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Memória U.Porto

Salão Nobre da Universidade do Porto - Galeria de Retratos


Pedro de Amorim Viana
Matemático, filósofo, professor e publicista

Retrato da autoria de J. Brito (1932)
Retrato de Pedro de Amorim Viana, pintado por J. Brito (1932) / Portrait of Pedro de Amorim Viana, painted by J. Brito (1932)

Biografia de Pedro de Amorim Viana (1822-1901)

Pedro de Amorim Viana nasceu no seio de uma família fidalga a 21 de dezembro de 1822, na rua do Caldeira (atual Fernandes Tomás), freguesia de Santa Catarina do Monte Sinai, em Lisboa. Foi o filho mais novo de João António de Amorim Viana e de Maria Felizarda O'Neill de Amorim. Batizado a 16 de abril de 1823, teve Pedro Rodrigues Bandeira por padrinho.

Com oito anos de idade ficou órfão de mãe e quando contava dez anos, faleceu-lhe o pai. Aos 16 anos terá ingressado no colégio D. Pedro de Alcântara, em Fontenay-aux-Roses, arredores de Paris. O colégio, fundado em 1838 por José da Silva Tavares, acolhia estudantes portugueses e brasileiros. A partir de um ofício do Ministère de l'Instruction Publique, datado de 1841, é possível saber-se que o Conseil Royal de l'Instruction Publique autorizou Pedro Amorim Viana a apresentar-se ao exame "baccalauréat ès Lettres". Aprovado, matriculou-se no ano seguinte na Universidade de Coimbra, no 1.º Ano Matemático, na classe de Ordinário, e no 1.º Ano Filosófico.

Uma vez concluída a formação académica em 1848, Amorim Viana regeu a cadeira de Lógica no Liceu Nacional de Lisboa e integrou o corpo docente da Academia Politécnica do Porto. Em 1850 apresentou-se ao concurso aberto para o provimento de dois lugares de lente substituto na secção de Matemática da Academia Politécnica juntamente com Gustavo Adolfo Gonçalves e Sousa. A partir de então, Amorim Viana fixou-se no Porto, onde passou a residir.
Em finais de 1850 foi proposto pelo Conselho Superior de Instrução Pública para lecionar a 4.ª cadeira – Filosofia Racional e Moral e Princípios de Direito Natural, da Secção Ocidental do Liceu Nacional de Lisboa. Tomou posse em janeiro de 1851.
Pelo decreto 6 de março, carta régia e apostilha de 9 de junho de 1851, Amorim Viana foi nomeado lente substituto da Secção de Matemática (1.ª, 2.ª, 3.ª e 5.ª cadeiras) da Academia Politécnica do Porto, passando a residir na rua Chã. Tomou posse do lugar em 21 de junho desse ano. Em Outubro, ofereceu-se para substituir Vitorino Damásio na regência da cadeira de Geometria Descritiva e, em 1852, quando este viajou para a ilha da Madeira por motivos de saúde, Pedro Amorim Viana assumiu, também, a docência de Mecânica. Em 1858 foi promovido a lente proprietário da 2.ª cadeira - "Cálculo diferencial, integral, das diferenças e das variações ou Cálculo Diferencial e Integral; Geometria Descritiva, 2.ª parte", que lecionou até 1869 (nomeado pelo decreto de 9 de novembro de 1858 e carta régia de 6 de junho de 1859, tomou posse a 1 de agosto desse ano).

Caraterísticas de personalidade não lhe granjearam simpatias na sociedade do tempo. Valeram-lhe, antes, sérios dissabores no meio académico, chegando a ser suspenso da Academia Politécnica durante vários meses. Foi por esta ocasião que publicou o folheto "Análise do Curso Elementar de Filosofia de A. Ribeiro da Costa e Almeida" (1864) e a sua grande obra filosófica "Defesa do Racionalismo ou Análise da Fé" (1866), a qual foi incluída no "Index Librorum Proibitorum" a 17 de dezembro desse ano. Em 1873 publicou a tradução das "Memórias de Madame Lafarge".

Quando regressou à Academia Politécnica do Porto, lecionou a 3.ª cadeira – "Geometria descritiva, mecânica racional; cinemática das máquinas" (entre 1869 e 1879). A 10 de agosto de 1876 já era lente proprietário da 2.ª cadeira, Secção de Matemática.

Em paralelo com a carreira de docente de Matemática, Amorim Viana afirmou-se como figura cimeira do pensamento especulativo português oitocentista. Foi o fundador do núcleo contemporâneo português de Filosofia e por muitos considerado o "primeiro filósofo nacional". Foi, também, um publicista fervoroso, autor de numerosos textos publicados nos mais diversos periódicos, em particular nos do Porto. Colaborou n'"A Península. Semanário Literário e Instrutivo" entre 1852 e 1853, que ajudara a fundar e onde assinou reflexões filosóficas, artigos de divulgação científica e de intervenção política. Colaborou também n' "O Clamor Público", no "Diário do Povo", n'"O Instituto. Jornal Científico e Literário", de Coimbra (no qual editou um primeiro trabalho matemático intitulado "Evolução em Série dos Co-senos e dos Senos dos Arcos Múltiplos", 1864), n'"O Nacional", n'"A Gazeta Democrática do Povo (Do Povo para o Povo)", n'"O Vimaranense", no "Jornal de Ciências Matemáticas e Astronómicas ", de Gomes Teixeira, n' "O Ensino. Jornal do Colégio Portuense. Dedicado aos pais", n'"A Renascença. Órgão dos Trabalhos da Geração Moderna" e no "Museu Ilustrado. Álbum Literário" da Sociedade Atena.

Pedro de Amorim Viana jubilou-se em 1883. Deste ano em diante, o excêntrico "Newton", como ficou conhecido nos meios académicos, recolheu-se junto da família, em Setúbal.
Faleceu a 25 de dezembro de 1901 no n.º 89 da rua da Estrela, em Lisboa. Foi sepultado no Cemitério dos Prazeres.

Universidade Digital / Gestão de Informação, 2012. Revisão científica de Jorge Fernandes Alves (FLUP)

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