Código Oficial: | 6436 |
Sigla: | MEAV |
Identificar a complexidade da ação educativa e as tensões inerentes à arte e educação;
Refletir sobre a relação professor/estudante no campo da educação artística;
Intersectar o contexto artístico com o educativo;
Entender a actividade docente como um questionamento dos discursos do ensino, da educação e da arte;
A actividade docente como prática de investigação e de construção de um posicionamento crítico.
No contexto do Mestrado em Ensino de Artes Visuais, a UC de Psicologia da Educação Artística pretende constituir-se num território de cruzamentos disciplinares em torno das relações entre o artístico, o educativo e o psicológico. A invenção de uma ciência psicológica da educação e da arte, no quadro daquilo que veio a designar-se por Modernidade, é permeada por um intrincado jogo de dualismos e fórmulas de pensamento com implicações directas no campo da educação artística e, em particular, no ensino em artes visuais. Tais dualismos, ao mesmo tempo que perpetuam formas herdadas de pensar e agir artísticos (como por exemplo, forma/conteúdo, meios/fins, emoção/razão, técnica/expressão, entre muitos outros), estendem-se ainda, e não só do ponto de vista meramente conceptual, às diferentes tentativas epistemológicas de legitimar uma educação artística nas instituições formais de ensino-aprendizagem pela via de juízos psicológicos cientificamente estabelecidos. Trata-se, além disso, da procura de uma legitimidade científica cujo exercício parece resultar menos de uma problematização do psicológico e das suas ambiguidades quando aplicado ao campo do artístico e do ensino, do que de uma abordagem às conflitualidades internas que continuamente se atravessam nas dinâmicas culturais, sociais e psicológicas inerentes aos processos de educação artística. De facto, as descobertas de uma psicologia da educação fundada pelos regimes do comportamento e sua observação, do estudo da mente e do desenvolvimento, da inteligência e da motivação, ou até mesmo da aprendizagem, ajudaram, pelo menos desde os inícios do séc. XX, a estruturar um campo de aplicação do conhecimento psicológico à resolução e análise de diferentes problemas oriundos do mundo do ensino-aprendizagem. Todavia, tal lógica de aplicação, mesmo se encarada do ponto de vista dos desafios epistemológicos e científicos que aí estiveram em cena, parece ter desvalorizado em que sentido o contexto, nas suas complexas ordens de especificidade, se constitui numa dimensão relevante nos processos de aprendizagem, e no âmbito dos quais o psicológico adquire um significado próprio à luz das interacções que diferentes actores sociais praticam e produzem nos contextos de educação e formação.
Correspondendo a uma campo de acção social cujas fronteiras se tornaram hoje muito mais exigentes e provocatórias, a educação artística parece situar-se num território de discursos e práticas muito além dos desígnios já proclamados em nome do «bom uso» das artes na educação formal, e no âmbito dos quais as qualidades psicológicas das «expressões artísticas» foram sendo definidas à custa de diferentes programas e modelos pedagógicos, nuns casos instrumentalistas, noutros essencialistas. A propósito, o programa estético-formalista, marcado pela emergência de uma psicologia cognitiva cujo movimento se consolidou na segunda metade do séc. XX, vindo embora instituir as regras pelas quais a percepção dos objectos visíveis actua ao nível da formação de outras estruturas psicológicas consideradas fundamentais nos processos de conhecimento, não foi capaz, porém, de colocar em causa o aparelho disciplinar que desde então opera no ensino em artes visuais – dir-se-ia até, na medida em que dele se serviu, que tal programa tê-lo-á reforçado e ampliado. Ora, atendendo-se a este pano de fundo é necessário reconhecer criticamente que a educação artística na escola é fruto de um conjunto de crenças, valores e ideias profundamente condicionado por tudo aquilo que, num determinado tempo e espaço, se entende ser mais significativo no conhecimento científico e artístico e nos processos de ensino-aprendizagem que a ele se associam. Pensar uma Psicologia da Educação Artística fora de quaisquer dualismos impostos pelo domínio crítico da razão é um projecto ingénuo, se considerarmos as inúmeras forças que estarão em causa na formação de uma subjectividade, histórica e pessoal, que começa na própria experiência de relação com a arte e com os discursos produzidos à sua volta. É no interior destas tensões que esta UC procura um lugar de interrogação, olhando aos processos de influência psicológica e educativa que ocorrem no ensino em artes visuais.- Problematizar criticamente os discursos psicológico, educativo e artístico no ensino em artes visuais;
- debater colectivamente os diferentes modos através dos quais as experiências visuais e artísticas podem ligar-se com a vida psicológica das comunidades e dos grupos sociais;
- pensar diversas relações entre aprendizagem, educação e ensino em artes visuais;
- contribuir para uma concepção do processo de educação enquanto experiência estética.
A abordagem da educação nas instituições educativas e a problematização das suas relações face às especificidades que se reveste o ensino de Artes Visuais no 3º CEB e no Ensino Secundário, constitui o objecto central desta UC.
