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Memória U.Porto

Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto

António Ferreira da Silva

Fotografia de António Ferreira da Silva / Photo of António Ferreira da Silva António Ferreira da Silva
1853-1923
Químico e professor universitário

"Era um dos sábios portugueses mais conhecidos e relacionados com os homens de ciência e academias estrangeiras"
(José Pereira Salgado, 1937)



Fotografia do jovem António Ferreira da Silva / Photo of the young António Ferreira da SilvaAntónio Joaquim Ferreira da Silva nasceu a 28 de julho de 1853 numa cela do mosteiro beneditino de Cucujães, concelho de Oliveira de Azeméis, de cujas propriedades o pai era procurador. Foi o filho mais velho de António Joaquim Ferreira da Silva, natural de Santiago de Riba-Ul, e de D. Margarida Emília Ferreira da Silva (1828-1914), originária do lugar da Manta, no mesmo concelho. Era parente do casal de atores Alfredo Ferreira da Silva (1859-1923) e Virgínia (1850-1922) e de Rui Luís Gomes (1905-1984), matemático e primeiro reitor da U.Porto após a Revolução de 25 de abril de 1974.

Concluídos os estudos primários em 1865, António Ferreira da Silva foi viver para o Porto, onde frequentou o curso dos liceus. No ano letivo de 1870-1871 fez as cadeiras de Química e Zoologia na Academia Politécnica do Porto, disciplinas do Instituto Industrial e o 1.º ano Teológico do Seminário Episcopal. Depois de abandonados os estudos eclesiásticos, ingressou na Universidade de Coimbra (1871-1872) onde obteve o grau de bacharel em Filosofia Natural no ano de 1876. Mais tarde, doutorou-se em Ciências Físico-Químicas e em Farmácia pelas faculdades de Ciências e de Farmácia da Universidade do Porto, em 1918 e 1922, respetivamente.

Durante o seu percurso académico recebeu diversos prémios e accessits; destoou a classificação obtida na disciplina de Botânica, que gerou uma polémica jornalística conhecida como "A questão dos RR".

Foi no Porto que iniciou uma longa e bem-sucedida carreira de professor e cientista, após ter concorrido ao lugar de lente substituto da secção de Filosofia da Academia Politécnica do Porto com a apresentação da tese "Estudo sobre as Classificações Químicas dos Compostos Orgânicos" em 1877. Foi nomeado lente substituto da 7.ª, 8.ª, 9.ª e 10.ª cadeira por decreto de 24 de maio de 1877 e carta régia de 17 de julho do mesmo ano, tomando posse do lugar a 28 de maio. Promovido a lente proprietário da 8.ª cadeira por decreto de 20 de maio de 1880 e carta régia de 4 de novembro, Ferreira da Silva tomou posse a 18 de junho desse ano. A 19 de março de 1884 passou a assegurar a regência da 9.ª cadeira e a da 8.ª - Química orgânica e analítica - depois da reforma da Academia, por decreto de 23 de setembro de 1885. Entre 1902 e 1911, Ferreira da Silva lecionou a 4.ª cadeira da Escola de Farmácia do Porto – Química Legal e Sanitária. Em 1911, ano da fundação da Universidade do Porto, Ferreira da Silva foi nomeado professor ordinário do grupo de Química da Secção de Ciências Físico-Químicas, regendo os cursos de Química Orgânica, Analítica e preparatória para os cursos de Medicina. Foi, também, diretor da Faculdade de Ciências. A oração de sapiência que proferiu na cerimónia de abertura do ano letivo de 1911-12 subordinou-se ao tema "A importância e dignidade da Ciência.".

Ferreira da Silva foi Vice-reitor da Universidade do Porto entre 16 de fevereiro de 1918 e 29 de outubro de 1921. Praticamente em simultâneo, lecionou a cadeira de Toxicologia nas faculdades de Medicina e de Farmácia da Universidade do Porto entre o ano letivo de 1918-19 e 1922-23.

Em 1880, António Ferreira da Silva foi encarregado pela Câmara Municipal do Porto de analisar as águas do rio Sousa, trabalho que resultou na publicação do relatório "As águas do rio Sousa e os mananciais das fontes do Porto" em 1881 e que esteve na origem de uma polémica que levou Ferreira da Silva a escrever o opúsculo "Réplicas aos meus críticos".

Em 1882, Ferreira da Silva foi convidado a instalar o Laboratório Municipal de Química, projeto da Câmara Municipal do Porto com data de 1881, integrado no "Plano de melhoramentos da cidade" e inspirado no Laboratório Municipal de Paris. Nomeado diretor do Laboratório a 10 de janeiro de 1883, foi aqui que Ferreira da Silva realizou os seus grandes trabalhos de Química - entre 1884 (data da abertura ao público do laboratório) e 1907 (data do seu encerramento). Em 1905, Ferreira da Silva fundou a "Revista de Química pura e aplicada" com Alberto Aguiar e José Pereira Salgado, que mais tarde veio a ser o boletim da Sociedade de Química Portuguesa (convertida na Sociedade Portuguesa de Química e Física em 1926), instituição à qual também se associou.

