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Pedro Moreira

Fotografia de Pedro Alexandre Afonso de Sousa Moreira
Nome: Pedro Alexandre Afonso de Sousa Moreira
Sigla: PAASM
Estado: Ativo
R-000-EMV
0000-0002-7035-7799
DC11-66B6-9720
K-5456-2012
7006510556
Email Institucional: pedromoreira@fcna.up.pt
Extensão Telefónica: 245
Telf.Alt.: 225074320
Telemóvel:(+ 351): 225074320 Contacto por Confirmar
Salas: FCNAUP 3.202

Funções

Categoria: Professor Catedrático
Carreira: Pessoal Docente de Universidades
Grupo profissional: Docente
Faculdade: Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto

Cargos

Cargo Data de Início
Membro do Senado 2019-02-19
Membro do Conselho de Representantes 2023-02-22
Membro do Conselho Cientifico 2001-10-01
Presidente do Conselho Pedagógico 2019-02-19
Membro do Conselho Coordenador para a Avaliação 2019-03-25
Director de Curso de Mestrado - Mestrado em Nutrição Pediátrica 2021-02-03
Membro da Comissão Cientifica - Mestrado em Nutrição Pediátrica 2021-02-05
Presidente da Comissão de Acompanhamento de Curso - Mestrado em Nutrição Pediátrica 2023-01-01
Docente Responsável de Curso de Educação contínua - Alimentação saudável nos primeiros anos de vida 2023-08-03

Apresentação Pessoal



(In entrevista comemorativa do cinquentenário da FCNAUP:)

Que memórias guarda dos seus tempos de estudante e dos primeiros tempos como docente da FCNAUP?

Do tempo de estudante, guardo sobretudo a sensação de estar num curso pequeno, com identidade e uma cultura muito própria, quase familiar, de uma escola onde toda a gente se conhecia.

Não tínhamos plataformas digitais, nem distrações com o telefone, e valorizava-se muito a expressão do olhar para comunicar. Sobrava mais tempo para estudar nos cafés, errar e tentar outra vez. Na Nutrição, parecia que estava tudo ao nossa alcance se arriscássemos tentar. Quando estava na AEFCNAUP, por exemplo, fui à RTP Porto, no Monte da Virgem, propor-lhes que no Dia Mundial da Alimentação nos recebessem; fizeram algumas perguntas, mas concordaram com facilidade, pelo que falei ao Professor Norberto Teixeira dos Santos, o nosso Diretor na época, e fomos os dois à RTP, a um programa da manhã - Adorei, e o Professor Norberto tinha muita envolvência e um discurso tranquilo e certeiro, muito virado "para a frente", um belo sinal de um Professor Catedrático de Pediatria, estudioso de nutrição infantil, e um inovador.

Na minha dissertação de licenciatura, escolhi o Comportamento Alimentar de Adolescentes, um estudo que fiz no Liceu (Alexandre Herculano) onde tinha estudado, que adorava, e onde dei aulas de Biologia, ainda aluno da FCNAUP (tantos professores que nos marcam a vida... lá, fui aluno do Dr. Luís Meireles Vieira de Castro que, uma vez no bar, me perguntou se eu sabia que esforço fazia o coração ao beber o café que ele tinha na mão - a pergunta era retórica, mas como adolescentes tínhamos tanta sorte com pessoas assim, a provocar-nos a curiosidade, coincidentemente em nutrição).  Terminada a tese, levei-a em mãos ao Jornal de Notícias - pediram-me para aguardar, veio alguém falar comigo, e no dia seguinte vi que me tinham feito uma entrevista de uma página inteira; não me queria acreditar, mas isto mostrava como a sociedade civil ansiava pela emergência da Nutrição.

Logo que acabei o serviço militar, pude regressar como docente à futura FCNAUP, e foi um alívio terminar aquela espera, pois, antes do serviço militar, tinha sido convidado, mas não tinha podido aceitar por ter de me apresentar no exército.

