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Memória U.Porto

Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto

José Carvalho de Araújo

Escultura - José Carvalho de Araújo / Sculpture - José Carvalho de Araújo José Carvalho de Araújo
1881-1918
Capitão Tenente da Marinha Portuguesa



Fotografia da Igreja de S. Dinis e capela anexa de S. Brás, Vila Real / Photo of the S. Dinis Church and S. Brás chapel, in Vila RealJosé Botelho de Carvalho de Araújo nasceu a 18 de Maio de 1881 na freguesia de São Nicolau, no Porto. Era filho de José de Carvalho Araújo e de D. Margarida Ferreira Botelho de Araújo, residentes em Vila Real, que, na altura do nascimento do seu filho, se encontravam no Porto de visita a familiares.
Dois meses depois a família regressou a Vila Real, onde José fez a instrução primária e os estudos liceais.

Entre 1897 e 1898 efetuou os preparatórios na Academia Politécnica do Porto para frequentar a Marinha, ingressando como Aspirante nesta instituição, a 12 de Outubro de 1895.

Casou a 13 de Janeiro de 1906 com D. Ester Ferreira de Abreu, sua parente afastada, numa celebração realizada às cinco da manhã pelo padre Filipe Correia de Mesquita Borges, na igreja paroquial de São Dinis.

Na Marinha cumpriu uma carreira brilhante. Em 1903 ascendeu ao posto de Guarda Marinha, em 1905 ao de Tenente, em 1915 ao de 1º Tenente e, a título póstumo, foi nomeado Capitão Tenente.
Nesta instituição prestou serviço em diversas embarcações: na fragata "D. Afonso", na corveta "Duque da Terceira", nos cruzadores "Vasco da Gama", "Adamastor" e "São Rafael", nas canhoteiras "Zambeze", "Liberal", "Diu" e "Lúrio", no rebocador "Bérrio" e no transporte "Salvador Correia".

Fotografia da estátua de Carvalho Araújo / Photo of the Carvalho Araújo statueDe todos os lugares onde fazia missões enviava postais à família, tradição que cultivava desde os tempos do noivado com D. Ester. Estando em África em 1903, recebeu, a bordo do Adamastor, o primeiro postal ilustrado com motivos de Vila Real.

Defensor dos ideais republicanos, foi deputado pelo círculo de Vila Real.

No regresso à capital, depois de governar o Distrito moçambicano de Inhambane, foi destacado para comandar o caça-minas "Augusto de Castilho", responsável pelo patrulhamento das carreiras efetuadas pelos paquetes nos arquipélagos dos Açores e da Madeira. E foi no cumprimento desta missão que morreu, na madrugada de 14 de Outubro de 1918, ao defender heroicamente o vapor "São Miguel", que viajava entre o Funchal e Ponta Delgada, do submarino alemão "U-139", comandado por Lothar von Arnauld de la Periére. Numa luta desigual, descrita em tons épicos pela imprensa da época, a embarcação portuguesa atacou o submarino alemão para salvar 1500 pessoas, aguentando durante cerca duas horas com apenas duas peças de artilharia de proa, que investiram contra o inimigo de 1500 toneladas, equipado com lança torpedos e canhões de tiro rápido. Ainda assim, a investida ordenada por Araújo, de que resultou a sua morte, danificou o submarino e salvou o vapor "S. Miguel". Fotografia: NRP Caça Minas Augusto de Castilho / Photo of the minesweeper Augusto de Castilho

O seu postal de 11 de Outubro de 1918, dia em que nasceu o sétimo filho de Carvalho Araújo e D. Ester, terá chegado a casa depois da morte deste herói da Grande Guerra, mas antes, ainda, da confirmação da funesta notícia.
(Universidade Digital / Gestão de Informação, 2008)

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