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Memória U.Porto

Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto

Manuel Monterroso

Fotografia de Manuel Monterroso Manuel Monterroso
1876-1968
Médico, professor e caricaturista



Auto-retrato de Manuel MonterrosoManuel Aníbal da Costa Monterroso nasceu em 1875 na casa dos Monterroso, família ilustre amarantina de médicos e proprietários rurais, na freguesia da Lomba, Amarante. Era filho de António José da Costa e de Libânia de Vasconcelos Monterroso.

O seu talento para a caricatura manifestou-se precocemente, com cinco anos, idade em que produziu uma surpreendente caricatura da prima.

Na escola da Lomba, onde fez os estudos primários, continuou a produzir caricaturas, em folhas e cadernos. Prosseguiu os estudos no Porto, no Colégio "do Vasconcelos", na Rua de Santa Catarina, onde teve por colegas os futuros conde de Castro Sola e visconde de Vila Moura e os Ermidas.

Em 1897, seguiu a tradição familiar ao inscrever-se no curso de Medicina da Escola Médico-Cirúrgica do Porto, que concluiu em 1902. Nesta Escola foi aluno, entre outros, de Roberto Frias, Azevedo Maia, Maximiano Lemos, Ferreira da Silva, Cândido de Pinho e João Lebre. Este último mestre teve grande influência na capacidade com que Manuel Monterroso dominou a Anatomia, quer do ponto de vista gráfico, quer teórico). Foi colega de Campos Monteiro, Armando Chaves, Carteado Mena, Vitorino de Magalhães, Eduardo de Oliveira, Guilherme Prata, José de Sousa Lamy, entre outros.

No fim do curso, em 1902, apresentou a tese "Tuberculose e sanatório". Na festa de despedida dos quintanistas participou na decoração e co-escreveu em verso a música da farsa "Os Filhos de Minerva" (com prólogo e quatro atos: A revolta do Olimpo, O jantar dos quintanistas, A última serenata e No regresso), apresentada no Real Teatro de S. João em 14 de Maio.

Logo de seguida, deu início à carreira médica. Foi admitido no Dispensário Antituberculoso do Porto, no qual exerceu a atividade de médico da Assistência Nacional aos Tuberculosos, e foi nomeado para o cargo de Subdelegado de Saúde do Porto e, mais tarde, de Delegado. Foi como profissional da Medicina que lutou contra o tifo exantemático, com Ricardo Jorge, e contra a Pneumónica.

Durante a I Guerra Mundial exerceu Medicina como Major Médico Miliciano. Integrou a comissão que lançou as bases do Instituto de Medicina Legal, onde veio a ser Médico Legista. Foi médico especialista dos Caminhos-de-Ferro Portugueses e escreveu "A Salubridade Habitacional no Porto (1929-1933)", em 1934.

Ramirinho Pinta-monos de Manuel MonterrosoEste médico-artista publicou trabalhos criativos e humorísticos em vários periódicos, portugueses e estrangeiros: "Os Pontos", "A Paródia", "A Brasileira", para o qual concebeu o cabeçalho, "O Vira", "Arte", "O Povo", "Limia", "Comércio", "A Pátria", "A Luz", "O Petardo", "O Tripeiro", "O Primeiro de Janeiro", "Faro de Vigo", "Le Barbare", "Le Rire" da França. Outras atividades em que se envolveu constaram da organização do cortejo carnavalesco do Clube dos Girondinos (1906), da participação na Exposição-bazar para recolha de fundos, destinada à instalação da Sociedade de Belas-Artes do Porto (1907), da edição de um álbum de "bilhetes-postais ilustrados" (1912), da participação no "Álbum de Desenhos", cujas receitas reverteram em favor do Asilo Portuense da Mendicidade e no "Folheto de Cordel – Legendário de Quimeras do Quintanista Pedro Veiga".

Manuel Monterroso foi, também, ilustrador de diversas obras de autores como Guedes de Oliveira, António de Lemos, Sarmento Beja, Raul Tamagnini, José de Castro e Arnaldo Leite.

Fotografia de Rafael Bordalo PinheiroEntre os seus amigos contavam-se humoristas como Sebastião Sanhudo, Almeida e Silva, Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, Celso Hermínio, Armando de Basto, Francisco Teixeira, Jorge Colaço, Jorge Cid, Francisco Valença, Arnaldo Ressano Garcia, Leal da Câmara, os espanhóis Ramon Cilla (pai e filho), o francês Maurice Neuman e Rafael Bordalo Pinheiro que o tinha como um dos discípulos preferidos, a par do seu filho Manuel Gustavo. Conviveu, também, com artistas como António Carneiro, Acácio Lino e Amadeo de Souza-Cardoso, seus conterrâneos, e Joaquim Lopes, bem como com personalidades como João Chagas, Alexandre Braga e Sampaio Bruno.

Pertenceu ao grupo dos Fantasistas, foi sócio-honorário do novo "Grupo dos Humoristas Portugueses" (1935) e colaborou no efémero jornal "O Miau", de Leal da Câmara. Colecionou obras artísticas, fruto de trocas e de ofertas. Por influência de Rafael Bordalo Pinheiro moldou peças cerâmicas, jarras, nomeadamente.

Entre os anos 40 e 60 participou em várias exposições na Sociedade Nacional de Belas Artes; no IV Salão Provincial da Feira, em 1956; no Salão de Festas do Coliseu do Porto, onde, em 1960, expôs individualmente desenhos e cerâmica (esta exposição repetiu-se em Lisboa, na SNBA, em 1961); e na Exposição de Médicos Artistas, nas comemorações dos 25 anos da fundação da Ordem dos Médicos, no Porto, em Coimbra e em Lisboa.

Manuel Monterroso Interveio em diversas causas de beneficência e associou-se a exposições e homenagens públicas: à Exposição de Artistas Portugueses de 1935, com trabalhos oferecidos ao Grande Sorteio Nacional de Arte, cuja receita revertia para os monumentos a Silva Porto, Henrique Pousão e Artur Loureiro; à organização da Exposição de Pintura de Alberto Ayres de Gouveia, na SNBA, em 1941; ao "Livro de Ouro – Homenagem a Acácio Lino", em 1942; à exposição retrospetiva e homenagem ao pintor Júlio Ramos, em 1943; ao centenário do nascimento de Rafael Bordalo Pinheiro e à exposição póstuma de Amarelhe, em 1946; e à exposição de homenagem a Leal da Câmara, no Ateneu Comercial do Porto, em 1951.

Do seu currículo académico consta ter sido professor de Anatomia Artística na Escola de Belas Artes do Porto.

Retirou-se após várias décadas de exercício público de Medicina, mas continuou a praticá-la no sector privado.

Foi agraciado com o título de Cavaleiro da Ordem de S. Tiago e foram-lhe oferecidas a Medalha de Honra do Clube Fenianos Portuenses, a Medalha de Cobre do Instituto de Socorros a Náufragos e a Medalha de Prata da Cruz Vermelha.

Em 1968, quatro anos após a morte da mulher, Glória Ribeiro da Silva Monterroso, este grande cientista, humanista e artista veio também a falecer na casa de Matosinhos, no dia 28 de Fevereiro. O seu espólio – composto por telas, desenhos, azulejos, móveis, cerâmica e livros-, foi doado à Câmara Municipal de Amarante, de acordo com os seus desejos.
(Universidade Digital / Gestão de Informação, 2010)

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