E o regresso veio na sequência de ter aberto um Concurso para Assistente Estagiário, que me abriu as portas para ir aprender tendo como mestre o Dr. Emílio Peres, humanista, Professor e Mentor. O que se poderia querer mais? Eu, que o tinha "perseguido" como estudante, sempre que sabia de mais uma palestra sua, à noite, nos mais diversos sítios... era como se saísse para ir ao teatro ou a um concerto. Às vezes, aquelas comunicações em que tudo parecia fácil e não tinha custado nada a fazer (puro engano) também me distraíam pela sua própria beleza (precisava de algum tempo para admirar, e isso atrasava-me), porque muitas vezes eram exercícios de muita integração, para apresentar exemplos e cenários onde tudo fazia o máximo de sentido, como se tivesse sido planeado ao mais ínfimo pormenor (a simplicidade, é um exercício de grande complexidade, como gosta de lembrar a Professora Maria Manuel Valagão).

Uma vez, estava a fazer a comunicação que fechava um Congresso na Fundação Cupertino de Miranda (uma sala muito bonita, com declive), e já era tarde, final do dia; instantes após iniciar, vi, sem contar, o Dr. Emílio Peres que chegava e se sentava na última fila. Por grande coincidência, eu estava a projetar um slide com um desenho irónico, da sua filha, Mafalda, para ilustrar o seu Homo urbanus insapiens. Cruzei-me por uns instantes com o seu olhar e senti muitas coisas...

Depois de se aposentar, o Dr. Emílio Peres “dava” sempre a 1ª aula de Nutrição Humana, disciplina de que foi o Regente fundador na FCNAUP, para delícia de todos; atualmente, na mesma 1ª aula, adoramos apresentar o seu legado para receber as gerações de futuros nutricionistas. E a sua matriz de ética, humanidade e competência, continua a ser o melhor alicerce para a Educação, num projeto que nunca acaba.

Enquanto antigo aluno, o que significa para si dar aulas aqui?

Significa continuidade - uma palavra que aprecio, sabendo que essa mesma linha que começou antes de mim, continuará depois.

E um privilégio, e uma responsabilidade - dar aulas aqui é ter a obrigação de devolver à instituição que me formou a mesma independência, espírito anticorporativo e crítico da "autoridade acrítica" que sempre pautou a FCNAUP e a minha geração. E assim fazer parte de uma linha que não se desvia e acredita que ter ética e servir o ensino, a investigação e a saúde são o mais importante.

Em que áreas científicas lecionou e como contribuíram para o campo académico das Ciências da Nutrição?

Ao longo da minha carreira académica, tenho lecionado principalmente nas áreas de Alimentação e Nutrição Humana, que incluem o Comportamento Alimentar, a Nutrição no Ciclo de Vida, e as Intervenções na Prevenção de Doenças. Estas áreas refletem o percurso científico que fui desenvolvendo desde os anos 1990, integrando as vertentes pedagógica, de investigação e de intervenção comunitária.

A minha experiência em nutrição materno-infantil começou cedo, durante quatro verões consecutivos no Maranhão (Brasil), em trabalho voluntário orientado pelo Dr. Emílio Peres, centrado na saúde materna e infantil. Este período marcou profundamente a minha abordagem científica e de investigação, reforçada mais tarde pela orientação da Professora Maria Fernanda Navarro nesta mesma área.

Mais tarde, destaca-se um dos nossos artigos mais citados [Moreira P, Padez C, Mourão-Carvalhal I, Rosado V. Maternal weight gain during pregnancy and overweight in Portuguese children. Int J Obes (Lond). 2007 Apr;31(4):608-14] que mostrou, pela primeira vez, a associação entre o ganho de peso gestacional excessivo (mais de 16 kg) e a obesidade infantil, e foi um dos quatro trabalhos principais que alicerçou em 2009, a revisão das diretrizes sobre o ganho de peso gestacional, pelo Institute of Medicine (IOM) dos EUA.

