Resumo (PT):
A Vasculopatia Lenticuloestriada é um achado relativamente comum em ecografias transfontanelares, mas a sua patofisiologia e significância clínica permanecem elusivas desde a sua primeira identificação. O objetivo deste estudo foi uma análise descritiva de uma população de recém-nascidos onde tenha sido identificado este achado, para determinar a sua incidência e as suas características e avaliar a presença ou não de possíveis fatores de risco. Foram incluídos todos os recém-nascidos admitidos na Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais que realizaram uma ecografia transfontanelar (n=917) durante um período de 5 anos. Vasculopatia Lenticuloestriada foi detetada em 40 recém-nascidos (4,4%) dos 917 avaliados e foram colhidos dados clínicos referentes aos seus períodos perinatais. Observou-se uma grande variedade de patologias presentes e outros achados ecográficos concomitantes. Não foi detetado nenhum rastreio positivo para infeção por Citomegalovírus. Vasculopatia Lenticuloestriada early-onset foi identificada em 24 (60%) casos, enquanto late onset estava presente nos restantes 16 (40%) casos. Desta forma, observamos que a vasculopatia lenticuloestriada não é um achado raro na nossa população e pode apenas representar um marcador não específico de insulto cerebral no período perinatal. A necessidade absoluta de rastreio de infeção por Citomegalovírus nestes casos, sem outros indicadores patológicos de infeção, deve ser questionada e são necessários melhores critérios de diagnóstico e de classificação, consensuais e validados, para observações mais robustas.
Abstract (EN):
Lenticulostriate Vasculopathy is a relatively common finding in transfontanellar ultrasound, and its pathophysiology and clinical significance have remained elusive since its initial recognition. This study aimed to conduct a descriptive analysis of a population of newborns in whom lenticulostriate vasculopathy had been identified, to determine its incidence and characteristics and assess the presence or absence of possible risk factors. All newborns admitted to the Neonatal Intensive Care Unit who underwent a transfontanellar ultrasound (n=917) over a 5-year period were included. Lenticulostriate vasculopathy was detected in 40 (4.4 %) of the 917 newborns assessed, and clinical data was collected regarding their perinatal periods. A wide variety of pathologies and other concomitant echographic findings were identified. No positive screening for cytomegalovirus infection was detected. Early onset lenticulostriate vasculopathy was identified in 24 (60%) cases, while late onset was present in the remaining 16 (40%) cases. Thus, we observed that lenticulostriate vasculopathy is not a rare finding in our population and may only represent a non-specific marker for cerebral insult in the perinatal period. The absolute necessity of screening for cytomegalovirus infection in these cases, without other pathological indicators of infection, should be questioned, and better diagnostic and classification criteria, consensual and validated, are required for more robust observations.
Language:
Portuguese
No. of pages:
79
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