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Memória U.Porto

Edifício da Reitoria da U.Porto - Enquadramento: Lado Nascente

Nota Biográfica de D. António Ferreira Gomes (1906-1989)

Nasceu na freguesia de Milhundos, Penafiel, a 10 de Maio de 1906. Era o quarto dos nove filhos de Manuel Ferreira e Albina de Jesus, um casal de lavradores do lugar de Quintela.

Aos 10 anos de idade ingressou no Seminário por influência de um tio padre e cónego. Depois de concluídos os estudos filosóficos e teológicos na Universidade Gregoriana de Roma (1925-1928), foi ordenado presbítero na Torre da Marca. De seguida, foi apontado prefeito e diretor de disciplina no Seminário de Vilar e, em 1936, ascendeu ao cargo de Vice-reitor, com funções de Reitor, e foi feito cónego da Sé. No Seminário de Vilar ensinou Filosofia e manteve um bom relacionamento com o Bispo D. Agostinho de Jesus e Sousa.

Em 1948, foi indicado bispo e coadjutor de Portalegre. Após o falecimento de D. Domingos Frutuoso, ocorrido em 6 de Junho de 1949, ascendeu a bispo daquela diocese. Durante o tempo que passou aqui no Alentejo, D. António mostrou-se muito sensível aos problemas sociais dos habitantes.
Entre 1952 e 1958 foi bispo do Porto e enquanto liderou os destinos desta diocese concedeu especial atenção à miséria social que grassava na cidade e no país, reprovou o corporativismo estatal e reclamou a liberdade de expressão.

Na sequência da campanha do General Humberto Delgado à presidência da República escreveu a Pro memoria para uma conversa com Salazar. O texto gerou grande polémica quando chegou ao conhecimento público e acabou por levar D. António ao exílio.
O exílio durou 10 anos, passados em Espanha (Vigo, Santiago de Compostela, Valência, Ciudad Rodrigo e Salamanca), em França (Lourdes) e em Itália. Neste país, participou no Concílio do Vaticano II. Em 1969, por intervenção da ala liberal e dos padres da sua diocese, Marcelo Caetano autorizou o seu regresso a Portugal.

O reconhecimento público chegou, finalmente, na década de 1980, altura em que foi agraciado com a Grã-cruz da Ordem da Liberdade (1980) e homenageado na Assembleia da República (1982).

Nesse mesmo ano, a 2 de Maio, quando celebrava os 34 anos da sua ordenação sacerdotal, recolheu-se na Quinta da Mão Poderosa, casa da diocese do Porto, em Ermesinde, onde viveu os seus últimos anos, dedicando-se à escrita e à reflexão.
De acordo com o seu testamento, lavrado em 1977, instituiu-se a Fundação Spes, com fins beneméritos, educativos e culturais.

D. António deixou uma importante obra publicada, de que constituem as "Homilias de Paz (1970-1982)", "Pareceu ao Espírito Santo … E a nós?", "Reconciliação. Caminhos para a paz.", "“Escritos pastorais de Portalegre (1948-1952)" e "Igreja na vida pública: catolicismo português e historicidade".

Entre 10 de Maio de 2005 e 10 de Maio de 2006 comemorou-se o centenário do seu nascimento, uma iniciativa da Diocese do Porto e da Fundação SPES, em parceria com a Fundação Engenheiro António de Almeida e o Instituto Cultural D. António Ferreira Gomes, efeméride à qual se associou a Câmara Municipal do Porto.

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