No domínio da Prevenção de Doenças Crónicas, temos explorado especialmente a relação entre ingestão alimentar, regulação do peso, obesidade-asma e alimentação ao longo do ciclo de vida. Tive o privilégio de colaborar com figuras fundamentais, dentro e fora do grupo de investigação no ISPUP (a nutrição deve tanto à  personalidade internacional gigante que é o Professor Henrique Barros - tive o privilégio de o ajudar a escrever a primeira folha A4 onde se afixaram as datas com as conferências das personalidades que foram convidadas para o Serviço de Higiene e Epidemiologia e, entre elas, o Dr. Emílio Peres para falar sobre as Fibras), como a Professora Maria Daniel Almeida, minha orientadora de doutoramento, Professora Isabel do Carmo, e o Professor Daniel Sampaio, meu orientador, integrando dimensões clínicas e psicossociais no ensino e na investigação.

A investigação na área das intervenções nutricionais e ensaios clínicos, apoiada pela experiência adquirida em projetos como o iMC SALT, MERIT, TASTE e intervenções na infância, permitiram introduzir no ensino elementos de desenho experimental, recrutamento, implementação de intervenções, avaliação de adesão e análise de resultados em saúde - aproximando os estudantes da prática real em investigação, e produzir patentes em produtos para monitorizar e controlar a ingestão de sal, que hoje geram exercício para eventual valorização tecnológica e futura integração no setor industrial.

A experiência em projetos globais de saúde e nutrição, em países muito distintos, como Moçambique e São Tomé e Príncipe, ou o Montenegro e os países do leste europeu, por vezes em colaboração com a Organização Mundial da Saúde, permitiu-me trazer para o ensino uma perspetiva global da nutrição, especialmente relevante nas áreas de doenças crónicas, desde o equilíbrio sódio-potássio, à prevenção da transmissão materno-infantil do VIH pelo reforço do estado nutricional. Mas, no plano comunitário, no Porto, a atuação em áreas emergentes também contribuiu para afirmar a importância do nutricionista que inaugurava algumas atividades. Na Câmara Municipal do Porto, por exemplo, coordenava atividades que lá realizámos no âmbito da alimentação escolar e tive a oportunidade de integrar o 1º júri do concurso internacional de fornecimento de refeições escolares; em investigação nossa recente mostrámos, por exemplo, que a qualidade nutricional e a diversidade alimentar do almoço nas mesmas escolas era frequentemente superior à do jantar, no domicílio. 

No âmbito pedagógico, a conclusão das Provas de Aptidão Pedagógica e Capacidade Científica (1994), sob orientação do Dr. Emílio Peres, consolidou a minha dedicação à inovação educativa. Desde então, desenvolvemos práticas de ensino ativo, incluindo abordagens pioneiras de blended-learning, reconhecidas pela Universidade do Porto em 2004 e, novamente, em 2024, com o Prémio de “Prática Pedagógica Inovadora”.

A atividade crítica como Editor Académico de revistas científicas internacionais de 1º quartil, também tem ajudado bastante a afinar o olhar crítico, a aprofundar critérios de qualidade e a compreender melhor os desafios contemporâneos da produção científica.

Há conhecimentos que se transmitiam antes e que hoje estão ultrapassados? E outros que ganharam maior relevância?

Muita coisa mudou, como as ferramentas de investigação, a metodologia básica e aplicada, incluindo a de análise estatística, e assim percebemos agora que havia pressupostos errados, fenómenos que desconhecíamos, e aprendeu-se a fazer melhor. Na nossa área de interesse, por exemplo, a propósito do sódio, ainda no momento, se apresenta uma confusão considerável sobre o seu papel nas diferentes formas de doença do cérebro e do sistema cardiovascular, por má metodologia de avaliação, e a discussão continua. Mesmo assim, continuamos a estudar a alimentação com base em pouco mais de 150 componentes nutricionais clássicos, quando os alimentos contêm mais de 26 mil moléculas distintas com impacto potencial na saúde. Para os novos estudantes, o futuro não poderia ser mais estimulante, com a possibilidade de mapear com machine learning e IA, e ter cada vez menos "dark matter" para entender a forma como comemos e o seu impacto na saúde e na doença.

Temos de juntar os avanços no conhecimento do alimentoma ("foodome"), a outros avanços, como os da genética e das ciências de interface, para explorar o potencial da personalização clínica e da intervenção em saúde pública, e olhar para a nutrição como um reservatório inesgotável de integração.

