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Memória U.Porto

Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto

Manuel Marques

Fotografia de Manuel Marques, arquivo digital de António Conde / Photografy of Manuel Marques, from digital archive of António Conde Manuel Marques
1890-1956
Arquiteto e professor



Manuel Marques nasceu a 25 de dezembro de 1890, na rua Nova, em Avintes, Vila Nova de Gaia. Era filho do entalhador Adolfo Marques (1861-1908) e de Esperança Francisco Pinto, e irmão de Adolfo e de Francisco Marques.

Foi batizado a 23 de março de 1891, na Igreja de S. Pedro de Avintes.

Depois de estudar na Escola Central, ingressou na Escola de Belas Artes do Porto, em 1902.

Em 1913, após várias interrupções por motivos de saúde, acabou os estudos. Dessa data até 1918 repartiu o seu tempo entre a oficina da família e o ateliê de José Marques da Silva.

Nesse período foi distinguido com o Prémio Soares dos Reis (1914), casou com Belmira Gomes Ribeiro, com quem teve pouco depois o filho Corintho, e recebeu uma pensão estatal para continuar os estudos em Paris (1916).

Em maio de 1917 partiu para a capital francesa. Fixou-se no número 14 da Cité Falguière e teve por companheiros Heitor Cramez, Joaquim Lopes e Manuel Amoroso Lopes, entre outros.

Nos anos do pensionato foi admitido na Escola de Artes Decorativas (1918). Estagiou com os arquitetos Godefroy e Freynet. Foi admitido, após seis tentativas, como aluno bolseiro na Escola de Belas-Artes de Paris (12 de julho de 1920). Frequentou o ateliê de Pontremoli (1924) e visitou a Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas (1925), onde foi fortemente influenciado pela emergente estética Art Déco.

Em 1925 regressou a Portugal. Foi aprovado no concurso para a 2.ª cadeira – Desenho de Ornato, Modelação e Estilização, da Escola de Belas Artes do Porto.

No ano seguinte (1926) teve uma exposição conjunta com Henrique Moreira, no Salão Silva Porto, na rua de Cedofeita. Manuel Marques expôs desenhos enquanto Henrique Moreira mostrou esculturas.

Em 1927 montou ateliê na rua Miguel Bombarda e encetou carreira de docente na EBAP.

Em 1928 voltou a Paris para prestar provas para a obtenção do diploma de Arquiteto, que lhe foi conferido em 1930.

Ente 1930 e 1956 desenvolveu atividade de profissional liberal.

Em 1931 participou com Amoroso Lopes na I Exposição de Arquitectura Portuguesa, certame realizado no Palácio da Bolsa, onde a dupla de arquitetos apresentou o projeto da Estação da Trindade.

Farmácia Vitália - PortoAo longo da sua carreira realizou mais de 100 obras, individualmente ou em colaboração com outros colegas arquitetos, em especial com Amoroso Lopes, e pontualmente com Marques da Silva, Júlio de Brito, Arménio Losa, João Peneda e Coelho de Freitas. Trabalhou com os engenheiros Jorge Bastian, Vasco Ramires, José Bernardo M. Magalhães, Lopes Lima e Mário Filgueiras.

Estas obras abrangeram diversas tipologias arquitetónicas - casas individuais e coletivas, equipamentos, parques públicos, estabelecimentos comerciais, projetos de urbanização e mobiliário - e encontram-se em várias cidades portuguesas, para além do Porto e de Vila Nova de Gaia, como Matosinhos, Aveiro, Barcelos, Braga, Penafiel, Famalicão, Fafe, Vieira do Minho, Viseu e Tabuaço.

