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Memória U.Porto

Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto

Irene Vilar

Fotografia de Irene Vilar / Photo of Irene Vilar Irene Vilar
1930-2008
Escultora, pintora e medalhista



Maria Irene Lima de Matos Vilar nasceu em Matosinhos, a 11 de Dezembro de 1930. Desde os 19 anos de idade viveu na Foz do Douro, no Porto, onde teve dois ateliers, ambos localizados na Rua do Padre Luís Cabral, nas proximidades da sua casa.
Terminou os estudos liceais no Porto. Contra a vontade da família, inscreveu-se na Escola Superior de Belas Artes do Porto. Tencionava seguir Arquitetura, mas o contacto com os professores Barata Feyo e Dórdio Gomes levou-a para o mundo da escultura, numa altura em que a Escola era dirigida pelo arquiteto Carlos Ramos.

Fotografia de Irene Vilar a esculpirMatriculou-se em Escultura a 22 de Setembro de 1948 e terminou a licenciatura a 2 de Junho de 1955. Não por acaso, obteve a classificação final de vinte valores com o trabalho "Estátua Jacente".
Em 1958, como bolseira do Instituto de Alta Cultura e da Fundação Calouste Gulbenkian, estudou em Itália e viajou pela Espanha, França e Suíça.

Estagiou na Escola de Gomes Teixeira e na Escola Secundária de Clara de Resende, no Porto, lecionou as disciplinas de Desenho, Educação Visual e História do Traje. Foi também diretora da antiga Escola Industrial Aurélia de Sousa (hoje Escola Secundária), também no Porto. Depois de um interregno no período pós 25 de Abril de 1974, viria a terminar a sua carreira de docente na Escola Secundária Clara de Resende, em 1987. A partir desta data passou a dedicar-se inteiramente à Arte.
É autora de uma variada, ampla e riquíssima obra plástica, nas áreas da escultura, da medalhística, da numismática, da ourivesaria e da pintura, mostrada num sem número de exposições (individuais e coletivas) e distinguida com vários prémios. Em 1976, legou, generosamente, parte da sua criação artística à Câmara Municipal de Matosinhos.

Fotografia de uma escultura (O Mensageiro) de Irene Vilar na Foz do DouroA sua produção escultórica, que se encontra dispersa por vários países (para além de Portugal, na Alemanha, África do Sul, Brasil, Bélgica, Holanda e Macau), seguiu dois rumos distintos. Divide-se entre as obras públicas, que respondiam às exigências dos encomendadores, e as obras de cariz mais pessoal, de maior liberdade, próximas do Expressionismo figurativo. Na obra monumental segue a tradição portuguesa da estatuária do século passado, abordando muitas das figuras centrais da cultura e da história portuguesas, mas usa no bronze, o seu material de eleição, uma linguagem moderna de cariz expressionista. O equilíbrio entre a claridade e a escuridão adensam a emotividade das suas obras.

Fotografia de uma escultura - Quase um Anjo - bronze com patine de 1986 (colecção particular) / Photo of Almost an Angel - with bronze patina, 1986 (private collection)No campo da escultura de temática religiosa, à qual também dedicou várias obras, via o artista como um transmissor de experiências comunitárias, com um forte "sentido de missão" e uma liberdade orientada. Numa primeira fase deste género de trabalhos usou a madeira, preferindo, depois, a modelagem em barro e gesso, concluída com a fundição ou arte do canteiro.

Fotografia de uma Homenagem a Guilhermina Suggia / Photo of a Tribute to Wilhelmina SuggiarA medalhística da sua autoria denota, igualmente, um carácter monumental, pouco comum neste tipo de realizações artísticas, uma vez que nos limites da medalha imprime formas irregulares e nas superfícies introduz invulgares exercícios de representação, jogando de uma forma ambígua com o anverso e o reverso.
Nas suas esculturas em madeira, nomeadamente nos seus belos trabalhos "O Cerco" ou o "Castelo Feudal", dos anos 60, tem prazer em vincar a aspereza do material, através de formões e goivas, e em lhes dar uma forte carga dramática, um elemento que, aliás perpassa na sua obra, como se pode verificar num dos trabalhos mais conhecidos: "Esta Árvore tem 2000 anos".

Morreu a 12 de Maio de 2008, com 77 anos, numa enfermaria do Hospital de S. João, no Porto, onde se encontrava hospitalizada há mais de um mês, vítima de doença prolongada.
O funeral da artista, com missa de corpo presente, realizou-se num lugar que lhe era familiar e lhe dizia muito: a Capela dos Carmelitas Descalços, obra desta escultora maior do Porto, situada na Rua de Gondarém, na Foz.
Diz, quem a conheceu, que, além de uma reconhecida artista, era uma mulher simples, afável e muito comunicativa.
(Universidade Digital / Gestão de Informação, 2008)

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Última actualização: 2016-01-06 Página gerada em: 2017-11-18 às 06:15:48