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Memória U.Porto

Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto

José Joaquim Rodrigues de Freitas Júnior

Fotografia de José Joaquim Rodrigues de Freitas Júnior / Photo of José Joaquim Rodrigues de Freitas Júnior José Joaquim Rodrigues de Freitas Júnior
1840-1896
Engenheiro, professor, pedagogo, publicista, político, economista e filósofo



Fotografia de José Joaquim Rodrigues de Freitas Júnior / Photo of José Joaquim Rodrigues de Freitas JúniorJosé Joaquim Rodrigues de Freitas nasceu no Porto a 24 de janeiro de 1840.

Aluno brilhante, cedo revelou ser um "homem da imprensa", escrevendo os primeiros textos com 14 anos de idade. A partir dos 15 fez eco das suas preocupações sociais, educativas e económicas no trissemanário "Pedro Quinto" e associou-se de forma mais regular ao periódico democrático "Eco Popular", jornal diário publicado entre 1847 e 1860.
democrático "Eco Popular", jornal diário publicado entre 1847 e 1860. O pai, funcionário da Alfândega e ex-voluntário no Cerco do Porto (1832-1833), matriculou-o no Seminário Diocesano. Porém, José Rodrigues de Freitas já tinha escolhido para si um destino diferente. Com 15 anos de idade ingressou no curso de Engenheiro de Pontes e Estradas da Academia Politécnica do Porto. Corria o ano letivo de 1855-1856.

Depois de um percurso académico recheado de prémios e louvores, Rodrigues de Freitas obteve a Carta de Curso a 15 de julho de 1862 e encetou uma carreira de docente naquela Academia, não na sua área de especialidade, mas sim na de Economia.
Em 1864 foi provido lente-substituto da 11.ª e 12.ª cadeira (nomeado pelo decreto de 29 de dezembro de 1864 e carta régia de 6 de abril de 1865, tomando posse a 4 de janeiro deste ano), tornando-se, assim, o segundo ex-aluno da Academia Politécnica do Porto a integrar o seu corpo docente (o primeiro fora o engenheiro Gustavo Adolfo Gonçalves de Sousa, em 1851). Pelo Decreto de 15 de maio de 1867 e apostilla de 11 de junho de 1867, Rodrigues de Freitas passou à categoria de lente proprietário de Comércio, tomando posse do lugar a 16 de agosto desse ano. Foi já com esta categoria que, no dia 1 de outubro, proferiu o discurso de inauguração do ano letivo, chamando a atenção da Academia do Porto para a ligação entre Ciência e Virtude.

Rodrigues de Freitas desenvolveu diversas atividades paralelamente à vida académica. Estudou e divulgou teorias economicistas europeias, evoluindo do livre-cambismo para um liberalismo sensível aos problemas sociais. Colaborou com várias revistas, entre as quais "A América", dirigida por Mendes Leal, redigiu numerosos artigos e editou títulos, como "Revolução Social" (1872).

Rodrigues de Freitas foi, ainda, um aclamado publicista, para além de colaborador da imprensa nacional e brasileira. Integrou a redação d'"O Comércio do Porto", lugar que ocupou até ao fim da vida, tornando-se o mais importante editor deste diário nortenho. Colaborou também com outros periódicos, como com a "Correspondência de Portugal" (1862-1875). Foi autor de textos sobre temas históricos, pedagógicos, sociais, políticos e económicos.

Fotografia do Palácio de Cristal, Porto / Photography of Palácio de Cristal, in PortoRodrigues de Freitas participou de modo ativo na vida social do seu tempo. Com 25 anos, por exemplo, foi indigitado secretário da direção da Associação Comercial do Porto, tendo participado na comissão organizadora da Exposição Internacional de 1865, realizada no Palácio de Cristal. Subscreveu um dos manifestos que instituíram a União Patriótica na cidade do Porto e o Centro Eleitoral Portuense, movimentos que culminaram na Janeirinha, a 1 de fevereiro de 1868.

Destacou-se, igualmente, como orador e parlamentar de talento, tendo sido um personagem central do republicanismo evolucionista. Como deputado republicano, gozou da consideração e respeito dos pares. Como pedagogo, defendeu a divulgação e a modernização da Escola, sempre preocupado com a educação popular, em especial a das crianças e das mulheres.

Rodrigues de Freitas iniciou a sua carreira política em 1870, durante um período reformista, ao candidatar-se ao lugar de deputado pelo círculo n.º 4 (de Valença), tendo sido eleito com 1807 votos. Depois da dissolução da Câmara, a 3 de junho de 1871, concorreu a novas eleições pelo círculo n.º 13 (Porto, Bairro Oriental), alcançando 1686 votos. Em 1874, Rodrigues de Freitas declarou-se adepto da "fórmula republicana", e, embora sem sucesso, candidatou-se a deputado. Regressou aos jornais e à investigação.

