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Memória U.Porto

Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto

Emídio Guerreiro

Fotografia de Emídio Guerreiro / Photo of Emídio Guerreiro Emídio Guerreiro
1899-2005
Político e matemático



Emídio Guerreiro nasceu em Guimarães a 6 de Setembro de 1899, filho de um militar e de uma doméstica. Devido às influências republicanas do seu pai, cedo se afirmou como republicano e defensor da liberdade, tendo-se alistando no exército para combater na 1ª Guerra Mundial. Acabou por não ser enviado, voltou a estudar e entrou na Universidade do Porto no curso de Matemática da Faculdade de Ciências.

Fotografia - Emídio Guerreiro em 1928 (2º sentado a contar da esquerda) / Photo - Emídio Guerreiro in 1928 (2nd seated from left)Fez parte do Orfeão Universitário, presidiu à Associação Académica do Porto e pertenceu ao grupo de teatro da sua faculdade. A 3 de Fevereiro de 1927, insurgiu-se contra a ditadura militar. Aderiu á Maçonaria em 1928 e colaborou com semanário portuense a Humanidade (1929-1931).

Em 1931 foi nomeado professor assistente de Cálculo Diferencial na Faculdade de Ciências, onde trabalhou com o professor Gomes Teixeira, mas devido aos seus ideais políticos, foi demitido passado 3 meses.
Em 1932 foi preso pelo manifesto onde insultava o Presidente da República, Óscar Carmona. Foi mandado para o Aljube, e de lá, conseguiu fugir para o Algarve e depois para Espanha. Exilou-se em Madrid junto dos opositores ao regime e mais tarde foi professor na Galiza; com o início da guerra civil espanhola, fugiu para França.
Depois, regressou a Espanha onde combateu ao lado dos republicanos. Com a derrota destes, voltou a fugir para França. Aqui chegado, foi internado num campo de concentração para comunistas e republicanos da guerra civil. Após o início da Segunda Guerra Mundial, fugiu e alistou-se na Resistência Francesa, tendo combatido com os maquis contra as forças nazis.

Depois da guerra instalou-se em Paris, foi professor de matemática num liceu e criou o Comité para a Defesa das liberdades em Portugal, com vista a denunciar os crimes do governo português. Em 1959, tomou contacto com o General Humberto Delgado, tomando-se supostamente seu representante em Paris. Após o desaparecimento de Delgado, foi um dos que alertou os meios de comunicação internacionais.
Participou no processo de acusação espanhol para averiguar as causas do crime. Em 1967, Emídio Guerreiro, Palma Inácio e outros formaram a L.U.A.R, uma organização revolucionária com o objetivo de combater o regime salazarista.

Fotografia da Carte de Combattant Volontairte de la Résistance (1975), de Emídio GuerreiroCom o 25 de Abril de 1974 regressa a Portugal, onde aderiu ao PPD de Francisco Sá Carneiro; no ano seguinte, com a doença e ausência do líder no estrangeiro, foi nomeado secretário-geral substituto, cargo que desempenharia com grande vivacidade apesar dos seus 76 anos. Mas logo no final desse ano saiu do PPD em desacordo com o projeto de Sá Carneiro. Em 1976 abandonou a vida política, e a partir deste ano, passou a levar uma existência mais calma e retirada.

Em 1980 foi condecorado comendador da ordem da liberdade pelo Presidente da República Ramalho Eanes. Em 1999, por altura do seu centenário, foi condecorado pelo Presidente da República Jorge Sampaio com a Grã-Cruz da Liberdade.

Emídio Guerreiro faleceu no dia 29 de Junho de 2005, em Guimarães, com 105 anos.
(Texto de Tiago Barros Leite, 2008)

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