Epistemologia e História da Psicologia
Ocorrência: 2006/2007 - A
Ciclos de Estudo/Cursos
Objetivos
Esta disciplina pretende iniciar os alunos nas grandes tradições epistemológicas para, em seguida, as aplicar às ciências psicológicas e do comportamento. Este exercício visa desenvolver o espírito critico e possibilitar orientações e escolhas epistemologicamente fundadas no seio da diversidade dos grandes sistemas da Psicologia.
Programa
1. Introdução: a importância da Epistemologia na História da Psicologia
2. A abordagem histórica da Psicologia
a) Descrição da evolução do saber psicológico: a ligação à Filosofia e às ciências da natureza, e a fase de autonomia. Critérios de organização do saber por conteúdos e por sistemas teóricos, fazendo referência aos principais trabalhos e autores.
b) Crítica do saber psicológico: relativização do conhecimento histórico a partir da reflexão crítica sobre as suas condições de construção. Historiografia clássica e sua crítica.
3. Abordagem epistemológica da Psicologia
a) Métodos de análise histórico-epistemológicos da ciência e condições da sua aplicação à Psicologia; a Epistemologia na formação do espírito científico.
b) A aquisição de modelos de análise histórico-epistemológicos: epistemologia anglo-saxónica e francesa através da teoria das revoluções científicas (Kuhn), racionalismo dialéctico (Bachelard) e sua aplicação às Ciências Sociais (Althusser) e à Biologia e Medicina (Canguilhem), racionalismo crítico (Popper), positivismo (Comte) e arqueologia-genealogia do saber (Foucault).
4. Abordagem histórico-epistemológica da Psicologia: análise crítica das diferentes epistemologias e proposta de uma visão integrativa.
Bibliografia Principal
- Bachelard, G. (1971). A epistemologia. Lisboa: Edições 70.
- Bachelard, G. (1980). La formation de l'esprit scientifique. Paris: Ed. J. Vrin.
- Bachelard, G. (1986). O novo espirito cientifico. Lisboa : Edições 70.
- Bachelard, G. (1991). A filosofia do não. Lisboa : Editorial Presença.
- Bertalanffy, L. (1973). Théorie génerale des systèmes. Paris : Dunod.
- Braunstein, J.F. & Pewzner, E. (2003). História da Psicologia. Lisboa: Instituto Piaget.
- Brennan, J. (1994). History and Systems of Psychology. New Jersey: Prentice Hall.
- Carrilho, M. M. (1991). Epistemologia : posições e criticas. Lisboa : Fundação Calouste Gulbenkian.
- Comte, A. (1947). Discurso sobre o espirito positivo. Lisboa : Seara Nova.
- Comte, A. (1979). Catecismo positivista. Lisboa : Publicações Europa-América.
- Comte, A. (sem data). O espirito positivo. Lisboa: Editora Rés.
- Davidoff, L. (1983). Introdução à Psicologia. São Paulo: McGraw-Hill. (tradução, edição original 1976)
- Foucault, M. (1972). Histoire de la folie à l'age classique. Paris : Ed. Gallimard.
- Foucault, M. (1987). A arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária.
- Foucault, M. (1988). As palavras e as coisas. Lisboa : Edições 70.
- Foucault, M. (1994). O nascimento da Clínica. Rio de Janeiro : Forense-Universitária.
- Foucault, M. (1995). Vigiar e punir, nascimento da prisão. Petrópolis : Vozes.
- Fraisse, P. & Piaget, J. (1963). Traité de Psychologie Experimentale, vol I - Histoire et Méthode. Paris: PUF.
- Gleitman, H. (1993). Psicologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
- Hergenhahn, B.R. (2001). Introducción a la Historia de la Psicologia. Madrid: Paraninfo Thomson Learning.
- Kuhn, T. (1989). A tensão essencial. Lisboa: Edições 70.
- Kuhn, T. (1994). A estrutura das revoluções cientificas. São Paulo : Editora Perspectiva, 3ª edição.
- Lagache, D. (2001). A unidade da Psicologia. Lisboa: Edições 70.
- Le Moigne, J. (1995). Les épistemologies constructivistes. Paris: PUF.
