Saltar para:
Logótipo SIGARRA U.Porto
This page in english A Ajuda Contextual não se encontra disponível Autenticar-se
Você está em: U. Porto > Memória U.Porto > Docentes e Estudantes da 1ª Faculdade de Letras da Universidade do Porto: Álvaro Ribeiro

Memória U.Porto

Docentes e Estudantes da Primeira Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Álvaro de Carvalho de Sousa Ribeiro


Fotografia de Álvaro de Carvalho de Sousa Ribeiro

1905-1981
Filósofo e Ensaísta



Filho único de José de Sousa Oliveira Guimarães Daun e Lorena Ribeiro e de Angélica Cândida de Carvalho de Sousa Ribeiro, nasceu na freguesia de Miragaia – Porto, a 1 de Março de 1905. Concluídos os estudos primários em Lisboa, seguiu-se um percurso escolar liceal atribulado resultante das mudanças de residência familiar e da resistência dos progenitores ao seu interesse pelas Letras, enquanto procuravam despertar-lhe o gosto por uma carreira na área do Direito. Assim, entre 1917 e 1919, foi aluno interno num colégio dominicano em Paris, regressando ao Liceu de Camões, em Lisboa, para o exame final da 2.ª secção liceal, tendo sido aprovado com 14 valores. De regresso à cidade natal, no ano letivo de 1920-1921, ingressou no Curso Geral dos Liceus no Liceu Rodrigues de Freitas, com uma breve passagem pelo Colégio Almeida Garrett no ano letivo seguinte, concluindo o Curso Complementar de Letras com 10 valores, a 7 de Julho de 1925.

A vivência no Porto acabou por lhe despertar novos rumos na sua predileção pelas Letras, em grande parte devido ao contacto que estabeleceu com Leonardo Coimbra e com outros elementos da Renascença Portuguesa, cuja sede e biblioteca frequentava regularmente, colaborando com artigos literários em revistas juvenis da cidade.

Correspondendo aos anseios familiares, matriculou-se em simultâneo na 1.ª Faculdade de Letras do Porto e na Faculdade de Direito de Coimbra, no ano letivo de 1925-1926, ainda que sem concluir o primeiro ano de cada um desses cursos e acabando por solicitar a transferência para a Universidade de Lisboa, onde frequentou os cursos de Direito e de Ciências Filosóficas. A 4 de Novembro de 1927, voltou a matricular-se na Universidade do Porto para cursar Ciências Histórico-Filosóficas, onde foi colega de carteira de Adolfo Casais Monteiro e participou na fundação das revistas "Acção Republicana: quinzenário de estudantes" e "Princípio". Retomados os laços com a Renascença Portuguesa frequentou as inúmeras tertúlias promovidas pelos seus membros, nomeadamente por muitos dos professores da 1.ª Faculdade de Letras, ainda que assumindo uma postura reservada e pouco interventiva nos acesos debates.

Sem demonstrar ser um aluno excepcional durante o curso universitário, a sua enorme sede de conhecimento e o intenso labor nos estudos valeram-lhe o reconhecimento dos professores que o nomearam, em Outubro de 1930, para o Prémio Dr. Augusto Ferreira Nobre, atribuído ao melhor aluno da cadeira de História Antiga, entretanto suspensa após o anúncio da extinção da Faculdade pelo Decreto n.º 15 365, de 12 de Abril de 1928. Este último facto ditara já o fim da sua aspiração a ser assistente universitário de Leonardo Coimbra, ainda que muitos pensassem que o lugar seria atribuído ao seu amigo José Marinho; concluiu a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas com a classificação de 15 valores, a 8 de Julho de 1931.