Partindo do enquadramento disciplinar da Sociologia da Educação pretende-se compreender, por um lado, como a escola contribui para legitimar formas dominantes de conhecimento e construir identidades particulares, e, por outro, como os agentes educativos manipulam, negoceiam ou resistem a essas mesmas identidades, pondo em questão as formas dominantes do saber.
Constituem dimensões estruturantes das temáticas e dos conteúdos programáticos a problematização das relações entre educação, igualdade de oportunidades e cidadanias; os processos de reprodução social e cultural e de produção cultural, as teorias de juventude, género, diversidade e relações étnicas, de exclusão social e escolar.
Esta Unidade Curricular visa proporcionar às/aos estudantes a aquisição e desenvolvimento de conhecimentos teoricamente informados capazes de contribuir para
- ampliar o conhecimento da educação pela inclusão do "olhar" sociológico, com base na identificação de perspectivas sociológicas de educação propostas por autores/as seminais nesta área;
- identificar problemáticas sócio-educativas, sobretudo relativas à Igualdade de Oportunidades, Juventudes e Cidadanias, para a produção de políticas e práticas de inclusão no âmbito do Ensino das Artes Visuais;
- estimular o desenvolvimento da “imaginação sociológica” e de uma atitude analítica, reflexiva e crítica na produção de conhecimentos no campo das Ciências da Educação e das Artes Visuais, capaz de desafiar o naturalismo, individualismo e etnocentrismo das leituras, interpretações e práticas educativas e culturais;
- construir uma profissionalidade docente crítica e enformada de um conhecimento acerca dos principais mecanismos sociais que tanto condicionam a educação artística a uma prática reprodutiva como permitem que a arte possa entrelaçar-se na educação para proporcionar a construção de identidades juvenis de liberdade e formas mais alargadas de cidadania.
- Demonstrar capacidades investigativas, de pesquisa e problematização no ensino em artes visuais e em educação artística;
- Conceber e desenvolver unidades didáticas através de um posicionamento crítico perante as grandes questões da educação/ensino das artes visuais;
- Investir no diário de campo/bordo como uma prática docente no campo da investigação/ação;
- Identificar, analisar e problematizar a atividade educativa do professor de artes visuais, convocando aspetos pedagógicos, curriculares e artísticos;
- Construir posicionamentos críticos relativos às práticas educativas dos professores de artes visuais e de conceitos mobilizados no contexto da educação artística;
- Problematizar o sentido de ser professor em geral e de artes visuais em particular;
- Identificar a complexidade da ação educativa;
- Refletir sobre a condição professor na atualidade;
- Problematizar a especificidade da identidade do professor de artes visuais;
A dinâmica do projeto, mais do que uma verdadeira inovação, pareceria acentuar a sua legitimidade na intercalação entre a rigidez das áreas disciplinares e a aridez, por parte da escola, de acessibilidade ao mundo dos jovens, de um espaço de trabalho susceptível de problematizar a (in) comunicabilidade que entre estes dois mundos – o da escola, por um lado, o dos jovens por outro – parece existir. Conceptualizam-se, nesta Unidade Curricular, modos de trabalho suscetíveis de dar corpo a esta realidade, reconhecendo que o campo das Artes Visuais, enquanto campo disciplinar “híbrido” (no sentido em que não possui, disciplinarmente, um estatuto formalmente electivo; no sentido, por outro lado, em que a sua maior flexibilidade curricular autorizará uma maior aproximação ao mundo dos jovens) possa propor modos de trabalho que corporizam, disciplinarmente, as dinâmicas do trabalho de projecto e que, por essa via, possam consubstanciar modos de trabalho transformativos da própria instituição educativa. Admite-se, no entanto, que a relegação da dinâmica de "trabalho em projeto" para um campo para-disciplinar (não é disciplina, não tem docência atribuída, mas deve mobilizar quer as várias áreas de saberes disciplinares, quer os vários professores dessas áreas), que procura inscrever-se numa dinâmica de trabalho "inter-" e "trans-", ao não colocar ao mesmo tempo qualquer interrogação ao modo des estruturação das disciplinas e dos modos de trabalho pedagógico, tende a inscrever a sua pertinência num mundo fora da escola (veiculado pelos "interesses" dos alunos), desse modo não chegando a problematizá-la (quer quanto à sua organização, quer quanto aos seus modos de trabalho). Nesse sentido, o desenvolvimento da unidade curricular procurará ampliar a noção de projeto, inscrevendo-a em dinâmicas de trabalho pedagógico susceptíveis de interrogar a organização escolar, veiculada nomedamente pela articulação destas dinâmicas com as/dentro das próprias áreas de saberes disciplinarizados, recorrendo para o efeito à metodologia e aos princípios organizadores da "aprendizagem colaborativa" ("Learning by Design") e do Project Based Learning.
