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Memória U.Porto

Docentes e Estudantes da Academia Real de Marinha e Comércio da Cidade do Porto

Francisco de Assis e Sousa Vaz

Inexistência de fotografia Francisco de Assis e Sousa Vaz
1797-1870
Médico, professor e escritor



Francisco de Assis e Sousa Vaz, filho de Francisco António de Sousa Vaz e de Ana dos Anjos Sousa Vaz, nasceu no Porto a 7 de agosto de 1797, na rua da Ferraria de Cima (atual rua dos Caldeireiros).

Realizou os preparatórios para o curso Cirúrgico do Hospital Real de Santo António, no Porto, sob orientação de Frei Manuel Cândido, amigo próximo da família.
A 13 de dezembro de 1808 matriculou-se no curso de Sangria desse hospital. Em 1810 fez exame de latim e francês na Academia Real de Marinha e Comércio da Cidade do Porto (3 de julho) e inscreveu-se na Aula de Anatomia (22 de agosto).
Em 1814 realizou os exames de Sangria e de Cirurgia perante o Delegado do Cirurgião-mor do Reino, Joaquim José Rodrigues, obtendo as cartas de Sangrador e Cirurgião a 16 de março de 1815.
Entre 1816 e 1820 cursou Filosofia Racional, Inglês e Matemática na mesma Academia.

A 26 de abril de 1816 foi nomeado examinador de Cirurgia, tendo tomado posse a 28 de agosto do mesmo ano. Em 1819 e 1821 tomou posse como mestre de Sangria e de segundo Cirurgião, respetivamente, no Hospital Real. Exerceu funções como cirurgião da Roda dos Expostos durante 49 anos, entre 1821 e 1870.
Com a criação da Real Escola de Cirurgia do Porto, em 1825, foi designado lente substituto da cadeira de Patologia Externa, Terapêutica e Clínica Cirúrgica e 1.º secretário desta Escola, funções que exerceu entre 1825 e 1828.

Naquele ano foi obrigado a emigrar, como muitos outros defensores da causa liberal. Chegou a Londres a 18 de julho e daí partiu para Paris, em 1829. Durante a sua estadia na capital francesa (1829-1834) obteve o grau de Doutor em Medicina na Faculdade de Medicina de Paris (1832), com a apresentação da tese De l’influence salutaire du climat de Madère (íle portugaise) dans le traitment de la phtisie pulmonaire, et de la supériorité de cette influence sur celle des climats du sud de la France et de Italie. Na Comuna de Neuilly integrou a comissão permanente de salubridade para tratamento dos doentes de cólera-morbus.

Regressou a Portugal a 21 de janeiro de 1834, data em que aportou em Lisboa. Da capital seguiu para o Porto, cidade onde fez um percurso brilhante como académico e no domínio assistencial.
Foi-lhe atribuída a regência da cadeira de Patologia Interna e Clínica Médica por decreto de 5 de Setembro de 1834 e na sequência do falecimento de Bernardo Campeão. Retomou as funções de secretário escolar entre 1834 e 1838 na Real Escola de Cirurgia do Porto (Escola Médico-Cirúrgica do Porto a partir de 1836).

5 liras de 1844 / 5 liras of 1844Pelo decreto de 6 de fevereiro de 1838 foi indigitado lente proprietário da 7.ª cadeira do 5.º ano - História Médica, Patologia Geral, Patologia e Terapêutica Internas - da Escola Médico-Cirúrgica do Porto.
Em 1849, juntamente com António Fortunato Martins da Cruz, acompanhou a doença de Carlos Alberto de Sabóia-Carignano (1798-1849), que havia sido rei da Sardenha e do Piemonte e passou na cidade do Porto os seus últimos dias de vida.
De 1851 a 1870 dirigiu a Escola Médico-Cirúrgica do Porto, apesar de se ter jubilado em 1854.

Assis Vaz escreveu numerosas obras sobre Saúde Pública. A título de exemplo refiram-se A Relação Historica, statistica e medica da Cholera-Morbus em Paris (1833), Notícias sobre o estado actual da Casa da Roda (1834), Memória sobre a inconveniência dos enterros nas egrejas e utilidade da construção de cemitérios (1836), Reflexões à Camara Municipal da cidade do Porto acerca d’Expostos (1840), Da verificação dos óbitos (1844), Os Expostos – Hospicio do Porto (1848). Foi autor de uma memória, em francês, sobre a situação clínica de Carlos Alberto, que ofereceu ao rei Vítor Emanuel (1820-1878).
Traduziu as obras Algumas palavras acerca d’Expostos da autoria de Benoiston de Chateauneuf (1841) e Algumas considerações sobre expostos do Barão de Gerando (1843). A partir de 1855 publicou relatórios anuais dos serviços dos expostos.

Francisco de Assis e Sousa Vaz foi um dos promotores da Sociedade Literária Portuense (fundada em 1833), tendo publicado inúmeros trabalhos científicos nos Anais da Sociedade Literária Portuense. Nessa Sociedade proferiu o elogio histórico do seu colega e amigo António José de Sousa, na sessão extraordinária de 22 de fevereiro de 1838.
Era sócio correspondente da Sociedade Médica de Emulação de Paris (eleito em 1833), da Academia Real Médica de Turim (1849) e da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, membro do Conservatório Dramático (nomeação de 14 de julho de 1839), comendador da Ordem de Cristo e pertencia ao Conselho de Sua Majestade (1853).
Pelos cuidados prestados a Carlos Alberto, foi distinguido com o título de Médico Honorário de Vítor Emanuel (1851) e com a comenda da Ordem de S. Maurício (1864) e recebeu, a seu pedido, uma pena de escrever como recordação do paciente e amigo.

Morreu a 6 de abril de 1870.

Passados três anos, o médico José Frutuoso Aires de Gouveia publicou a Notícia biográfica do Conselheiro Francisco d’Assis e Sousa Vaz, a partir do elogio que proferiu na cerimónia inaugural do ano lectivo de 1872-1873 da Escola Médico-Cirúrgica do Porto.
Em sua memória, e cumprindo o seu desejo, a irmã e herdeira, D. Rita Assis Sousa Vaz, legou 60 contos de reis em testamento à Escola Médico-Cirúrgica do Porto para financiar um aluno em cada um dos anos do curso médico, pagar estudos “pós graduados” de dois em dois anos em Paris ou Montpellier ou uma viagem de estudo a um professor (a França, à Alemanha ou aos EUA), a realizar de oito em oito anos, para aprofundar conhecimentos nas áreas das Ciências Médicas.

A Câmara do Porto atribuiu o seu nome a um arruamento na freguesia de Paranhos, a rua de Assis Vaz.
(Universidade Digital / Gestão de Informação, 2013)

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