Fotografia de António Ferreira da Silva aos 32 anos de idade / Photo of António Ferreira da Silva (32 years old)A excelência do seu trabalho científico foi reconhecida dentro e fora de portas e teve resultados práticos de grande alcance. O domínio que deteve da Toxicologia foi decisivo para a condenação, em 1890, de Vicente Urbino de Freitas (1849-1913), médico e lente da Escola Médico-Cirúrgica do Porto que protagonizou o mediático "Crime da Rua da Flores", acusado de envenenar com alcaloides diversos membros da família da sua mulher.

De igual modo como especialista, Ferreira da Silva participou na polémica levantada pelo Laboratório de Análises do Rio de Janeiro que, em 1894, deu os vinhos portugueses como salicilados. Presidiu à Comissão de Estudo e Unificação dos Métodos de Análise dos Vinhos, Azeites e Vinagres (1895-1902) e à entidade que a sucedeu, a Comissão Técnica dos Métodos Químico-analíticos, entre 1904 e 1913 e 1918 e 1923. É desta época a sua obra "Análise dos vinhos elementares e autênticos da circunscrição do Norte de Portugal".

Em simultâneo, interessou-se por questões de higiene na cidade do Porto, que o levaram a escrever a "Contribuição para a higiene da Cidade do Porto" (1889).
Nesse ano foi nomeado Químico-analista e membro do Conselho Médico-legal da 2.ª Circunscrição do Porto e, depois da reforma dos serviços, professor de Toxicologia Forense do Curso Superior de Medicina Legal do Porto. Ferreira da Silva foi, ainda, diretor dos serviços de investigação da "pureza química e do poder iluminante do Gás de iluminação" da Câmara Municipal do Porto.

Em 1900, Ferreira da Silva foi novamente envolvido na polémica levantada pelo Laboratório de Análises do Rio de Janeiro. Analisou as amostras de vinho recebidas e concluiu que o ácido salicílico que elas continham se devia à localização geográfica das vinhas. Os resultados das análises foram comunicados à Sociedade de Química de França e à Academia de Ciências de Paris e publicados em diversas notas e opúsculos. Por este serviço prestado, Ferreira da Silva foi agraciado com o título de Conselheiro de Sua Majestade e de sócio honorário da Associação Comercial do Porto e da Associação Central de Agricultura Portuguesa.
Por essa altura, foi convidado pelo Fomento Comercial dos Produtos Agrícolas para avaliar o vinho do Porto, produto que estava a ser objeto de críticas no mercado brasileiro. O resultado do seu estudo foi publicado no opúsculo "O Comércio de vinhos do Porto nos mercados do Brasil em 1911".

Ao longo da sua carreira, Ferreira da Silva publicou numerosos trabalhos sobre Química aplicada à Higiene, Alimentação e Hidrologia - artigos em revistas, discursos, relatórios e comunicações em congressos. Foi, também, autor de livros didáticos e de ensaios de literatura religiosa.

Ferreira da Silva foi membro de diversas sociedades científicas e comissões científicas internacionais. Representou Portugal nos congressos de Viena de Áustria (1898), de Paris (1900), de Berlim (1903), de Roma (1906), de Bruxelas (1909) e de Londres (1909). Durante os últimos anos de vida, trabalhou no Laboratório da Faculdade de Ciências.

Ferreira da Silva era católico e monárquico. Foi professor de Brito Camacho, médico, escritor e jornalista republicano, amigo de D. António Barroso (1854-1923), missionário e bispo do Porto, e de Bento Carqueja, professor universitário e proprietário do jornal "O Comércio do Porto".

Foi no Brasil que se casou com uma prima em segundo grau, Idalina de Sousa Godinho, filha de José Joaquim Godinho, Visconde de Santiago de Riba-Ul, que fora protetor de António Ferreira da Silva durante os tempos de estudante. O casal teve 14 filhos.

António Ferreira da Silva faleceu a 23 de agosto de 1923 na casa do Lameiro em Figueiredo, vítima de uma síncope cardíaca. Do livro de condolências consta o nome de Oliveira Salazar, então docente na Universidade de Coimbra. D. Manuel II, a partir do exílio, enviou um telegrama de pêsames. No funeral, o professor Mendes Correia e o Reitor da Universidade de Coimbra, renderam-lhe homenagem. Os restos mortais jazem no cemitério de Cucujães.
(Universidade Digital / Gestão de Informação, 2012)

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