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Harvey Max Chochinov é o novo Doutor Honoris Causa pela U.Porto

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FMUP acolheu cerimónia com apelos à valorização da dignidade humana

honoris causa

Gratidão, emoção e algumas lágrimas marcaram a cerimónia de 
Doutoramento Honoris Causa de Harvey Max Chochinov pela Universidade do Porto, sob proposta da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP). 

Foi no dia 22 de abril, na Aula Magna, que o professor e psiquiatra canadiano, considerado um dos nomes maiores dos cuidados paliativos a nível mundial, foi agraciado com o título, na presença do diretor da FMUP, Altamiro da Costa Pereira, como padrinho, e do reitor da U. Porto, António Sousa Pereira.

Também participaram Rui Nunes, professor e diretor do Mestrado e do Doutoramento em Cuidados Paliativos da FMUP, que assumiu o papel de elogiador, além de Francisca Rego, como mestre de cerimónias, e de Guilhermina Rego, subdiretora da Faculdade. 

Muitos professores, investigadores, estudantes e membros da comunidade académica, bem como responsáveis de outras unidades orgânicas e de organizações da sociedade, como a Liga Portuguesa contra o Cancro, estiveram presentes, na assistência, para acompanhar esta distinção ao criador da Terapia da Dignidade e cofundador do Canadian Virtual Hospice. 

A subdiretora da FMUP entende  que a disponibilidade para colaborar e a aceitação desta distinção da parte do novo Doutor Honoris Causa prestigiam esta instituição. Para Guilhermina Rego, este é “um enorme passo para a FMUP ao permitir aprofundar a formação avançada e a aquisição de competências na área da terapia da dignidade, nomeadamente através da sua participação como membro da Comissão Científica do recém-criado Curso de Especialização em Terapia da Dignidade em Cuidados Paliativos”.  

Enaltecendo “a trajetória profissional” e “o excecional mérito de que esta se reveste e o impacto científico internacional do homenageado”,  Rui Nunes afirmou que “uma moderna visão do Planeamento Antecipado de Cuidados deve incluir a terapia da dignidade, “uma das intervenções não farmacológicas mais estudadas e valorizadas” e “uma estratégia terapêutica que contribuiu decisivamente para o ensino e formação avançada em cuidados paliativos em Portugal e no mundo”. 

Na sua intervenção, Harvey Max Chochinov confessou-se “comovido e emocionado” com a atribuição do título, considerando, porém, que esta cerimónia constitui, sobretudo, uma “celebração de ideias” sobre o que significa “ser humano”. “Um dos resultados dos nossos estudos mostrava que o sentido de dignidade era influenciado principalmente pelo modo como os doentes eram percebidos pelos outros. Cuidar não é, portanto, apenas sobre o que se faz, mas sobre o modo como se olha”, realçou.   

Durante a sua investigação sobre a dignidade, o psiquiatra percebeu que, para alguns doentes incuráveis ou em fim de vida, a ideia de não serem lembrados ou de não terem feito alguma diferença provocava angústia. A partir daí desenvolveu a Terapia da Dignidade, uma terapia psicossocial internacionalmente reconhecida e aplicada. 

Ao longo de duas décadas, tem formado terapeutas em todo o mundo, incluindo em Portugal. A terapia inclui conversas com as pessoas em fim de vida e a sua transcrição, constituindo um documento de legado através do qual são transmitidas aos entes queridos memórias ou conselhos, por exemplo. “As pessoas querem ser vistas, reconhecidas. Todos têm uma história única”, afirmou, sublinhando a importância da humanização mesmo nas áreas mais tecnológicas.  

O que propõe é uma lógica de cuidados centrados na perspetiva dos doentes e não dos profissionais, que podem ter estereótipos e vieses assentes nos seus próprios preconceitos e ideias sobre o fim de vida. Aos estudantes de Medicina, implorou mesmo que olhem para além dos livros, que vejam os seus doentes e que lhes mostrem que eles importam, mesmo que os seus corpos estejam “quebrados" e “sob ataque”. “Os doentes não irão preocupar-se com o que vocês sabem até saberem que vocês se preocupam”, ensinou.  

Para o novo Doutor Honoris Causa, o mundo atual, em que prevalecem o ódio e a destruição, “precisa desesperadamente de compaixão”. Porque “todos partilhamos a vontade de sermos vistos e de sermos amados”. No espaço habitado recentemente por astronautas ou numa cama onde a vida se aproxima do seu final, “estamos todos ligados por um laço: o da nossa vulnerabilidade. Como respondemos a essa vulnerabilidade é o que nos define”.

Harvey Max Chochinov publicou mais de 350 trabalhos científicos sobre temas como depressão, qualidade de vida, suicídio, vulnerabilidade, espiritualidade e sofrimento existencial. É autor do livro Dignity Therapy: Final Words for Final Days, vencedor do Prose Award, em 2011. Escreveu Dignity in Care: The Human Side of Medicine e In Search of Dignity: A Lifetime of Reflections. É coeditor de obras de referência, designadamente The Handbook of Psychiatry in Palliative Medicine (Oxford University Press) e Palliative and Supportive Care (Cambridge University Press).

Recebeu numerosos prémios e distinções, com destaque para o FNG Starr Award da Associação Médica Canadiana. É membro da Royal Society of Canada e da Canadian Academy of Health Sciences, tendo sido agraciado com a Medalha do Jubileu de Ouro da Rainha, a Ordem de Manitoba e o grau de Oficial da Ordem do Canadá. Em 2020, foi integrado no Canadian Medical Hall of Fame. 

Na sua colaboração com a FMUP, está ligado ao Programa Doutoral e ao Mestrado em Cuidados Paliativos e participa em júris de agregação e de doutoramento, entre outras iniciativas.

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