Retrato de Oliveira Martins / Portrait of Oliveira MartinsNo ano seguinte publicou o ensaio "Crises Comerciais" na "Revista Ocidental", de Oliveira Martins; e em 1876 e 1877 publicou "Crise Monetária e Política de 1876 – Causas e Remédios" e "A Circulação fiduciária e a proposta de lei acerca do Banco de Portugal", respetivamente.

Em 1878 voltou às lides políticas. Concorreu às eleições como candidato do Centro Eleitoral Republicano Democrático do Porto, fundado em 1876.A 13 de outubro, Rodrigues de Freitas venceu as eleições pelo círculo n.º 39 (centro do Porto) com 2023 votos. Contava, então, com o apoio do Partido Progressista. Logo depois, a 23 de janeiro de 1879, prestou juramento como deputado. O mandato, porém, foi de pouca dura: a Câmara de Deputados foi dissolvida no mês de junho seguinte. Nas eleições subsequentes de 19 de outubro, Rodrigues de Freitas pôde renovar o seu mandato.
A época era de profunda instabilidade política. Em 1881 foi novamente dissolvida a Câmara de Deputados e no dia 3 de junho, Rodrigues de Freitas regressou à imprensa, ao ensino e ao ativismo cívico. Nesta altura fazia parte da Sociedade de Geografia do Porto, instituída em 1880, da qual era Vice-presidente. A Sociedade de Instrução do Porto era outra das organizações de que fazia parte.

Por essa altura, Rodrigues de Freitas publicou manuais de ensino, entre os quais se destaca a obra "Elementos de Escrituração Mercantil", livro onde condensou as lições académicas. Também colaborava na "Revista Científica", periódico de índole positivista, dirigida por Júlio de Matos, assim como em publicações como "O Ensino" (1877-78), "O Museu Ilustrado" (1878), a "Revista da Sociedade de Instrução do Porto" (1882-1883), o "Comércio e Indústria" (1880 a 1886). Os jornais republicanos do Porto e de outras cidades puderam contar com a sua colaboração regular. Periódicos como a "Discussão", a "Voz Pública", a "Folha Nova" e o "Jornal do Povo de Coimbra" publicaram textos da sua autoria, que hoje constituem uma fonte de informação privilegiada para o estudo daquela época.

Rodrigues de Freitas manteve, também, uma colaboração frequente com periódicos lisboetas, como o "Jornal do Comércio" e o "Século". Na "Revista de Portugal", de Eça de Queirós, editou o estudo "Um economista português – Oliveira Marreca" (1889). Nos anos 90 enviava artigos para a "Gazeta de Notícias", do Rio de Janeiro.

Capa do jornal O Século / Cover of the periodical O SéculoEm 1886 recusou ser deputado proclamado pelas Cortes por ter vagado um lugar na minoria. Três anos depois, na sequência da sua participação, em 1889, no combate dos comerciantes do Porto contra os privilégios que o Governo pretendia conceder à Companhia Vinícola (publicando artigos em jornais como "O Comércio do Porto", o "Jornal do Comércio" e "O Século"), candidatou-se uma vez mais a deputado, desta feita pelo círculo de Vila Nova de Gaia, obtendo 4067 votos. Mas este mandato também foi atribulado. Rodrigues de Freitas acabou por não tomar posse do lugar devido à queda do Governo a 20 de janeiro de 1890, na sequência da agitação política gerada em torno do Ultimato Inglês.

Rodrigues de Freitas sentia-se dececionado com a vida política e debilitado por problemas cardíacos. Participou discretamente na criação da Liga Patriótica do Norte e foi declarado um dos líderes do Levantamento de 31 de janeiro 1891, apesar de sempre defender a via evolucionista e não e a revolucionária. Viu-se forçado a demarcar-se publicamente desta revolta, sem todavia se furtar às responsabilidades que as autoridades lhe imputaram.

Fotografia do Liceu Rodrigues de Freitas, no Porto / Photo of the Rodrigues de Freitas school, in PortoApesar do desgaste e do cansaço, Rodrigues de Freitas candidatou-se às eleições legislativas de 1893, pelo círculo n.º 24, do Porto, tendo sido eleito embora ficando atrás de Veiga Beirão e de Oliveira Martins.

Pressentindo o fim, redigiu o seu testamento antes de partir para nova legislatura, a 14 de janeiro.
O "Freitinhas", como era tratado carinhosamente nos bancos da Academia e, mais tarde, pelos portuenses, faleceu com 56 anos de idade, às doze horas e vinte minutos do dia 28 de julho de 1896, na sua casa da Rua do Sol, no Porto. Foi sepultado no Cemitério do Prado do Repouso.

Rodrigues de Freitas deixou uma vasta obra. Mas, acima de tudo, deixou uma reputação. Após a morte deste intelectual e político respeitado, civicamente ativo e solidário, que granjeou fama de bondoso, ponderado e de ter fortes convicções, os amigos reuniram na obra "Páginas Avulsas", lançada em 1906, a maioria dos artigos que publicara em revistas portuguesas e brasileiras.
(Universidade Digital / Gestão de Informação, 2010)

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