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Falecimento do Professor Doutor Rui Appelberg Gaio Lima

Professor Catedrático do ICBAS faleceu aos 60 anos

A toda a comunidade académica ICBAS,

O Conselho Executivo cumpre o doloroso dever de informar que o Professor Doutor Rui Appelberg Gaio Lima faleceu no passado sábado, dia 08 de agosto.

Rui Appelberg era Professor Catedrático no ICBAS, atualmente no Departamento de Imuno-Fisiologia e Farmacologia. Neste Instituto, participou, desde 1984, no ensino de Microbiologia Geral e Imunologia.

Ao longo da sua carreira, desenvolveu intensa atividade de investigação na área das infeções micobacterianas, com grande reconhecimento nacional e internacional pelos seus pares. Entre as múltiplas distinções que recebeu pelas suas realizações científicas, contam-se o Prémio Pfizer e o Prémio Roussel, em várias ocasiões; o prémio Boa Esperança; o prémio Fundação Engº António de Almeida e o prémio Abel Salazar. Foi ainda coautor de trabalhos distinguidos com o Prémio Ricardo Jorge de Saúde Pública.

Rui Appelberg era uma figura maior da nossa Escola, cujo legado científico se encontra bem vivo em várias gerações de investigadores.

O Conselho Executivo, em nome do ICBAS, manifesta o seu profundo pesar e apresenta as mais sentidas condolências.


Em memória...

"Há pessoas que têm reconhecimento do seu mérito apenas muitos anos após a sua morte; outros têm a felicidade de viver o reconhecimento em vida. Não é para a maioria desses muito importante o convívio com o sucesso efémero que a distinção entretanto condiciona, porque o que é realmente importante é conseguir ter a sorte de viver intimamente a ideia, o ato, o modelo, que constitui o avanço, o benefício. Muitos dos responsáveis por grandes descobertas científicas decidiram permanecer no anonimato, porque o importante não eram eles mas os outros. O Professor Rui Appelberg faz parte deste grupo restrito de pessoas que estão acima da maioria, porque a natureza os privilegiou com uma inteligência superior, que utilizam a favor da ciência e da transmissão do conhecimento. O ICBAS ficará sempre devedor por tudo o que o professor Rui Appelberg constitui para o benefício da nossa escola. O seu sucesso vai manter-se nas pessoas que com ele partilharam formação e conhecimento. O Rui estará sempre dentro do ICBAS. Muito obrigado Rui."

Henrique Cyrne Carvalho, Diretor do ICBAS

"O Rui foi um hino à diferença; genuinamente desconcertante, um exemplo, uma inspiração. O Rui respirava ICBAS, pensando e projetando a Escola de  forma disruptiva, sempre com a inteligência e a sagacidade  características. Não será esse o ICBAS que, também, queremos? Bem hajas!"

António Mira da Fonseca, Subdiretor do ICBAS

"Dia estranho este em que se sabe da morte de Rui Gaio Lima. Acho que posso generalizar afirmando que a notícia nos deixou a todos, seus colegas, incrédulos. Rui colega de departamento, Rui colega do ICBAS e espírito hipercrítico com quem acabei por ter alguma maior proximidade por intermédio de dois outros colegas e amigos. Falo das conversas com o José Augusto Pereira relacionadas com BTT – essa outra forma de descoberta que o Rui partilhava. Falo ainda das conversas sobre ciência juntamente com o Manuel Vilanova. E acrescento que por via da sua admiração pelo saber imunologia que caracterizava o Rui e se referia não só ao conhecimento imunológico, mas também ao processo pelo qual se tinha chegado a esse conhecimento e que achava por bem transmitir aos estudantes, não pude deixar de, também eu, admirar o Rui. Mas o meu testemunho é motivado pela figura do Rui cientista e tem origem num trabalho em que me tenho envolvido nos últimos tempos – devo pois falar do imunologista que sobressai quando se explora a dinâmica da área de investigação em imunologia em Portugal, do imunologista que discretamente contribui para a centralidade do ICBAS nesse domínio, do imunologista a quem – estou convencida – o ICBAS deve um tributo."

Maria Strecht Almeida, Departamento de Biologia Molecular

"O Professor Rui Appelberg, foi alguém que aprendi a respeitar pela sua erudição científica e pela sua capacidade pedagógica. Pude aprender muito com ele, enriquecendo-me como cientista e como docente universitário. Possuidor de um saber transversal, vasto, sólido, dificilmente encontraria melhor exemplo para a ideia que tenho de Professor Catedrático. Como colega, testemunhei nele uma generosidade verdadeiramente desinteressada e uma sinceridade a toda a prova. Às vezes cortante, mas sempre bem-intencionada. Sendo uma personalidade maior, não necessitava de o afirmar. A sua perda deixa-me uma sensação de injustiça, por tudo aquilo que não foi possível retribuir-lhe. Terei agora de partilhar com outros amigos a garrafa de Mirabilis que tinha combinado partilhar com o Rui, sem a expectativa da desforra gastronómica que certamente iria prometer. Raio de vida..."

