Resumo (PT):
Dado o estigma predominante, os/as jovens de minorias sexuais e de género sofrem
mais bullying e apresentam piores resultados de saúde mental, quando comparados/as aos
seus e às suas pares cisheterossexuais. No entanto, a comunidade LGBTQ+ é um grupo
heterogéneo e impactos diferenciais são esperados em função das características de
orientação sexual, identidade de género ou expressão de género (SOGIE). No presente
trabalho, procuramos explorar as diferenças nas experiências de bullying (generalizado e
baseado em SOGIE) e resultados de saúde mental e bem-estar (depressão major, ansiedade
generalizada, autoestima, risco de suicídio e comportamentos autolesivos) de jovens
LGBTQ+ e cisheterossexuais, com idades compreendidas entre os 14 e os 19 anos, que
frequentam escolas portuguesas (N = 1,177), tendo em conta as suas características SOGIE.
Para entender essas diferenças, foram realizados testes qui-quadrado, testes ANOVA e testes
t entre grupos normativos e não normativos. Investigamos ainda o papel preditivo do
bullying generalizado e baseado em SOGIE na saúde mental dos participantes, controlando
características sociodemográficas (idade e estatuto socioeconómico) e características
SOGIE. Em geral, os participantes com características SOGIE não normativas relataram
mais experiências de bullying e apresentaram piores resultados de saúde mental. Apenas o
bullying generalizado, mas não o bullying baseado em SOGIE, foi um preditor significativo
de resultados de saúde mental. Os resultados sugerem que aqueles que se identificam como
não-heterossexuais, não-cisgéneros e não-conformes em relação à sua expressão de género
são mais vulneráveis. Programas escolares direcionados para políticas de bullying e saúde
mental devem considerar essas especificidades.
Idioma:
Inglês
Nº de páginas:
54