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Professor da FMUP agregou-se em Ciências Cardiovasculares

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Júri elogiou «brilhantismo» de Roberto Roncon de Albuquerque em provas «ímpares»

Roberto Roncon

Foi perante uma Aula Magna preenchida com professores, investigadores, estudantes, profissionais de saúde, amigos e familiares que Roberto Roncon de Albuquerque fez as suas Provas de Agregação em Ciências Cardiovasculares pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), no passado dia 15 de julho.

Foram muitos os elogios públicos que os membros do júri lhe dirigiram, no final da sua Lição, intitulada “Oxigenação por Membrana Extracorporal em Medicina Intensiva: Implicações Fisiopatológicas”, técnica em que foi pioneiro e em que tem trabalhado, com vários estudos científicos publicados e em curso.

“As Provas Académicas de Agregação tiveram um grande significado para mim, uma vez que tive a oportunidade única de apresentar o meu trajeto profissional com mais de 20 anos em que procurei conciliar o ensino da Fisiologia e da Fisiopatologia com a atividade clínica nas áreas da Medicina Interna e da Medicina Intensiva, assim como com a atividade de investigação de translação e clínica na área da oxigenação por membrana extracorporal (ECMO)”, reage o professor da FMUP.

Apontado como um dos maiores especialistas nesta área, Roberto Roncon de Albuquerque focou a sua lição nos resultados da investigação que realizou, assim como nos desafios organizacionais para garantir a excelência e a equidade no acesso ao ECMO no nosso país. A técnica teve grande repercussão em termos de saúde pública, sobretudo com a utilização do ECMO em doentes graves durante a pandemia de gripe A (H1N1) e, depois, durante a pandemia de COVID-19 (SARS-COV-2).

Conforme explica, “o ECMO é uma técnica de suporte vital extracorporal cada vez mais utilizada em Medicina Intensiva, em que o conhecimento da fisiopatologia cardiopulmonar é vital para a correta monitorização e tratamento dos doentes. Apesar das inúmeras evoluções tecnológicas, esta técnica continua a apresentar um conjunto de complicações frequentes e potencialmente graves, recomendando-se a concentração de experiência em Centros de Referência com capacidade 24/7 de resolução das principais complicações vasculares e cardíacas”.

Relativamente às indicações clínicas atuais, “se no ARDS grave as recomendações internacionais preveem a utilização do ECMO em casos selecionados, o seu papel no tratamento do choque cardiogénico pós-enfarte agudo do miocárdio ainda é alvo de intensa investigação e discussão. A sua utilização na paragem cardiorrespiratória refratária, por sua vez, deve integrar-se na reanimação (ECPR) e na doação em paragem circulatória não-controlada”.    

Por fim, as potencialidades da utilização desta técnica no âmbito da doação e transplantação de órgãos nos dadores em paragem circulatória controlada foram também referidas, estando, no entanto, dependentes de alteração legislativa. “Prevê-se que o ECMO venha a desempenhar um papel cada vez mais relevante em Medicina Intensiva. Se a investigação clínica será decisiva para a melhor definição dos critérios de seleção dos doentes, a fisiopatologia será sempre insubstituível para a compreensão dos mecanismos de doença e para a individualização do tratamento”, esclareceu. 

A presidir ao júri, o diretor da FMUP, Altamiro da Costa Pereira, afirmou que estas foram “provas ímpares” prestadas por uma pessoa “ímpar”. Também Adelino Leite Moreira, diretor do Departamento de Cirurgia e Fisiologia desta Faculdade, considerou que “o Roberto é, inequivocamente, uma das pessoas mais inteligentes” que conhece, tendo destacado a sua “capacidade de liderança inata”. Elogios que foram secundados por Inês Falcão Pires, também deste Departamento.

Como arguente, Lino Gonçalves, da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), salientou, na discussão da Lição, o “brilhantismo” do ora candidato ao título académico de agregado, enquanto Amândio Rocha Sousa, professor da FMUP, declarou ter sido um “privilégio” acompanhar, desde o início, a “excelência” da sua carreira”, tendo-o questionado sobre o futuro, caso o colega tenha de optar pela “academia” em exclusividade.

Em causa está a implementação da carreira de docente-clínico e dos Centros Clínicos Universitários, prometida pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins, na sessão comemorativa do Bicentenário da FMUP, no seguimento da recomendação da Comissão Técnica Independente sobre as ULS Universitárias, integrada pelo diretor da FMUP.

Tal como Altamiro da Costa Pereira, para quem “é fundamental que esta “casa” volte a ser “uma instituição escolar”, Roberto Roncon de Albuquerque advoga uma alteração na “estrutura de governo” das instituições, recordando que a atual ULS São João, onde exerce atualmente atividade clínica, nasceu como um “Hospital Escolar”, em 1959.

Pela sua parte, garantiu que não irá abandonar a sua “tripla missão” – assistência, docência e investigação – “enquanto o deixarem” e desejou que a carreira académica seja “protegida pelos decisores políticos”. Os seus projetos para o futuro incluem o desenvolvimento de ensaios clínicos para avaliar o papel do ECMO na diminuição das complicações associadas aos cuidados intensivos como a sedação, a ventilação mecânica invasiva e a imobilização prolongada. O recente projeto da Via Verde do Choque Cardiogénico constitui também uma iniciativa a que atribui a maior relevância e em que espera aplicar “um grande empenho e dedicação”.

Nestas provas, estiveram igualmente presentes, como arguentes, Anabela Mota Pinto, da FMUC, Nuno Neuparth, da NOVA Medical School/Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, e Jorge Correia Pinto, presidente da Escola de Medicina da Universidade do Minho.

Roberto Roncon de Albuquerque graduou-se em Medicina em 2001, na FMUP, onde fez o mestrado em Medicina Molecular, em 2005, e o doutoramento em Medicina, em 2009. Atualmente, é Professor Associado Convidado com Agregação e presidente do Conselho Pedagógico desta Faculdade. É médico especialista em Medicina Interna e em Medicina Intensiva na ULS de São João, onde coordena o Centro de Referência de ECMO.

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