Saltar para:
Logótipo SIGARRA U.Porto
This page in english A Ajuda Contextual não se encontra disponível Autenticar-se
Você está em: U. Porto > Memória U.Porto > Antigos Estudantes Ilustres U.Porto: Bento Carqueja

Memória U.Porto

Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto

Bento Carqueja

Fotografia de Bento Carqueja Bento Carqueja
1860-1935
Professor, jornalista e benemérito



Rua Bento Carqueja, Oliveira de AzeméisBento Carqueja nasceu no dia 6 de Novembro de 1860 na Rua Direita, Oliveira de Azeméis. Era o mais velho dos quatro filhos de Bento de Sousa Carqueja, comerciante e actor amador, e de Maria Amélia Soares de Pinho, descendente da aristocrata família Soares de Pinho.
O sobrenome Carqueja procede da alcunha do seu bisavô Manuel de Sousa Bento, de Valbom, que trabalhava como aprendiz numa loja de solas na Rua das Congostas, no Porto (desaparecida com a construção da Rua de Mouzinho da Silveira), e era assim chamado pelos colegas para o distinguirem de um caixeiro também chamado Manuel.

Com oito anos, "Bentinho", como era apelidado pelos familiares mais próximos, começou a trabalhar no negócio do pai, já nessa altura dando mostras de grande vivacidade e inteligência.

Placa da Rua do Comércio do PortoOs primeiros estudos realizados em Oliveira de Azeméis foram prosseguidos no Porto, cidade para onde se mudou aos dez anos com o apoio do tio e padrinho, Manuel de Sousa Carqueja. Nessa época vivia na casa dos tios Francisco e Paulina, na Rua da Ferraria (atual Rua do Comércio do Porto, resultante da junção das ruas da Rosa e da Ferraria de Baixo ou Ferraria Nova), e frequentava o Colégio Nossa Senhora da Glória. Neste colégio fez amizade com Luís de Magalhães e tornou públicos os seus dotes de escritor e orador. Por isso ninguém estranhou que o seu primeiro discurso fosse publicado quando tinha apenas quinze anos de idade. Nem que o seu primeiro artigo fosse publicado quando tinha apenas dezasseis.

Em 1878, matriculou-se no Curso Superior de Agricultura na Academia Politécnica do Porto, que terminou passados quatro anos com excecional classificação de 5 accessits.
Em seguida, ensinou no colégio onde estudara, do qual se transferiu, em 1884, para a Escola Normal do Porto, onde lecionou as disciplinas de Agricultura e de Ciências Físico-Naturais e instalou o "Jardim Botânico" e os laboratórios de Fisiologia Vegetal e Química Agrícola.

Entretanto, a 8 de Setembro de 1888 casou com a prima Elisa Maria Kunhardt de Sousa, de origem francesa, com quem teve Maria Paulina, quando cumpria dez anos de matrimónio.

Em 1898 foi nomeado professor da Academia Politécnica do Porto, onde permaneceu até 1915. Neste ano, com a instituição da Faculdade Técnica, atual Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, foi convidado a aí lecionar as cadeiras de Economia Política, de Contabilidade e de Legislação das Obras Públicas. Mais tarde, ascendeu ao cargo de Professor Catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. A reforma chegou depois de 46 anos de ensino.
Por ser um benemérito, doou o seu salário de professor ao Instituto de Investigação Científica de Ciências Económico-Sociais.

Manuel de Sousa CarquejaEm paralelo com o ensino também se dedicou ao jornalismo no periódico portuense O Comércio do Porto (1854-2005), fundado por Manuel de Sousa Carqueja e pelo Dr. Henrique Carlos de Miranda, em cuja redação ingressou em 1880. Depois das posições modestas que ocupou nos primeiros tempos, subiu, em 1908, após a morte do tio, ao lugar de co-proprietário do jornal, passando então a desenvolver uma nova e inovadora política redatorial e social.

No jornal, local onde rejeitava os títulos académicos e onde respeitava de igual forma todos os colaboradores, procurou instituir uma reputação jornalística de isenção e de credibilidade, introduzindo profundas mudanças. Pela primeira vez, usou correspondentes no estrangeiro; contratou colaboradores de renome nacional; criou um museu para promoção das artes; estimulou a homenagem aos grandes vultos da cultura nacional já desaparecidos; criou bibliotecas e instituiu "O Lavrador" (1903), folha mensal gratuita dedicada aos agricultores, patrocinada por José Cláudio Mesquita, que também se envolveu na fundação de escolas agrícolas móveis.

Através do jornal, Bento Carqueja ajudou a instituir cinco creches em Vila Nova de Gaia e no Porto, entre 1894 e 1921, para as quais angariou fundos recorrendo a métodos inovadores - usando, por exemplo, um biplano - e fomentou festas infantis, em várias cidades portuguesas, organizadas segundo um plano pedagógico por si traçado.
Profundamente envolvido em questões sociais, incrementou, a partir de 1889, a construção de bairros operários (o do Monte Pedral, em 1889, o bairro de Lordelo do Ouro, em 1901, o bairro Xavier da Mota e o do Bonfim) e, em 1914, organizou as sopas económicas para os mais desprotegidos, tendo-se chegado a distribuir mais de 70 000 refeições.

Parque La SaletteNa sua terra de origem fundou a Fábrica de Papel do Caima (1905), ajudou a implementar o abastecimento de águas (1906), edificou um asilo, instalou a iluminação pública, o caminho-de-ferro do Vale do Vouga, a Associação de Bombeiros e a Santa Casa da Misericórdia, assim como criou a Escola de Artes Gráficas e Ofícios (1927) e recuperou a Igreja matriz, o Parque La Salette e os Annaes Municipaes.

Era um homem educado, solidário e ligado à família. Adepto da monarquia e crente em Deus. Ávido leitor e escritor compulsivo, partilhou muitas das horas votadas à escrita com o seu gato persa, de nome Patusco.

D. António BarrosoGostava de viver. Da gastronomia nacional apreciava particularmente o "Cozido à Portuguesa" e os doces conventuais. Ouvia música clássica e era um amante das artes, em especial da pintura de Veloso Salgado. Colecionava medalhas comemorativas, moedas antigas e jogava bilhar.

Mantinha relações de amizade com o bispo D. António Barroso, com o Professor Ferreira da Silva e com o Comendador Francisco Pinheiro de Meireles, que eram visitas assíduas de sua casa.

Possuía uma habitação em Ferreiros e, normalmente, passava o mês de Agosto na Foz do Douro, perto do mar. A banhos. No Verão de 1935 foi aconselhado pelo seu médico a quebrar este hábito, pois o ar do mar poderia ser pernicioso para o seu frágil coração. Bento Carqueja não lhe deu ouvidos. Morreu tranquilamente na Rua do Molhe, na Foz do Douro, a 2 de Agosto de 1935. O seu corpo foi trasladado para Oliveira de Azeméis, onde foi a enterrar.
(Universidade Digital / Gestão de Informação, 2008)

Recomendar Página Voltar ao Topo
Copyright 1996-2017 © Universidade do Porto Termos e Condições Acessibilidade Índice A-Z Livro de Visitas
Última actualização: 2016-01-12 Página gerada em: 2017-09-25 às 05:34:23