Em 1978, os Professores Nuno Grande e Eurico Figueiredo chamaram-me às instalações do ICBAS para me convidarem para docente da escola. Na altura eu era assistente na cadeira de Psicofisiologia na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação e eles convidaram-me para eu ir lecionar no ICBAS.
Foi o meu primeiro contacto com a jovem escola. Embora não pudesse aceitar o honroso convite, por ter então decidido deixar a minha carreira clínica e académica para me dedicar à empresa da minha família – BIAL –, fiquei muito sensibilizado. Ali se gerou uma relação bonita, desenvolvida a partir de 1984, quando o Prof. Nuno Grande passou a integrar – em representação do ICBAS – o júri do Prémio BIAL; e ele participou em nove júris.
Em 1994 já nos ligava uma relação de amizade e o Prof. Nuno Grande participou ativamente no convite de BIAL ao Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas para criarmos em conjunto uma instituição independente que apoiasse o desenvolvimento científico na área das ciências da saúde, que veio a chamar-se Fundação BIAL. E participou com o Prof. Manuel Baganha, o Dr. João Vieira de Castro e eu na elaboração dos estatutos da Fundação; vindo a integrar o seu Conselho de Administração – como representante do CRUP – durante os dezassete anos seguintes. Marcou significativamente a vida da Fundação.
Quando em 2010 saiu da administração, por limite estatutário de idade, foi substituído pela Prof. Maria de Sousa, que também deu um importante contributo à Fundação, nomeadamente no que respeita à qualidade dos projetos de investigação científica apoiados. Ambos e o Prof. António Sousa Pereira presidiram a diferentes edições do júri do Prémio BIAL, no qual participaram também outros docentes da escola.
As Professoras Paula Coutinho (1992), Maria de Sousa (1994) e Teresa Coelho (2020) vieram a vencer o Prémio BIAL, que também distinguiu com menções honrosas o Prof. José Maria Pereira Monteiro (1984 e 1986) e a Prof. Maria João Saraiva (2002). A Fundação BIAL tem apoiado diversos projetos de investigação do ICBAS e, finalmente, associou-se em 2022 à família do Prof. Nuno Grande e à Direção da Escola, presidida pelo Prof. Henrique Cyrne de Carvalho, para a criação da Bolsa de Doutoramento Nuno Grande, destinada a apoiar trabalhos de investigação por médicos, no âmbito do programa doutoral do ICBAS.
Admiro, desde a sua criação, esta escola multidisciplinar e multiprofissional na área das Ciências da Vida, que integra há 50 anos a Universidade do Porto, bem como a sua capacidade de se desenvolver e reinventar. Tenho muito gosto que, nos últimos 30 anos, alguns representantes do ICBAS tenham tido um papel preponderante no desenvolvimento da Fundação BIAL. Mas também tenho muito gosto que a Fundação tenha distinguido e apoiado vários profissionais do ICBAS, apoiando o desenvolvimento da instituição.
Luís Portela
Fundação Bial
ICBAS, 03.MAR.2025
[Texto anexo à newsletter de fevereiro 2025]