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Memória U.Porto

Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto

António Quadros

Fotografia de António Quadros António Quadros
1933-1994
Pintor, escritor e professor



Prato de António Quadros de 1959António Augusto de Melo Lucena e Quadros nasceu a 9 de Julho de 1933, em Santiago de Besteiros, Tondela, no seio de uma família de proprietários rurais.

A infância e uma boa parte da adolescência foram passadas na terra natal, que deixou para estudar Pintura. Frequentou a Escola de Belas-Artes de Lisboa, de onde se transferiu, em 1952, para a Escola de Belas Artes do Porto. Licenciou-se nesta Escola em 1961, com a defesa da tese "Óleo Sobre Tela de Serapilheira", tendo sido convidado a aí lecionar.

Foi no Porto que, durante os anos cinquenta, António Quadros ganhou fama de pintor inovador e de professor competente. Expôs na ESBAP, onde distribuiu "O Manifesto de Pintura" (1958); e estudou Gravura e Pintura a Fresco na Escola de Belas-Artes de Paris, para o que teve o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian (1958/1959).

Fotografia de Rosa RamalhoNa sua vertente de pintor, produziu uma obra influenciada por artistas europeus, como Marc Chagall (1887-1985) e Pablo Picasso (1881-1973) e pelos pintores mexicanos e surrealistas latino-americanos. Nessa obra encontram-se referências ao imaginário rural e à olaria de Barcelos. Aliás, foi Quadros quem descobriu a lendária barrista minhota, Rosa Ramalho (1888-1977).

Expôs de forma individual no Porto, em Lisboa e em Lourenço Marques e associou-se a mostras coletivas de arte, em Portugal (Lisboa, Porto e Viseu) e no estrangeiro, tendo participado, por exemplo, na I Bienal de Paris (1959), na V e VII bienais de S. Paulo, no Brasil, e em exposições em Itália (Roma, Lugano e Génova), na África do Sul (Pretória e Durban), em Espanha (Madrid e Barcelona) e na capital francesa.

Cabra, Névoa e Ofício, tela de António Quadros de 1972Está representado na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, no Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto, no Museu de Pretória, África do Sul, e em coleções particulares, portuguesas e internacionais. António Quadros alcançou várias distinções, entre as quais o Prémio da Crítica, da I Bienal de Paris (1969) e o Grande Prémio da Fundação Calouste Gulbenkian, de 1958/1959.

Nos anos 60, o artista fixou-se em Moçambique, país onde veio a lecionar (na Escola Técnica de Lourenço Marques e na Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo), a fazer Teatro, a desenhar arquitetura, a viajar, a escrever e, ainda, a fundar, com Rui Knopfli (1932-1997), os cadernos de poesia "Caliban" (1971-1972).

A Arca, obra de João Pedro Grabato DiasNesta nova fase da sua vida criou três heterónimos literários: um poeta contemporâneo, de nome João Pedro Grabato Dias, autor de "40 e Tal Sonetos de Amor e Circunstância e Uma Canção Desesperada" (1970), "A Arca – Ode Didáctica na Primeira Pessoa. Tradução do Sânscrito Ptolomaico e Versão Contida do Autor" (1971), "Meditação", "21 Laurentinas e Dois Fabulírios Falhados" (1971), "Facto/Fado. Pequeno Tratado de Morfologia. Parte VII" (1985) e "Sete Contos para um Carnaval" (1992); um trovador quinhentista, Ioannes Garabatus, escritor de poesia satírica e anti-epopeica, responsável por "As Quybyrycas. Poemas éthyco em outavas, que corre sendo de Luís Vaaz de Camões em Suspeitíssima Atribuiçon" (1972); e, finalmente, um guerrilheiro morto em combate, Mutimati Barnabé João, junto do qual se encontrou o livro de poemas "Eu, O Povo" (1975), uma obra transformada em canção por Zeca Afonso.

No início da década de oitenta do século XX, António Quadros regressou a Portugal e retomou a docência na ESBAP e na Unidade Pedagógica de Viseu, assim como a pintura. Dedicou-se, também, à produção de cerâmica e à investigação em Arquitetura.

Porém, o continente africano continuou a exercer sobre ele um grande fascínio e, antes de falecer, voltou a África para lecionar arquitetura na Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique, para participar num programa de artesanato, em Cabo Verde e num projeto de Apicultura, na Guiné-Bissau.

Pintor MalangatanaEste invulgar pintor e escritor, que também desenvolveu atividades como arquiteto, urbanista, apicultor, cenógrafo e letrista e se interessou por etnografia e arte africanas, dando a conhecer o pintor moçambicano Malangatana Valente Ngwenya (1936-), morreu na sua casa de Santiago de Besteiros a 2 de Junho de 1994.
(Universidade Digital / Gestão de Informação, 2010)

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Última actualização: 2016-06-29 Página gerada em: 2017-07-28 às 07:49:54