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Memória U.Porto

Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto

Alberto da Silva e Sousa

Fotografia de Alberto da Silva e Sousa / Photo of Alberto da Silva e Sousa Alberto da Silva e Sousa
1892-1968
Médico, anatomista, professor universitário e artista



Alberto da Silva e Sousa (Porto), filho de José António da Silva e Sousa e de Júlia Cândida Pereira da Silva, nasceu na paróquia portuense do Bonfim, a 27 de maio de 1892, no seio de uma família aristocrática e artística.

O seu talento para o desenho foi reconhecido logo na infância, através de minuciosos retratos da família, e mais tarde encorajado pelos artistas e professores Joaquim Vitorino Ribeiro (1849-1928) e João Marques de Oliveira (1853-1927), que, respetivamente, lhe incutiram o respeito pelo rigor anatómico e técnico e lhe apresentaram a estética impressionista.

Além do desenho, Alberto também se dedicou à música, disciplina que estudou com Moreira de Sá (1853-1924), Luiz Costa (1879-1960) e Raymundo de Macedo (1880-1956), e à gravura, que aprendeu com o tio Armando Pereira da Silva.

Em 1914, depois de concluídos os estudos secundários no Liceu D. Manuel II (atual Escola Secundária Rodrigues de Freitas), fez o curso P. C. N. (preparatório para o curso de Medicina) na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), associando-se desde então ao Orfeão Académico do Porto (atual Orfeão Universitário do Porto). Em 1915 iniciou os estudos na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), interrompidos pela entrada de Portugal na I Guerra Mundial.

Capa da Tese de doutoramento de Alberto da Silva e Sousa de 1921 / Cover of Alberto da Silva e Sousa's doctoral thesis from 1921O regresso à FMUP aconteceu em 1918, depois de integrar o Corpo Expedicionário Português. Nessa Faculdade foi nomeado 2.º assistente de Anatomia, em 1919, cargo que exerceu até 1925. Em 1921 defendeu, enquanto preparador de Anatomia, a tese de doutoramento - "Três Casos de Baços Supranumerários", classificada com 16 valores, que lhe permitiu inscrever-se na Ordem dos Médicos (nº 3122/P) e aceder à prática profissional. Em 1926 tornou-se assistente desenhador de Anatomia Artística, 2.ª classe. Nesta Escola veio também a desempenhar o cargo de assistente livre da cadeira de Anatomia e de diretor do Laboratório de Modelação Anatómica e Desenho Anatómico e Artístico (a partir de 1932).

Entre 1931 e 1932, por intercessão dos Professores Joaquim Alberto Pires de Lima (1877-1951) e Hernâni Bastos Monteiro (1891-1963), que lhe possibilitaram produzir ilustrações científicas pioneiras e transformadoras da pedagogia médica, obteve uma bolsa da Junta de Educação Nacional para desenvolver estudos técnicos na área da modelagem anatómica, em França, em Inglaterra, na Bélgica e nos Países Baixos. Nesse período fortaleceu a sua experiência na área da Anatomia, com Henri Meige (1866-1940) e Sir Arthur Keith (1866-1955), desenvolveu moldagens em cera e borracha, aprofundou a interseção entre a Arte e a Anatomia e explorou a fotografia como instrumento para a documentação anatómica, tendo, nomeadamente estudado e/ou trabalhado no Museu de Etnografia e Estudos Coloniais (Bordeaux); no Museu de Anatomia Artística, na École des Hautes Études, no Museu de História Natural, no Museu Broca, na L’École du Louvre et Trocadéro (Paris) e no Royal College of Surgeons, na University College e no King’s College (Londres). Numa extensão da bolsa, especializou-se ainda na moldagem dermatológica, no Hôpital Saint-Louis, e proferiu uma palestra no Museu de História Natural de Paris, intitulada "Le Progrès de l’Anatomie Comparée au Portugal", depois publicada no Bulletin des Sciences Naturelles (1932).

Além de trabalhar na Faculdade de Medicina foi também um reputado professor do ensino secundário e técnico (professor provisório de Desenho e Ciências Naturais, entre 1922 e 1926, no Liceu Rodrigues de Freitas; professor provisório de Desenho de Flora e Fauna Decorativa e Pintura Decorativa, de 1926 a 1930, e depois de Desenho e Pintura Decorativa de 1939 a 1948, na Escola Industrial de Faria Guimarães; e professor provisório de Desenho e Pintura Decorativa na Escola Industrial "Infante D. Henrique", entre 1939-1945) que obteve, em 1941, o em 2.º lugar, no grupo de "Muito Bom", na classificação geral dos professores provisórios do 4.º Grupo (especializado em Desenho Geral e Ornamental) da Direção-Geral do Ensino Técnico e Elementar.