E, no olhar retrospetivo mais conceptual da nutrição, é evidente que existiam conhecimentos que, embora transmitidos durante anos, foram, entretanto, abandonados por se mostrarem ultrapassados; mas também há novas abordagens que precisam de maior relevância.

Um exemplo: os nutricionistas formados como eu, no antigo Curso Superior de Nutricionismo, foram moldados durante anos pela matriz conceptual que dominava - o "nutricionismo" (nutritionism, na designação de Gyorgy Scrinis). O nutricionismo estruturou políticas, orientou a comunicação, e influenciou a atuação e investigação em nutrição, e constitui um momento "normal" que assentava na crença de que a saúde, incluindo a prevenção de doenças crónicas, poderia ser compreendida sobretudo pelo olhar isolado dos nutrimentos. Assim, para a prevenção cardiovascular, discutia-se o colesterol e o limite de não ultrapassar 300 mg diários, por exemplo, sem enquadrar devidamente todo o padrão de alimentação, o balanço de substituições, as fontes alimentares, a matriz dos alimentos, e as suas quantidades. Este paradigma reducionista fragmentou os alimentos em componentes, desligando-os excessivamente dos contextos do padrão alimentar, e da própria experiência cultural, social e ambiental. Mas mais recentemente, o chamado "nutricionismo funcional" também tem sido questionado, nomeadamente por assentar na ilusão de uma precisão nutricional capaz de identificar alegados benefícios específicos, e fomentando por vezes um "nutricionismo funcional" que vai “para além da nutrição básica” e “dos nutrimentos tradicionais”. É, por isso, importante deslocar o foco do pensamento para um novo paradigma que se foque na alimentação como um todo e que enfrente a policrise do alimento (a "food polycrisis" é um conceito de Chris Barrett, economista do setor agrícola da Universidade de Cornell).

Para os desafios atuais e futuros da produção de conhecimento, com ameaças de fake science, fake news, alucinações de IA, num tempo em que a ciência enfrenta também riscos mais subtis - como conflitos de interesse mal geridos, vieses não reconhecidos e ligações perigosas que podem corroer a integridade científica se não forem tratadas com absoluta transparência e rigor - torna-se claro que, mais importante do que debitar conhecimento de publicações ultra-recentes, é cultivar o que permanece intemporal: conseguir inocular o pensar crítico numa matriz de integridade que permita aplicar conhecimento e resolver problemas, em qualquer circustância.

Que mudanças mais significativas observou ao longo dos anos (instituição, pessoas, ciência)?

Destacaria a profissionalização e maturidade crescentes, completamente alicerçadas na integridade e no rigor. De alguma forma, a Universidade do Porto liderou a formação universitária de nutricionistas na Península Ibérica, a instituição cresceu, internacionalizou-se, colocou nutricionistas espalhados pelo Mundo, em lugares de grande destaque, e projetou uma identidade robusta, em colaboração com as outras profissões na saúde, com prestígio decorrente da elevada qualidade técnica e científica, como se fosse uma marca.

Para a organização da profissão na Ordem, foi fundamental a FCNAUP, de onde saíram líderes para a Associação Portuguesa dos Nutricionistas que, por sua vez, estiveram na génese e na liderança da Ordem dos Nutricionistas.

Com a passagem à UO e com o nascimento e a relevância da investigação doutoral que produziu, a FCNAUP mudou a ciências, as pessoas, e a própria profissão. Para dar alguns exemplos a que estive mais diretamente ligado no trabalho doutoral, veja-se, por exemplo, a intervenção exponencial no desporto, na asma e na alergia alimentar, e o quanto a profissão e, por consequência, as pessoas, beneficiaram disso. O desafio agora é não perder essa potencialidade transformadora, tendo a FCNAUP um património humano passado e presente que lhe confere essa responsabilidade. Mas, diante dos atuais desafios, incluindo os de saúde mental, será necessário complementar esse desejo com o aprofundamento do estudo de quais políticas, apoios ou outros aspetos contribuirão para o necessário bem-estar de estudantes, docentes e funcionários.

Quais foram os momentos mais marcantes vividos aqui?

