Resumo (PT):
Como ponto de partida, a presente abordagem põe em evidência duas perspetivas, talvez, opostas, de
entender e potenciar o ensino da Geometria Descritiva: uma, através da 'geometria utilitarista' e,
outra, através da "geometria dialética".
Pretende-se com esta investigação, 'deambulante' entre as duas perspetivas apontadas (dois 'lugares'
conceptuais), enunciar uma 'porta de entrada' para refletir sobre a Educação contemporânea,
extravasando o campo da geometria (mas através dele), particularmente através de duas questões
essenciais: i) Que visão e/ou missão de Escola estão por detrás destas duas perspetivas? ii) Que
imagens de aluno e de professor são produzidas nestes dois modelos?
Trabalhando com o conceito de "emancipação intelectual" de Jacques Rancière (1987) e a ideia de que
"todos os alunos podem falar" de Gert Biesta (2010), a par da experiência de estágio realizado no
âmbito do MEAV, a minha posição, como professora, sofreu um deslocamento pela consciência
avivada de que o papel que pensava assumir, na realidade, estava longe de potenciar-se como uma
prática dita emancipatória.
O entendimento do 'ser falante' como um 'nativo-falante' e não um 'ser fabricado' abre um campo
conceptual a explorar, num plano de subjetividade. O (re)posicionamento do professor, que, em vez de
ator-observador passa a observador-ator, deixa cair o preconceito do ator ignorar o papel a
representar. Estes conceitos dialógicos inauguram fenómenos de consciencialização gerados no
interior do próprio processo de formação, cuja riqueza reside numa permanente instabilidade resultado
do privilégio que é dado ao grau de liberdade de atuação de cada um; ao valor do acaso na reavaliação
dos procedimentos; e, à descoberta autónoma de novos caminhos.
Language:
Portuguese
No. of pages:
101