| Resumo: |
Os impactos ambientais, económicos e sociais associados ao uso de polímeros sintéticos, bem como à sua produção e procedimentos de fim
vida, têm gerado uma preocupação crescente na sociedade atual. A indústria de embalagens representa o maior setor de utilização de plásticos na
Europa, com um total de quase 40%. Motivo este, que leva cientistas e produtores a desenvolver tecnologias com foco na substituição de polímeros
de origem petroquímica por alternativas biodegradáveis e compostáveis.
O ácido polilático (PLA) é um polímero biodegradável produzido a partir de recursos renováveis, com propriedades mecânicas semelhantes às dos
polímeros sintéticos comumente utilizados na indústria das embalagens alimentares. No entanto, algumas das suas propriedades, tais como baixa
resistência ao impacto, baixa resistência térmica, fragilidade e sensibilidade à humidade, limitam a sua aplicação em muitos setores.
Consequentemente, a adição de outros polímeros à matriz do PLA, que sejam renováveis e de baixo custo, como é o caso da lenhina, é uma
alternativa que permite melhorar as suas propriedades e reduzir os custos de produção associados.
A lenhina, o polímero aromático mais abundante na biomassa, que devido aos numerosos anéis aromáticos da sua estrutura, assim como os
diversos grupos funcionais, é um promissor material de partida para diversos compostos de valor acrescentado. Embora grandes quantidades de
lenhina tenham vindo a ser produzidas na indústria da pasta e do papel, ao longo dos anos, a maior parte é queimada para gerar energia e apenas
cerca de 2% da lenhina é utilizada, maioritariamente na formulação de dispersantes, adesivos e surfactantes. A valorização deste recurso renovável
através da produção de compostos de valor acrescentado representa uma oportunidade para a indústria da pasta e papel aumentar a sua eficiênc
operacional e gerar receitas adicionais através da exploração de subprodutos, da diversificação do seu portfólio de produtos e do  |
Resumo Os impactos ambientais, económicos e sociais associados ao uso de polímeros sintéticos, bem como à sua produção e procedimentos de fim
vida, têm gerado uma preocupação crescente na sociedade atual. A indústria de embalagens representa o maior setor de utilização de plásticos na
Europa, com um total de quase 40%. Motivo este, que leva cientistas e produtores a desenvolver tecnologias com foco na substituição de polímeros
de origem petroquímica por alternativas biodegradáveis e compostáveis.
O ácido polilático (PLA) é um polímero biodegradável produzido a partir de recursos renováveis, com propriedades mecânicas semelhantes às dos
polímeros sintéticos comumente utilizados na indústria das embalagens alimentares. No entanto, algumas das suas propriedades, tais como baixa
resistência ao impacto, baixa resistência térmica, fragilidade e sensibilidade à humidade, limitam a sua aplicação em muitos setores.
Consequentemente, a adição de outros polímeros à matriz do PLA, que sejam renováveis e de baixo custo, como é o caso da lenhina, é uma
alternativa que permite melhorar as suas propriedades e reduzir os custos de produção associados.
A lenhina, o polímero aromático mais abundante na biomassa, que devido aos numerosos anéis aromáticos da sua estrutura, assim como os
diversos grupos funcionais, é um promissor material de partida para diversos compostos de valor acrescentado. Embora grandes quantidades de
lenhina tenham vindo a ser produzidas na indústria da pasta e do papel, ao longo dos anos, a maior parte é queimada para gerar energia e apenas
cerca de 2% da lenhina é utilizada, maioritariamente na formulação de dispersantes, adesivos e surfactantes. A valorização deste recurso renovável
através da produção de compostos de valor acrescentado representa uma oportunidade para a indústria da pasta e papel aumentar a sua eficiênc
operacional e gerar receitas adicionais através da exploração de subprodutos, da diversificação do seu portfólio de produtos e do desenvolvimen
de sistemas de circuito fechado. Recentemente, a lenhina tem gerado um crescente interesse considerando a sua aplicação em embalagens
alimentares, devido às suas propriedades antioxidantes, antimicrobianas e de proteção UV. Assim, o uso de lenhina em compósitos poliméricos
biodegradáveis tem sido reconhecido como um campo de pesquisa promissor.
A novidade deste projeto centra-se na utilização da lenhina obtida a partir de subprodutos da indústria da pasta e papel como matéria-prima para a
produção de compósitos de matriz biopolimérica para desenvolvimento de embalagens alimentares. Desta forma, será possível avaliar a utilização
deste abundante recurso renovável na indústria das embalagens alimentares, que está cada vez mais em expansão e em busca por materiais
biodegradáveis, com maior resistência mecânica, estabilidade e custo reduzido.
O projeto LigBioPack tem como objetivo o desenvolvimento de embalagens alimentares biodegradáveis, utilizando subprodutos das indústrias
nacionais de pasta e papel. Pela primeira vez, serão produzidos compósitos utilizando ácido polilático (PLA) e lenhinas provenientes de licores
industriais. As lenhinas técnicas serão isoladas dos licores industriais kraft e sulfito, fornecidos pela The Navigator Company e Altri. Posteriorment
serão caracterizadas para avaliar o impacto de sua origem e do método de processamento na sua composição e estrutura. Em seguida, as lenhinas
isoladas serão quimicamente modificadas por forma a aumentar a sua compatibilidade com o PLA e, consequentemente, melhorar as propriedad
dos compósitos resultantes. O projeto visa também estudar as propriedades térmicas, mecânicas e físico-químicas dos compósitos de lenhina/PLA,
bem como avaliar o impacto dos diferentes tipos e quantidades de lenhina no desempenho do compósito. Além disso, serão analisadas as principais
vantagens e desafios relacionados ao desempenho dos compósitos de lenhina/PLA na produção de materiais de base biológica para embalage
alimentares. No final do projeto, o objetivo é encontrar a melhor formulação de compósito de lenhina/PLA para desenvolver materiais renováve
adequados para embalagens alimentares. Estes materiais devem apresentar propriedades semelhantes aos já comercializados, demonstrando a
viabilidade de reforçar a cooperação com indústrias de embalagens que promovam a produção em escala de materiais à base de lenhina.
O projeto conta com investigadores com competências multidisciplinares e complementares no campo da valorização da lenhina, formulação de
compósitos de base biológica, caracterização e desenvolvimento de produtos. Além disso, conta com o apoio de importantes empresas nacionais
alinhadas com os objetivos do projeto. Os resultados esperados contribuirão diretamente para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das
Nações Unidas - Agenda 2030, com destaque para o ODS 12. |