Edição). São Paulo: Makron Books, Vol. 2, Cap. 13, pp. 5-76.
5. Cunha, M., Rego, A., Cunha, R. e Cabral-Cardoso, C. (2003). Manual de comportamento organizacional e gestão (2ª edição). Lisboa: Editora RH. Cap. 11.
6. Dessler, G. (1999). Human resource management. New Jersey: Prentice Hall. Cap. 3 e Cap. 4.
7. Ferreira, J. M. C. e outros (1996). Psicossociologia das Organizações. Lisboa: Editora McGraw-Hill de Portugal, L.da, Parte I, Caps. 1 a 5 e Cap. 8 e 10.
8. Glen, F. (1983). Psicologia social das organizações (Tradução de D' Almeida, E.). Rio de Janeiro: Zahar Editores, pp. 48-63 e pp. 64-79.
9. Hall, R. (1987). Organizations: Structures, processes and outcomes (4ª Ed.). New Jersey: Prentice-Hall International, Inc., Cap. 1 e 2, pp. 1-55.
10. Hattrup, K., O’Connel, M. & Wingate, P. (1998). Prediction of multidimensional criteria: distinguishing task and contextual performance. Human performance, 11 (4), 305-319.
11. Keating, J. (1987). Sistemas produtivos e sua regulação. Contributos da perspectiva sociotécnica. Porto: FPCE, Cap. 3 e Cap. 4.
12. Kreitner, R. & Kinicki, A. (1998). Organizational behavior (4th Edition). Boston, Massachusetts: Irwin McGraw-Hill, Cap. 6: 428-456.
13. Lam, S., Hui, C. & Law, K. (1999). Organizational citizenship behavior: comparing perspectives of supervisors and subordinates across four international samples. Journal of Apllied Psychology, 84, 4, 594-601.
14. Merton, R. (1957). Bureaucratic structure and personality. In Ott, J. (1989) (Ed.). Classic readings in Organizational Behavior. California: Brooks/Cole Publishing Company, Cap. IV, 26, pp. 363-372.
15. Robbins, S. P. (1990). Organization Theory: Structure, design and applications. Englewood Cliffs, N. J.: Prentice-Hall, Inc., Cap. 1, pp. 1-28.
16. Robbins, S. P. (1999). Comportamento Organizacional (8ª Ed.). Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora S.A., Cap. 9: 195-216 e Cap. 10: 217-246.
17. Rocha, A. (1997). Gestão de Recursos Humanos. Lisboa: Editorial Presença. Cap. 3.
18. Rosnay, J. de (1995). O macroscópio. Para uma visão global (Tradução de M.ª Adozinda Soares). V. N. de Gaia: Estratégias Criativas. Cap. II, pp. 81-124.
19. Scott W. (1992). Organizations: Rational, natural and open systems (3ª Ed.). New Jersey: Prentice Hall International, Inc.. Caps. 2, 3, 4 e 5, pp. 31-116.
20. Smith, B., Benson, P. & Hornsby, J. (1990). The effects of job description content on job evaluation judgments. Journal of Psychology, 75, 3, 301-309.
21. Weick, K. E. (1979). The social psychology of organizing (2nd Ed). New York: McGraw-Hill, Inc.
Métodos de ensino e atividades de aprendizagem
As aulas teóricas da disciplina serão essencialmente do tipo expositivo.
As aulas práticas são de tipo expositivo, de acompanhamento e orientação dos trabalhos práticos e
de apresentação oral dos trabalhos de investigação.
Tipo de avaliação
Avaliação distribuída com exame final
Obtenção de frequência
Para obtenção de frequência às aulas práticas da disciplina aplica-se o regime de faltas vigente para as aulas práticas, ou seja, a obtenção de frequência exige que o aluno esteja presente em, pelo menos, três quartos das aulas previstas.
Fórmula de cálculo da classificação final
A classificação final obtida na disciplina, expressa numa escala de 0-20 valores, é em qualquer circunstância, a nota resultante da ponderação da nota do exame teórico (60%) com a nota obtida nas aulas práticas (40%).
A nota obtida nas aulas práticas é o resultado da avaliação contínua dos trabalhos (5%), da avaliação periódica (10%) obtida nas apresentações orais dos trabalhos e da avaliação do relatório escrito entregue no final do ano (25%).
O aluno deverá obter um mínimo de 8 valores (escala de 0-20) em qualquer uma das vertentes (teórica e prática) para que lhe possa ser atribuída uma nota final na disciplina.
Melhoria de classificação
Para melhoria da classificação final obtida na disciplina o aluno poderá repetir apenas uma vez, a prova de avaliação final numa das duas épocas de avaliação seguintes à que a realizou. A classificação final será de novo calculada considerando as ponderações acordadas para as duas vertentes de avaliação da disciplina - teórica e prática.