Armazéns Cunhas - PortoNo Porto, entre outras obras projetou a Casa de Domingos Fernandes, na Praça de Mouzinho de Albuquerque, com Júlio de Brito (1927); a Moradia de Arnaldo Peres, entre a avenida dos Combatentes e a rua de Naulila (1933); a Moradia de Adélia Mendes de Sousa, na rua de Nevala 167-179 (1937); a Moradia de António Santos Henriques, entre a avenida dos Combatentes e as ruas de Naulila e de la Couture, com Arménio Losa (1937); a Casa de José Bonfim Barreiros, na rua António Cardoso (1940); o Prédio de rendimento de Daniel Alves Teixeira, entre a praça do Marquês de Pombal e a rua de Costa Cabral (1935); o Prédio de rendimento de Júlio César Eugénio, na praça de Mouzinho de Albuquerque (1938); a ampliação e remodelação do Hospital de Nossa Senhora da Lapa, no Largo da Lapa (1930); a Fonte Monumental de Montevideu, (inaugurada junto ao Forte de S. Francisco Xavier em 1931, pensada inicialmente para a avenida dos Aliados e hoje no jardim da Avenida de Montevideu). Desenhou mobiliário e decoração para os Armazéns Nascimento (1927), a Devanture e mobiliário da Barbearia Tinoco, na rua de Sá da Bandeira (1929), a remodelação da Farmácia Vitália, com Amoroso Lopes (1932), na Praça da Liberdade, a nova fachada dos Armazéns Cunha, na praça de Gomes Teixeira, com Amoroso Lopes (1933-1936) e o mobiliário e decoração do Café Imperial (1935). Fez ainda um Plano de Embelezamento da Foz do Douro (1928) e um projeto de Aformoseamento do Passeio das Virtudes com Amoroso Lopes (1935).

Fora do Porto realizou, a título de exemplo, a recuperação a Pedra da Audiência, ex-libris da freguesia gaiense de Avintes (1936) e a casa de José Oliveira, na avenida da República (já desaparecida), em Vila Nova de Gaia; o projeto da loja de João Luís Ferreira, em Barcelos (1930-1932); o Projeto das Casas dos Magistrados de Vieira do Minho e delimitação do Campo da Feira (1930-1932); o projeto da obra de Adelino Quintas, em Barcelos (1933); o Projeto da habitação de Gomes Neto Júnior, em Matosinhos (1932-1933), e o Projeto de melhoramentos do Monte da Franqueira, em Barcelos, com Amoroso Lopes (1933).

Colaborou também com escultores, nomeadamente como Américo Gomes, ao fazer o pedestal da escultura Homem do Leme, inaugurado em 1938, na avenida de Montevideu, e com Henrique Moreira, para quem produziu o pedestal do Monumento ao Mortos da Grande Guerra, na praça de Carlos Alberto (inaugurada em 1928), o pedestal do Busto de Camilo Castelo Branco, na Avenida Camilo, de 1934, e a base da Juventude (escultura conhecida popularmente como Menina Nua), na Avenida dos Aliados (obra inaugurada em 1929).

Na Escola de Belas Artes do Porto regeu ainda as cadeiras de Arquitetura e Modelação em Barro (a partir de 1939), e Escultura (temporariamente em 1947), por sugestão de Joaquim Lopes, após a morte do professor titular.
Para esta instituição escolar gisou um Projeto de Edifício, em 1928, foi nomeado para a Comissão Encarregada de dirigir a obra de construção do edifício da EBAP (1928) e desenvolveu um Projeto para ampliação da EBAP, em 1934.

Manuel Marques integrou a Comissão Estética da Câmara Municipal do Porto (1930-1938), a comissão de estudo para a conclusão do Monumento aos Heróis das Guerras Peninsulares (1936), a Comissão Municipal de Arte e Arqueologia (1937), o júri para a construção da Igreja de Santo António das Antas (1944) e a Comissão Organizadora da Exposição em Homenagem a José Marques da Silva (1953), no Porto.

Passou os últimos anos na sua casa sita na rua do Meu Refúgio, em Avintes, dividindo o seu tempo entre a recuperação de uma casa na rua 5 de outubro, pequenos trabalhos agrícolas e de jardinagem.

Em 1953 participou na exposição de homenagem a Marques da Silva na Escola Superior de Belas Artes do Porto, que contou com o apoio da Sociedade Nacional de Belas Artes e o Sindicato Nacional dos Arquitectos.

Em 1956 aposentou-se da ESBAP.

A 11 de Outubro desse ano morreu em Paranhos, no Porto.

Nesta cidade dá nome a um arruamento, em Aldoar - a rua Arquiteto Manuel Marques.

Em 1990 o seu arquivo pessoal foi doado, pela nora, ao Centro de Documentação da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto.
(Universidade Digital / Gestão de Informação, 2009)

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