Manuel Vilanova, Departamento de Imuno-Fisiologia e Farmacologia

"Custa-me muito pensar que os estudantes não poderão mais contar com ele como Professor. Os azedumes que provocou em muitos são públicos. Mas prefiro lembrar o compreensível fascínio que causou em alguns. Na primeira aula do primeiro ano em que funcionou a disciplina opcional de “Biologia de Infeção” para o Mestrado em Bioquímica, pedi a cada estudante para se apresentar e dizer porquê que escolheu a cadeira. Uma aluna que ficou para o fim, lá do fundo da sala, respondeu: “Eu não vou fazer a cadeira. Só vim aqui hoje porque me disseram que era com o Prof. Rui Appelberg”. Também no i3S a sua falta será imensa. Muitos tremeram ao vê-lo levantar a mão para intervir, no meio da assistência de um seminário. Mas muitos, muitos outros, procuraram-no para partilhar e obter validação para uma ideia nova, para obter a sua visão única sobre um novo achado, ou simplesmente para tagarelar sobre o estado das coisas. Nunca as suas respostas foram as que se esperavam. Nunca deixou ninguém indiferente ou igual ao que era antes. Tive esse imenso privilégio. Aprendi a fazer Ciência com o Rui e isso é muito diferente de aprender com qualquer outra pessoa. Não conheci ninguém mais exigente, mais honesto ou mais brilhante. Por isso mesmo, é óbvio que não aprendi só Ciência. Beneficiei sempre da sua enorme generosidade. Ele dava muito às pessoas que o rodeavam, incluindo bens tangíveis - boa comida, boa bebida, boa música - mas sobretudo a riqueza, a provocação, a insatisfação constante, do seu intelecto único. Obrigada, Rui!"

Maria Salomé Gomes, Departamento de Biologia Molecular

"Fiquei triste, fiquei muito triste ao saber da morte do Rui. Não sei explicar… eu nem sequer era uma grande amiga do Rui mas tinha grande empatia por ele. O Rui foi meu colega de departamento onde foi também diretor. Nessa altura eu fui vice-diretora mas não posso dizer que colaboramos na gestão do departamento. Na realidade, o Rui foi diretor por "imposição" do departamento e completou o seu mandato sem grandes inovações mas cumprindo o que era necessário. O Rui era uma pessoa simples, verdadeira e que não gostava de poder nem hierarquias. Era um professor e investigador genial, empenhado e trabalhador. Não se acomodava, era inquieto, irreverente e um eterno insatisfeito. O Rui representava para mim muito do espírito do ICBAS. Obrigada Rui e até sempre!"

Rosário Almeida, Departamento de Biologia Molecular

"Tive a sorte de conhecer o professor Rui Appelberg este último ano. A sua forma de estar e ser nas suas aulas impuseram o maior respeito que o aluno pode ter por um pedagogo. O professor inevitavelmente induzia em nós um combate interior cujos nobres elementos eram os limites do nosso conhecimento e a aceitação da nossa ignorância. Quem conseguisse ultrapassar esta luta nas suas aulas tinha o prazer de receber a sua ajuda. Esta forma de aprender é o apoio mais digno que um aluno pode receber – a promoção do nosso próprio pensamento crítico. Fora de aulas, aprendi com o professor de que o pensamento não tem fronteiras espaciais - o Estudante pode e deve pensar no que aprende fora do ambiente onde o aprendeu. Gostava de o ter conhecido melhor. Obrigado, professor. Em mim deixa o gosto pela Imunologia, a liberdade do conhecimento, o pensamento crítico e a valorização das restantes partes da vida."

Tomás Araújo, Estudante do MIM

 


Sobre Rui Appelberg Gaio Lima

Licenciado em Medicina (ICBAS, 1984), doutorado em Microbiologia (ICBAS, 1992) e Agregado em Microbiologia (ICBAS, 2002). Rui Appelberg era atualmente Professor Catedrático no Departamento de Imuno-Fisiologia e Farmacologia do ICBAS, tendo integrado o Instituto, como monitor, em 1984. Era também membro integrado do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S). Foi Interno Geral no Hospital de Santo António do Porto.

Ainda enquanto estudante de Medicina, inicia a atividade de investigação no grupo de Manuel Teixeira da Silva, no antigo Centro Citologia Experimental da Universidade do Porto. Criou posteriormente o seu próprio grupo de investigação, tendo explorado particularmente a identificação dos mecanismos imunitários de proteção contra infeções micobacterianas e a imunopatologia resultante dessas infeções. Orientou vários estudantes de doutoramento. Participou e foi Investigador Responsável de múltiplos projetos de investigação nacionais e internacionais.

A qualidade do seu trabalho foi reconhecida com várias distinções: 1º Prémio Pfizer, em 1991, 1994 e 1997; Prémio Roussel, em 1990 e 1994; Prémio Boa Esperança, em 1989; Prémio Abel Salazar, em 1985; Prémio Fundação Engº António de Almeida, em 1985. Foi ainda coautor de trabalhos premiados com o Prémio Ricardo Jorge de Saúde Pública e uma Menção Honrosa do mesmo Prémio, em 2006.

Publicou mais de uma centena de artigos científicos em revistas internacionais, tendo recebido um elevado número de citações (h-Index 40).

Professor Rui Appelberg
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