Decidido a prosseguir a carreira como professor liceal, apresentou-se logo ao Exame de Estágio no Liceu Pedro Nunes de Lisboa, mas o júri considerou-o inapto por falta de voz, o que o obrigou a repensar o seu futuro, subsistindo com o apoio económico dos pais e o fruto de alguns trabalhos literários na capital. Movido por influência de alguns dos seus melhores amigos tentou então a carreira política, subscrevendo a fundação do movimento opositor da "Renovação Democrática" e colaborando em diversos periódicos republicanos, que depressa abandonou face ao falecimento do pai e a responsabilidade de amparar a sua mãe. Deste modo, em 1933, ingressou na função pública pelo Comissariado do Desemprego, ao aceitar o lugar de Encarregado do Posto de Santa Catarina, em Lisboa, mantendo a sua produção especulativa em torno do pensamento de Leonardo Coimbra e de Sampaio Bruno e procurando descobrir e compilar os respetivos espólios bibliográficos na Biblioteca Nacional nos anos que se seguiram. Em 1938 ingressou na Câmara Municipal de Lisboa como Escriturário assalariado, depois foi nomeado para Escriturário contratado no Serviço de Obras (1939) e Escriturário de 2.ª Classe nos Serviços Centrais e Culturais (1940), até à admissão por concurso para Técnico de 1.ª Classe do Fundo de Desenvolvimento da Mão-de-Obra, em 1942.

Ao longo da década de 1940 foi firmando um pensamento filosófico autónomo através da publicação de obras sobre a propedêutica filosófica, para o que contribuíram o convívio com os antigos colegas do Porto, José Marinho e Agostinho da Silva, e as amizades estabelecidas em Lisboa com importantes vultos da cultura nacional, tendo sido considerado um dos principais dinamizadores do movimento da "Filosofia Portuguesa". Por convite de Eduardo Salgueiro, a partir de 1942 assinou a colaboração na Editorial Inquérito com a tradução e composição de obras para a série C – Filosofia e Religião dos "Cadernos Inquérito", tornou-se um dos sócios fundadores da "Sociedade de Língua Portuguesa" e proferiu conferências sobre o pensamento português e as suas especulações filosóficas.

Imagem da assinatura de Álvaro Ribeiro

Após o convite para a Junta Central das Casas do Povo, pediu a demissão da Câmara Municipal de Lisboa em 1944 e passou a dirigir o "Mesário das Casas do Povo" (1946-1971), publicação que foi posteriormente suspensa pelo regime marcelista. Entretanto, no ambiente das tertúlias em cafés lisboetas continuava a aprofundar as suas reflexões em favor do antiracionalismo nos diálogos com José Marinho, José Régio, Jorge de Sena, Casais Monteiro, Almada Negreiros, entre outros, tendo-se destacado como um dos principais mestres para a nova geração de intelectuais que procurava esses convívios. Em 1958 realizou um colóquio sobre a Filosofia Portuguesa no Centro Nacional de Cultura e, dois anos mais tarde, apresentou a comunicação "Finalidades das Casas do Povo" no 1.º Colóquio Nacional do Trabalho, mantendo sempre a discreta carreira no funcionalismo público.

Após a morte da mãe estabeleceu correspondência com uma senhora do Porto com quem se casou passado algum tempo, tendo-se manifestado, em 1972, os primeiros sinais da doença que o vitimou. Em 1975 obteve a reforma da Junta Central da Casa dos Povos, embora tenha ainda participado numa Comissão ministerial de Estudos Sociais, dedicando-se em exclusivo à Filosofia, particularmente à história e às características da Filosofia Portuguesa ao longo dos séculos. A 9 de Outubro de 1981 faleceu no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa.

Não obstante o reconhecimento tardio da sua produção intelectual, Álvaro Ribeiro assume-se como figura de reconhecido destaque na especulação filosófica portuguesa do século XX, tendo abordado uma multiplicidade de temas desde a Filosofia, a Pedagogia, a Lógica, a Psicologia ou a Teologia e recuperando importantes figuras da cultura portuguesa do século passado.
(Universidade Digital / Gestão de Informação, 2008)

Recomendar Página Voltar ao Topo
Copyright 1996-2017 © Universidade do Porto Termos e Condições Acessibilidade Índice A-Z Livro de Visitas
Última actualização: 2016-06-20 Página gerada em: 2017-11-23 às 23:59:04