- Lloret, A.F., Nino, E.L. & Narciandi, J.C.L. (2001). Lecturas de História de la Psicologia. Madrid: Universidad Nacional de Educación a Distancia.
- Marx, M. & Hillix,W. (1973). Sistemas e Teorias em Psicologia. São Paulo : Editora Cultrix.
- Morin, E. (1994). Ciência com consciência. Lisboa : Publicações Europa-América.
- Mueller, F. (1976). História da Psicologia, vol. I e II. Lisboa : Publicações Europa-América.
- Popper, K. (1973). La logique de la decouverte scientifique. Paris : Payot.
- Popper, K. (1991). Sociedade aberta, universo aberto. Lisboa : Publicações Dom Quixote.
- Popper, K. (1992). O universo aberto. Lisboa : Publicações Dom Quixote.
- Reuchlin, M. (1986). História da Psicologia. Lisboa: Dom Quixote.
- Schultz, D. & Schultz, S. (1992). História da Psicologia Moderna. São Paulo: Editora Cultrix, 5ª edição.
- Stern, W. (1981). Psicologia geral. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2ª ed.
- Veyne, P. (1971). Comment on écrit l'histoire. Paris: Editions du Seuil.
Bibliografia Complementar
- Agra, C. (1986). Science, maladie mentale et dispositifs de l'enfance, du paradigme biologique au paradigme systemique. Lisboa : INIC.
- Alferes, V. R. (1997). Investigação científica em Psicologia, teoria e prática. Coimbra : Almedina.
- Caparrós, A. (1999). História da Psicologia. Lisboa: Plátano Edições Técnicas.
- Ford, D. & Lerner, R. (1992). Developmental systems theory, an integrative approach. Newbury Park : Sage.
- Jesuíno, J.C. (1994). O que é a Psicologia. Lisboa: Difusão Cultural.
- Moigne, J. (1990). La théorie du système génèrale, théorie de la modélisation. Paris : PUF.
- Reuchlin, M. (1989). Métodos na Psicologia. Lisboa : Teorema.
- Reuchlin, M. (1993). Psychologie. Paris: PUF, 10ª ed.
- Wertheimer, M. (1978). Pequena História da Psicologia. São Paulo: Companhia Editora Nacional.
Métodos de ensino e atividades de aprendizagem
Aulas teóricas e aulas práticas.
Tipo de avaliação
Avaliação distribuída com exame final
Obtenção de frequência
A nota de aprovação da disciplina resulta da aplicação da fórmula na qual o exame escrito representa 80% da nota e cada um dos dois trabalhos praticos representa 10%.
Para ser aprovado o aluno terá de frequentar 75% das aulas práticas previstas, obter a nota mínima de 8 valores em cada trabalho pratico, a nota mínima de 8 valores no exame final e o somatório da nota dos trabalhos práticos e do exame ser igual ou superior a 9,5 valores.
A assiduidade inferior a 75% nas aulas praticas implica a não admissão ao exame final da disciplina.
Fórmula de cálculo da classificação final
A classificação final é calculada somando a nota obtida nos 2 trabalhos práticos e no exame. O exame final representa 80% da nota e os dois trabalhos praticos representam 20% (cada um representa 10% da nota) da nota final.
Provas e trabalhos especiais
Os alunos com estatuto especial (ex: trabalhador-estudante, atleta de alta competição,etc) poderão optar pela realização de dois trabalhos individuais (um por semestre) com apresentação escrita, obedecendo este trabalho a critérios de avaliação diferentes dos exigidos para os trabalhos de grupo com apresentação oral. Cada trabalho representa 10% da nota, representando o exame escrito 80% da nota.
Avaliação especial (TE, DA, ...)
Os alunos que possuam um estatuto especial (ex: trabalhador-estudante, dirigente asociativo, atleta de alta competição, etc) podem optar por apresentar os dois trabalhos práticos no formato escrito e individualmente. Mantém-se a proporção de 10% da nota final ser representada por cada um dos dois trabalhos e do exame representar 80% da nota.
Melhoria de classificação
A melhoria de nota é efectuada a partir do exame, mantendo-se a nota obtida nos trabalhos práticos.