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Memória U.Porto

Salão Nobre da Universidade do Porto - Galeria de Retratos


Adriano Machado
Magistrado, estadista, professor universitário, diretor da Academia Politécnica do Porto e reitor da Universidade de Coimbra

Retrato da autoria de João Marques de Oliveira (1899)
Retrato de Adriano Machado, pintado por João Marques de Oliveira (1899) / Portrait of Adriano Machado, painted by João Marques de Oliveira (1899)

Biografia de Adriano Machado (1829-1891)

Adriano de Abreu Cardoso Machado nasceu em Monção a 17 de julho de 1829. Filho de Rodrigo de Abreu Machado, proprietário de Negrelos, e de Maria Eufrásia de Abreu Cardoso Machado, era sobrinho de José Machado, 1.º barão de S. Tiago de Lordelo e reitor da Universidade de Coimbra (1850-1853).

Fez os primeiros estudos no Porto, bem como os preparativos para o ingresso na Universidade. Em 1844 matriculou-se na Faculdade de Direito de Coimbra. Durante o curso, frequentou algumas cadeiras de línguas no Liceu de Coimbra, nomeadamente Inglês, Alemão e Grego. Durante o encerramento da Universidade de Coimbra no ano letivo de 1846-1847, no contexto das convulsões políticas que nessa altura abalaram o país, aprofundou os seus estudos secundários, sobretudo de Alemão, no Colégio da Formiga. Em 1850, depois de concluída a formatura com distinção, frequentou o 6.º ano na Faculdade de Direito e as cadeiras de Física e de Química Mineral, na Faculdade de Filosofia.

Doutorou-se em Direito no dia 25 de maio de 1851 e em 1855 começou a lecionar na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Numa primeira fase, como substituto extraordinário (nomeação de 19 de maio de 1855 e tomada de posse em 29 do mesmo mês), mais tarde como substituto ordinário (nomeação de 22 de agosto e posse em 1 de outubro), até março de 1858. Em janeiro de 1857 foi nomeado Juiz de Direito Substituto.
Após a criação da cadeira de Economia Política e Princípios de Direito Administrativo e Comercial na Academia Politécnica do Porto pela lei de 15 de julho de 1857, Adriano Machado concorreu à regência desta disciplina em abril do ano seguinte, juntamente com Arnaldo Gama, romancista histórico, Custódio José Vieira, advogado, o conselheiro José Luciano de Castro e António Ribeiro da Costa e Almeida. Neste concurso, a Adriano Machado e José de Castro saiu um ponto sobre a Utilidade dos Arvoredos, regulamentos que existem ou devem existir acerca da sua plantação, da sua conservação e do seu corte. A cedência de uma obra sobre o tema ao seu oponente no concurso esteve na origem de uma duradoura relação de amizade. Classificado em primeiro lugar, Adriano Machado foi nomeado em 17 de julho de 1858, recebeu carta régia a 1 de setembro e tomou posse da regência da disciplina no dia 1 de outubro do mesmo ano.

Em 1859 exerceu advocacia no Porto. Entre 1860-1862 fez parte, como vogal, do Conselho do Distrito do Porto e em 1862 foi eleito pelo Porto Procurador à Junta Geral do Distrito. Em Abril de 1864 foi nomeado membro da comissão responsável pela fiscalização do Recenseamento Geral da População (realizado a dezembro do ano anterior).
Em 1864 representou o concelho de Vila Nova de Gaia na Junta Geral do Distrito, o que motivou a redação do relatório "Consulta da Junta Geral do distrito do Porto, em 1864". Este documento, que exortava o encerramento das rodas dos expostos, tornou-se célebre e mereceu o elogio do romancista Camilo Castelo Branco. Por essa altura foi nomeado reitor do Liceu e Comissário dos Estudos do Distrito do Porto.
Adriano Machado foi indigitado Diretor-Geral de Instrução Pública em fevereiro de 1865. No desempenho deste cargo lutou contra a concessão exclusiva de privilégios aos estabelecimentos científicos de Lisboa. A título de exemplo registe-se que conseguiu que os alunos da Academia Portuense de Belas Artes auferissem de bolsas de estudo no estrangeiro para aperfeiçoamento dos seus conhecimentos técnicos e artísticos – até então, estas bolsas apenas eram atribuídas aos alunos da capital. O primeiro estudante de artes a beneficiar do pensionato estatal na academia portuense foi o escultor Soares dos Reis, que prosseguiu os estudos em Roma e Paris.

Nos anos seguintes, Adriano Machado foi agraciado com o título de comendador da Ordem de Nossa Senhora de Vila Viçosa (1867) e assumiu a direção da Academia Politécnica do Porto. Foi nomeado pelo decreto de 8 de junho de 1869 e carta régia de 20 de fevereiro de 1876, tomando posse a 27 de setembro deste ano. Pediu a exoneração em 1881.
Foi eleito deputado por Penafiel entre 1870-71 e 1871-74 e, pelo Porto, em 1879 e 1880-81. Ocupou o lugar de Secretário da Câmara dos Deputados entre outubro e dezembro de 1870, a pasta da Justiça entre 1879 e 1881, regressando à docência na Academia Politécnica em 1881.

Em 1882, Adriano Machado interrompeu a sua vida profissional e retirou-se para a sua Quinta em Marecos, Santo Tirso. Em 1885 regressou, porém, à vida académica, representando a Academia Politécnica do Porto no Conselho Superior de Instrução Pública. Neste mesmo ano foi eleito Par do Reino.

Embora jubilado desde 30 de outubro de 1885, em 1886 foi nomeado reitor da Universidade de Coimbra. Durante o seu mandato (1886-1890), Adriano Machado lidou com a greve dos estudantes das faculdades de Matemática e de Filosofia e a contenda entre a Faculdade de Teologia e o Bispo-Conde de Coimbra, D. Manuel Correia de Bastos Pina, a qual disse respeito a um decreto da Sagrada Congregação do Index (1887). Enquanto reitor, a Academia Dramática, renomeada Associação Académica de Coimbra, recebeu novos estatutos em 1887.
Para além de orador, Adriano Machado distinguiu-se igualmente como colaborador do periódico portuense "Diário Progressista", órgão oficial do Partido Progressista que contribuíra para formar.

Em 1888, Adriano Machado foi eleito Par Vitalício do Reino e agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Coroa do Carvalho concedida pelo rei da Holanda, e com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo. Desde 1867 que Adriano Machado era, também, comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Em janeiro de 1890 foi nomeado Procurador-Geral da Coroa mas, poucos meses depois, em agosto, foi acometido pela febre tifoide. Já no Porto, sofreu de uma peritonite tuberculosa.

Adriano Machado faleceu no Porto a 25 de maio de 1891 e foi a sepultar no jazigo de família, no cemitério da Ordem da Lapa. No funeral estiveram presentes representantes da Câmara dos Pares e da Câmara dos Deputados, da Academia Politécnica do Porto e da Universidade de Coimbra. O Presidente da Câmara do Porto e o Reitor da Universidade de Coimbra fizeram o elogio fúnebre.

Universidade Digital / Gestão de Informação, 2012. Revisão científica de Jorge Fernandes Alves (FLUP)

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