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Memória U.Porto

Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto

Henrique Medina

Fotografia de Henrique Medina Henrique Medina
1901-1988
Pintor



Henrique Medina de Barros nasceu no Porto, na freguesia de Cedofeita, a 18 de Agosto de 1901. Era filho de Pascoal Medina, pintor espanhol, e de Maria Joana de Barros Medina. Teve dois irmãos: Maria das Mercês e Fernando.
Revelou precocemente veia artística, ao retratar com grande expressividade a avó materna, quando tinha apenas 10 anos (Minha Avó, 1911). Por essa altura, foi recebido na Escola Superior de Belas Artes do Porto pelo Professor José Brito que, surpreendido pela sua habilidade, permitiu que frequentasse a aula de desenho do gesso e, depois, a aula de modelo vivo. Enquanto cursava em Belas-Artes seguia os estudos liceais num colégio particular.

Faculdade de Belas da Universidade do PortoIniciou, portanto, a sua formação artística em 1911, na ESBAP, sendo aluno de Marques de Oliveira e de Acácio Lino.
Realizou o Curso Preparatório de Desenho (1912-1914), o Curso de Desenho, Anatomia e Perspetiva (1915), o Curso de Desenho e Perspetiva (1916) e frequentou o 1.º ano do Curso de Pintura e Perspetiva (1917).
Em 1918, expôs na Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Lisboa, o retrato de Teodora Andressen de Abreu, com o qual ganhou a segunda medalha do concurso dessa sociedade. Também no Porto expôs em certames de Arte.
Entretanto, conheceu a família Spratley, que lhe proporcionou uma estada em Paris, em companhia de Ricardo Spratley, para prosseguir os estudos académicos na École des Beaux-Arts, com os mestres Ferdinand Cormon e E. Bénard. Na capital francesa dos anos 20 viviam outros artistas portugueses, como Abel Manta, Dórdio Gomes e Cristino da Silva.
Nesta cidade, expôs no Salon de la Société National Beaux-Arts e recebeu a Menção Honrosa no Salon des Artistes Français, com o retrato de Cláudio Carneiro. Também fez uma exposição "Chez Fast", na Rua Royal, e expôs igualmente no Salon de Nancy. Em 1929, o seu quadro Irmão do Artista foi adquirido pelo governo francês para o Museu do Luxemburgo (hoje Galerie Nationale du Jeu de Paume).
Em 1930, veio a Portugal. Retratou Oliveira Salazar, o Cardeal Patriarca Manuel Cerejeira e o Almirante Canto e Castro, entre outras individualidades da capital e do Porto.

Gipsy de Epson, óleo de Henrique MedinaDepois de Paris, foi convidado a pintar em Inglaterra. No período inglês, que durou entre 1926 e 1936, intercalado com viagens a outros países, pintou no seu atelier personagens britânicas típicas, como o Piper of Trafalgar Square, a Gipsy de Epson, o Escocês de Piccolo, e bem assim figuras da alta sociedade, como a Condessa Linden e filha e Mrs. Staples. Foi convidado a expor na Royal Academy de Londres onde, aliás, já tinha mostrado a sua arte em 1927.
A sua reputação como retratista alcançara uma projecção admirável.
Durante esta fase londrina foi também convidado a trabalhar em Itália. Instalado na capital, pintou personalidades da política e da aristocracia, como Mussolini (retrato para o palácio Viminal, de 1931), os príncipes Doménico Orsini e Giovanni Torlonia.

Jovem americana, óleo de Henrique Medina, de 1942Esteve, depois, sete anos no continente americano, consolidando ainda mais a sua fama internacional como retratista. Primeiro no Brasil, onde foi convidado a pintar o Embaixador de Portugal Nobre de Mello. O seu êxito brasileiro foi tão grande, que ficou três anos nesse país, entre o Rio de Janeiro e São Paulo. Em seguida, na Argentina, onde realizou uma exposição que contou na inauguração com a presença do Presidente da República, o General Justo. Depois, nos E.U.A., onde residiu durante sete anos, trabalhando em Nova Iorque, Washington e Hollywood. No seu estúdio, na meca do cinema, teve por modelos grandes vedetas (Charlie Chaplin, Mary Pickford, Lily Pons, Norma Shearer, Linda Darnel, etc.) e realizou telas para dois filmes, o Retrato de Dorian Grey para o filme homónimo, nome baseado na obra literária de Óscar Wilde, e o de Greer Garson para o filme Mrs. Parkington. Em 1940 expôs 17 quadros em Nova Iorque, alcançando, de novo, grande sucesso.
Em 1946, voltou a Portugal. Realizou uma exposição no Museu Nacional de Soares dos Reis e recebeu da edilidade portuense a Medalha de Honra da Cidade. Em seguida expôs no Salão Nobre do Teatro D. Maria II, em Lisboa; nessa ocasião, o retrato de Maurício Maeterlinck foi comprado para integrar o espólio do Museu de Arte Contemporânea (actual Museu do Chiado).

Nos anos cinquenta, sempre a convite, pintou no País de Gales, na Suécia, na Dinamarca e em Espanha e viu publicado o seu primeiro álbum de trabalhos (1954). Na década seguinte, voltou por longos períodos a Portugal e, na década de setenta, fixou-se, em definitivo, em Góios, Esposende, na casa herdada da avó. A sua pintura, sobretudo a óleo, ficou então marcada pelas paisagens e figuras rurais da região, como as sargaceiras da Apúlia, os pescadores, os pastores de Belinho, os feirantes de Barcelos e as minhotas.

No início dos anos oitenta retratou o Papa João Paulo II, aquando da sua visita a Portugal, em 1982, e a Fundação Calouste Gulbenkian efetuou uma exposição retrospetiva da sua obra, reunindo cerca de 250 quadros (retrato, paisagem, desenho e traje regional, sobretudo de Esposende), em 1983.

Morreu em Góios, Esposende, em 30 de Novembro de 1988, vítima de doença súbita.
Busto de Henrique Medina, em EsposendeFigura célebre mas pouco consensual, dividiu os críticos e os amantes da arte. Mas fez perdurar no século XX (1918-1988) a arte realista. Medina foi um enorme retratista: pintou altas patentes militares, médicos de renome, académicos reconhecidos, atrizes, cantoras líricas, membros da nobreza europeia, políticos internacionais, chefes de estado portugueses, cardeais e um papa. Foi, também, um exímio pintor de nus. Ao longo de toda a sua vida como pintor distanciou-se sempre dos movimentos artísticos e de todas as vanguardas, mantendo-se fiel ao desenho como critério da qualidade na arte, como afirma Laura Castro (Henrique Medina, 30 desenhos inéditos, Porto, 1991).
(Universidade Digital / Gestão de Informação, 2008)

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