Três momentos de transformação:

  1. A Presidência da AEFCNAUP - toda a minha motivação maior veio da necessidade para junto do Reitor Alberto Amaral e da Direção da FCNAUP, colaborarmos e fazermos toda a pressão estudantil para aprovar a nova Licenciatura em Ciências da Nutrição (que iria substituir o bacharelato em Nutricionismo), e ver o nosso ano de curso a inaugurar o plano de licenciatura em Ciências da Nutrição, algo que felizmente conseguimos;
  2. A criação da Unidade Orgânica (UO) em Ciências da Nutrição - e lembro-me, do bilhete que tinha na mão, para Milão, para participar na reunião de coordenação da ajuda humanitária internacional na associação MAIS, algo que desejava muitíssimo, e faria pela mão do Dr. Emílio Peres, mas não embarquei para poder acompanhar a visita a todos os Presidentes dos Conselhos Executivos das UO da UP. Era uma altura em que muita gente punha de lado, ou adiava, as suas aspirações pessoais, em nome de um bem maior, a FCNAUP. E acompanhei a Professora Maria Daniel Almeida (nalguns momentos, também, a Professora Flora Correia) nessa visita que fizemos. Lembro-me bem da visita ao Professor Marques dos Santos, na altura Diretor da FEUP, ainda na R. dos Bragas, que viria a ser Vice-Reitor e, depois, Reitor da UP - alguém com quem me aconselhei já depois de se aposentar, para a melhor estratégia financeira a adotar para as novas (atuais) instalações da FCNAUP. Feita a explicação individual aos membros com representação no Senado (nós não estávamos pois éramos um Curso que dependia da Reitoria e não era uma UO como as restantes Faculdades), da importância de transformar o Curso para uma UO, no dia da votação da proposta em Senado, ficamos no exterior da Reitoria, onde é agora o ICBAS/FFUP, a ouvir o resultado da votação, que correu muito bem, como é sabido.Quem imaginaria que, em tão pouco tempo, éramos capazes de passar de lecionar uma licenciatura famosa que nos absorvia tanto, para a possibilidade, como UO, de ter alicerces de pessoal para engrenar os atuais 11 cursos de licenciatura, mestrado e doutoramento? Talvez uma das maiores homenagens ao sonho dos nossos Professores pioneiros. Ter uma Faculdade onde se respira de cima a baixo, não só "ciências da nutrição", mas "ciências da nutrição e alimentação" expandindo um compromisso renovado com a saúde pública, a clínica, e a alimentação coletiva, e um turbilhão académico de cursos que nos catapultam para a compreensão integrada do homem e do sistema alimentar, na sua comunicação cruzada, desde o alimento, aos mecanismos moleculares, tecnologia, saúde, justiça social, ambiente e sustentabilidade.
  3. Ser Diretor da FCNAUP - e, em particluar, todo o processo das novas instalações - foi uma epopeia digna de tempos pré-WhatsApp, feita de persistência, reuniões, negociações e uma resiliência silenciosa que se estendeu à ligação com os estudantes e com toda a comunidade da FCNAUP, ao longo de inúmeros pequenos momentos que, acumulados, criam a narrativa verdadeira da vida académica. Lembro-me, em especial de uma reunião ordinária entre Reitor e Diretores, num dia 6 de janeiro (data fácil de lembrar por ser o aniversário do meu pai), em que pedi para usar uma apresentação em PowerPoint - cheguei a dizer "podem estar descansados que não vou dar nenhuma aula" - para explicitar de forma inequívoca, os termos necessários para concretizar as nossas instalações. No final, enviei a todos, por escrito e para a ata, tudo o que tinha dito e nos dizia respeito, tal como se tinha passado, para memória futura. Recordo com profunda gratidão institucional as respostas amigas imediatas que recebi. Foi, no fundo, algo que conseguimos.

 

Como imagina o futuro da FCNAUP?

Imagino uma instituição mais internacional, mais interdisciplinar, mais crítica, mais interventiva fiel à sua raiz de rigor, serviço público e independência, incapaz de alinhar pelo politicamente conveniente, em homenagem a Emílio Peres: "Ter coragem para pôr a cabeça de fora, sabendo que se pode ficar sem ela".

 

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