Objetivos: - Problematizar as relações inerentes ao processo de aprendizagem na sala de aula - Perceber a diversidade dos sujeitos aprendentes, mas igualmente dos seus modos de aprender - Criar cumplicidades e sequencialidades na relação e no trabalho de aprendizagem - Problematizar aquilo que se avalia, como se avalia e de que modos são esses exercícios integrados na continuidade da aprendizagem, tendo como pressuposto uma avaliação colaborativa e participada - Planificar o trabalho de projeto em contexto de uma disciplina ao longo de um período determinado da programação curricular Competências: - Diferenciar ritmos e modos de aprendizagem, adequando-lhes distintos processos pedagógicos - Mobilizar dispositivos multimodais para a elaboração e avaliação de trabalho formativo - Articular os saberes disciplinares com os saberes experienciais dos alunos Resultados da Aprendizagem: Os formandos desenvolverão em contexto de aprendizagem uma proposta de intervenção segundo os conceitos de pedagogia do projeto e aprendizagem colaborativa, discutindo e fundamentando a adequabilidade da mesma ao contexto disciplinar e escolar.
DAV assume-se como uma UC de questionamento dos discursos instalados e naturalizados em torno das teorias e práticas do professor de artes visuais. Partindo de um entendimento dos programas curriculares de educação artística no ensino básico e secundário como discursos, estabelecem-se os seguintes objectivos:
- aquisição de um posicionamento crítico face às representações contidas nos programas curriculares e aos efeitos de poder nos processos de subjectivação de professores e estudantes;
- desenvolver e desconstruir propostas didácticas a partir de questões específicas;
- interpretar criticamente os textos e tecer argumentos articulando problemas específicos do ensino das artes visuais com a sua transposição didáctica.
O conhecimento dos programas das disciplinas de Educação Visual, Desenho, História da Cultura e das Artes, Geometria Descritiva, Oficina de Artes, bem como das Metas Curriculares de Aprendizagem é objectivo desta UC, sendo que os estudantes serão convidados a desenvolver propostas de trabalho de carácter didáctico, a partir de posicionamentos contemporâneos em educação artística e tendo em atenção questões particulares desenvolvidas ao longo do semestre em relação às relações poder/saber e produção de conhecimento.
- Refletir sobre a questão da produção do conhecimento científico enquanto atividade humana específica;
- atribuir especificidades a processos de investigação e de intervenção em educação artística e, particularmente, no ensino em artes visuais;
- tomar decisões apropriadas, em termos de investigação e de intervenção, tendo em consideração aquelas especificidades;
- recorrer, de modo crítico e refletido, a paradigmas e metodologias de investigação e de intervenção em educação;
- analisar criticamente as potencialidades descodificadoras da realidade das diferentes metodologias de pesquisa;
- elaborar um desenho, metodologicamente informado, do projecto de investigação e de intervenção a desenvolver
- integrar as “linguagens artísticas” como formas de produção de conhecimento
Ser capaz de discutir criticamente diferentes compreensões do que são comunidades e identificar as tensões subjacentes às diferentes definições.
Conhecer e apropriar os princípios centrais de uma intervenção comunitária crítica e comprometida com a transformação social.
Conhecer os modos específicos em como a arte se pode constituir um elemento relevante para a mudança comunitária e a transformação social.
Ser capaz de discutir criticamente exemplos concretos de projectos artísitcos de intervenção em comunidades.
No âmbito do Mestrado em Ensino das Artes Visuais no 3º ciclo e no ensino secundário, pretende-se, com esta unidade curricular, contribuir para a formação de professores reflexivos e implicados, capazes de contextualizar a escola enquanto instância organizacional e institucional complexa.
- A compreensão global dos modos de organização e de funcionamento do estabelecimento de ensino (escola/agr. de escolas) e, nomeadamente, das articulações dos seus órgãos, como: Assembleia de Escola; Conselho Pedagógico; Conselhos de Turma; Departamentos Curriculares, entre outros
- A compreensão dos modos de organização e leccionação de conteúdos curriculares de disciplinas do grupo 600 (face aos públicos específicos de aprendentes) e dos seus modos de articulação com as restantes disciplinas do plano de estudos, a partir dos espaços formais de trabalho e gestão interdisciplinar
- O desenvolvimento de trabalho de colaboração com o professor cooperante na relação de aprendizagem, bem como noutras funções inerentes ao desempenho docente
- O desenvolvimento de trabalho lectivo em articulação com o professor da disciplina
Os conhecimentos reportam-se àqueles que subjazem ao estudo de processos e possibilidades de investigação em educação artística, em especial os conhecidos como “investigação baseada em artes”, visando:
- A construção teórico-epistemológica que situe ser e agir profissionais e evidencie olhares e modos de articulação entre a acção e a reflexão crítica
Aptidões:
- A capacidade de ler uma realidade dada e de sobre ela elaborar uma descrição que dê conta dos aspectos e contornos mais salientes da mesma
- A capacidade de transformar problemas identificados em problemáticas contextualizadas e articuladas