Carta de Curso da EBAP de Alberto da Silva e Sousa de 23 de setembro de 1940 / EBAP Course Diploma from Alberto da Silva e Sousa dated September 23, 1940Complementarmente à sua formação em Medicina, Alberto da Silva e Sousa também desenvolveu estudos artísticos na Escola Superior de Belas Artes do Porto (ESBAP). No ano letivo de 1924-1925 inscreveu-se no Curso Preparatório para fazer os exames das disciplinas de desenho, e, em 1935, retomou os estudos, primeiro no Curso Especial e depois no Curso Superior Pintura. Com base na sua experiência profissional, apresentou um requerimento ao diretor da instituição escolar, pedindo dispensa na frequência e exame da 12.ª disciplina (Anatomia Artística) e em 1940 concluiu, por fim, o Curso de Pintura com a classificação de 16 valores, atestada por um certificado assinado por Aarão de Lacerda (1890-1947), com a prova final "Saudando o Chefe", uma pintura que incorporava figuras da Mocidade Portuguesa.

Em 1945, candidatou-se, com Gaspar Augusto de Melo Pestana, ao lugar de professor da 12.ª disciplina (Anatomia Artística), num processo polémico e politizado, mas que acabou por lhe ser favorável. O concurso, realizado em julho de 1948, incluía uma prova escrita, uma aula arguida pelos professores Hernâni Monteiro e Dordio Gomes (1890-1976) e a defesa pública da tese. "A Psico-Fiso-Morfologia da Mão: Ensaio Analítico". O candidato foi aprovado pela portaria de 13 de outubro de 1948 e definitivamente nomeado em 1951. Em 1953 assumiu, temporariamente, a 10.ª cadeira – Arqueologia Artística.

Nos anos 50, participou em iniciativas que reforçaram a colaboração entre as Escolas Superiores de Belas Artes do Porto e de Lisboa e a Academia de Música e Belas Artes da Madeira, e na reunião do Conselho Escolar da ESBAP de 1959, que contribuiu para a modernização do ensino artístico em Portugal. Enquanto professor de Belas Artes, o seu legado pedagógico perdurou em discípulos como José Dominguez Alvarez (1906-1942), Augusto Gomes (1910-1976), Laura Costa (1910-1993) ou Guilherme Camarinha (1912-1994), que integraram a Anatomia Artística nas suas obras. Em 1962 (27 de maio) a ESBAP organizou-lhe uma homenagem por ocasião da sua jubilação, que culminou numa exposição das suas obras, inaugurada a 11 de junho desse ano.

A sua carreira desde cedo ganhou notoriedade nacional e internacional. Alberto Sousa participou no Salão dos Humanistas (1924), na Grande Exposição de Artistas Portugueses (Porto, 1935), na Exposição Artística e Bibliográfica de Autores Médicos (Lisboa, 1947) e expôs, a título individual, no Salão Silva Porto, no Porto, em 1934 e em 1942, e no Salão Médico, na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (1935) e integrou ainda a 2.ª Missão Estética de Férias (Guimarães, 1938). Recebeu, ente outros prémios o Diploma de Honra da Exposição Colonial e Internacional de Paris (1931), na secção de Síntese, com trabalhos em cera corada e pintura em cera corada; o Diploma de Honra e Menção Honrosa (Arte Colonial) da Exposição Colonial e Internacional de Paris (1931); 1.º e 3.º prémios (pontas secas e águas-fortes), com figuras regionalistas e marinhas, no Concurso Internacional de Gravadores de Londres (1932); 1.º prémio – Desenhos e gravura, e Diploma de Honra na Exposição de Arte Colonial da I Exposição Colonial Portuguesa (Porto, 1934). Nos anos 40 e 50 participou no Congresso de Zoologia em Lisboa (1943) e no Congresso de Oftalmologia (Porto, 1947), num concurso europeu, recebeu o troféu de bronze de "artista mais completo" e um prémio honorário e diploma, que celebraram a sua original abordagem interdisciplinar (1950) e em um diploma de honra no Concurso Internacional de Médicos-Artistas (1951).

Foi autor de um Tratado de Anatomia Artística Comprada, de ensaios como "O Paradoxo da Forma e do Conteúdo" (1948), de artigos em periódicos como "Gazeta Musical" e "Jornal Médico", publicação em que foi redator artístico, bem como da revista de assuntos portuenses "O Tripeiro"; e de um retrato a óleo do anatomista belga quinhentista Andreas Vesalius (1514-1564). Era membro da Sociedade Anatómica Portuguesa, da Societé des Anatomistes e da Sociedade Nacional de Belas Artes.

Alberto da Silva e Sousa, que usava o topónimo Porto no final do seu nome, para se distinguir de Alberto Augusto de Sousa, aguarelista e ilustrador lisboeta seu contemporâneo, morreu no Porto a 30 de setembro de 1968. Era casado com D. Alzira de Jesus Barbosa da Silva e Sousa, cantora lírica formada no Conservatório de Paris, e pai de Alberto, que se especializou em desenho técnico, de António, que se dedicou à Mecânica, e de Hélia Alzira, que foi sua discípula.

Esta figura ímpar da História da Medicina e da Cultura portuguesas do século XX está representada no Museu Nacional Soares dos Reis e no Museu de História da Medicina Maximiano Lemos e no Museu de Anatomia da FMUP.
(Reitoria da U.Porto / Unidade de Cultura, 2025)

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