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Professora da FMUP explica em livro diferenças entre gémeos idênticos

Alexandra Matias é a editora de uma obra internacional que reúne a visão de diferentes especialistas sobre o tema

alexandra matias_fmup

O nascimento de gémeos monozigóticos é considerado um evento raro, já que ocorre apenas em cerca de 0,3% das gestações. Com o objetivo de desmistificar a ideia de que os gémeos idênticos podem, afinal, ser bem diferentes, "nasceu" um livro onde um grupo de especialistas internacionais discorre sobre factos e perspetivas acerca do tema. A obra é editada por Alexandra Matias, professora associada da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), em colaboração com o médico israelita, Isaac Blickstein, um dos autores mais reconhecidos no mundo dos gémeos.

Esta não é a primeira vez que a docente da FMUP escreve sobre o assunto. Em 2011, Alexandra Matias havia já publicado um artigo científico intitulado «Why are monozygotic twins different?». “De forma algo provocatória, o texto chamava a atenção para as várias diferenças entre gémeos ditos idênticos”, recorda a autora.

Nove anos mais tarde, a médica obstetra edita agora «Developmental and Fetal Origins of Differences in Monozygotic Twins», uma obra que examina então as principais causas de discordância em gémeos monozigóticos e sua relevância para estudos futuros e tratamento clínico.

Ao longo de mais de 360 páginas, são vários os contributos de especialistas nacionais e internacionais, de áreas desde a obstetrícia, pediatria, psicologia, direito, epidemiologia, entre outras. Da U.Porto, participam também como autores de capítulos os investigadores Sara Silva e Nuno Montenegro, ambos da FMUP.

Publicada pela Elsevier, a maior editora científica do mundo, a obra é ilustrada por 22 retratos de gémeos monozigóticos, que foram fotografados em diferentes idades ao longo da vida pelo fotógrafo Tiago Martins.

Afinal os gémeos são ou não idênticos?

"Pensa-se geralmente que os gémeos monozigóticos nascem geneticamente idênticos, mas, na verdade, eles podem ser muito diferentes", esclarece Alexandra Matias. E justifica: "Há uma combinação complexa e dinâmica de fatores genéticos, epigenéticos e ambientais, que atuam em conjunto para moldar o genótipo e redefinir o fenótipo final".

A docente da FMUP adianta ainda que, numa análise do ponto de vista fenotípico a dois irmãos gémeos, isto é, "ao conjunto de características morfológicas, psicológicas e comportamentais de cada um", se verificam muitas diferenças entre ambos.

"Apesar da aparência física muito semelhante e de ser difícil de os distinguir, por exemplo, os gémeos monozigóticos não possuem as mesmas impressões digitais, a mesma estatura, o mesmo comportamento, as mesmas doenças, e, às vezes, nem o mesmo cariótipo.", exemplifica.

Uma fonte de inspiração artística

Ao longo dos anos, os gémeos sempre despertaram a curiosidade dos humanos. Por esse motivo, não estranha que sejam os sujeitos principais de muitos mitos e contos populares presentes em diversas culturas e países.

"Existem populações na Ásia e em África que têm uma mitologia em torno dos gémeos, geralmente assumido como símbolo de fertilidade e boa sorte.", conta a autora num dos capítulos da obra.

São muitos os exemplos de gravidez de gémeos presentes em obras de artistas de quase todos os períodos históricos, desde os tempos antigos grego e romano. Alexandra Matias acredita que "os gémeos são e serão sempre uma fonte de inspiração artística e cultural por causa da sua raridade, dimensão mística e mágica. Ser igual nunca foi tão diferente.", conclui a autora.

Motivados pela importância que o tema teve e ainda tem na arte nos dias de hoje, os autores desafiaram o músico Pedro Abrunhosa a colaborar neste livro. O reconhecido artista portuense assina o prefácio "filosófico" da obra, juntamente com Enrico Lopriore, professor da Faculdade de Medicina de Leiden (Países Baixos), ele próprio gémeo monozigótico.
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