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Da FEUP para o Mundo

10 de junho: Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

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No âmbito das celebrações do dia 10 de junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, a Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP) decidiu revisitar alguns alumni FEUP que se destaquem pelas suas carreiras promissoras, dentro e fora de portas, dando a conhecer à nossa comunidade os seus percursos, projetos e sonhos para o futuro.

Reunimos testemunhos de alumni (antigos estudantes e bolseiros/investigadores) sobre os projetos em que estão envolvidos e os respetivos contributos para a área da engenharia, numa abordagem que valoriza as expectativas em relação ao seu futuro profissional.

A Faculdade de Engenharia quer transmitir confiança às futuras gerações de engenheiros e renovar a convicção de que é sempre possível chegar mais longe, com perseverança e trabalho árduo.

Joana Vasques

Supply Chain Analyst no World Food Programme (United Nations), na Etiópia

Alumna do Mestrado Integrado em Engenharia e Gestão Industrial na FEUP

A oportunidade de integrar a maior Agência das Nações Unidas e trabalhar na segunda maior cadeia logística do mundo o World Food Programme (WFP) surgiu durante a Tese de Mestrado quando me foi proposto integrar o escritório Regional da WFP para o Médio Oriente e Norte de África no Egipto. O projeto consistiu no Desenvolvimento e implementação de um Painel de Controle da Cadeia de Suprimentos Regional automatizado para apoiar a tomada de decisão, sinalizar bottlenecks da cadeia de abastecimento, alavancar a mitigação de riscos

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) é a maior organização humanitária que trabalha em emergências e contextos de desenvolvimento apoiando mais de 80 milhões de pessoas em todo o mundo por meio alimentação básica. Para garantir a entrega diária em mais de 80 países, a cadeia de suprimentos desempenha um papel fundamental apoiando todo o processo de planeamento end-to-end, procurement e entrega de assistência

Dadas as complexidades de administrar uma operação tão grande, um bom planeamento é essencial para garantir que possamos ajudar ainda mais pessoas com os mesmos recursos e administrar entregas dentro do prazo. A imprevisibilidade de desastres e crises - o que pode fazer com que as necessidades da WFP aumentem da noite para o dia - e a dificuldade de prever o fluxo e refluxo das contribuições dos doadores tornam essa função ainda mais importante.

Tendo passado por países como Roma (HQ), Egipto e Moçambique, atualmente sou responsável pela equipa de planeamento e otimização da cadeia de abastecimento da Etiópia incluindo os corredores humanitários do Sudão, Djibouti e Somália. Encarregada do planeamento de aproximadamente 910 milhões de dólares, há uma responsabilidade diária para garantir um bom funcionamento de uma cadeia de abastecimento eficiente, e assim, a oportunidade de desenvolver soluções que ajudam a otimizar as cadeias de abastecimento e reduzir custos os operacionais, administrativos e financeiros representa um desafio incomparável de engenharia.

Claro está que a passagem pela FEUP teve um grande impacto no meu futuro profissional. O curso de Engenharia e Gestão Industrial é composto por um programa diverso nas áreas da engenharia e gestão de cadeia de abastecimento, contando com professores reconhecidos internacionalmente em diversas áreas da investigação que elevam o nível de exigência e qualidade do curso ao máximo.

Complementarmente, o departamento ofereceu-me diversas oportunidades de estágios em ambiente empresarial e a flexibilidade de realizar a minha dissertação na organização que propus, tendo tido sempre o acompanhamento e apoio técnico de professores de áreas multidisciplinares. Estes foram, sem dúvida, fatores de sucesso que me prepararam para um mercado de trabalho competitivo da melhor forma.

Ricardo Sampaio

Transportation Adviser na Ubirider, na Colômbia

Alumnus do Mestrado Integrado em Engenharia Civil na FEUP

Nasci no Porto, cresci em Santo Tirso, mas foi na Colômbia onde escolhi viver a minha vida.

Atualmente, lidero um programa de transporte da Agência Ambiental da cidade de Bogotá e sou adviser de entidades multilaterais como a GIZ (agência de cooperação alemã para o desenvolvimento) e o CAF (banco de desenvolvimento de América Latina) e de empresas de raiz portuguesa com alcance global, como a Ubirider (fintech de mobilidade do Porto); fui assessor do Vice Ministro dos Transportes da Colômbia e Diretor de logística urbana da Agência de Mobilidade de Bogotá.

Comecei a estudar engenharia civil na FEUP e fiz a minha tese de mestrado em planeamento na Resende (empresa de autocarros de Matosinhos), onde redesenhei toda a rede de transportes públicos integrados com o sistema de transportes públicos do Porto, em paralelo com a TRENMO (empresa de projectos de mobilidade do Porto). Nesta oportunidade, aproveitava as três horas de viagem para o trabalho entre Santo Tirso e Matosinhos para conhecer a operação de transbordo e o território, e foi nesse momento que entendi o que queria fazer. Entender a dinâmica de uma cidade, de um país, de uma economia.

Ao longo desses anos procurei viajar e viver fora de Portugal. Tive a oportunidade de fazer viagens de comboio pela Europa central e explorar países com culturas (e transportes) bem diferentes como as do Vietnam, Índia e Nepal. Em cada viagem aproveitava para viajar em diversos meios de transporte que levavam ao contacto com novas pessoas e a trocas de experiências distintas.

Em 2012, depois da faculdade, procurei uma oportunidade laboral no estrangeiro na área da mobilidade. Depois de vários processos de seleção, tanto para Manchester, Barcelona e São Paulo, provas de acesso e centenas de e-mails, nenhuma dessas expectativas avançou.

Em paralelo à procura dessa vaga específica, candidatei-me ao Programa InovContacto da AICEP (agência de comércio exterior de Portugal). Este programa tem duas condições essenciais que não me gostavam: não podia escolher nem em que ia trabalhar, nem em que lugar ia viver durante seis meses. Mas, mais uma vez, o pior que poderia passar era que ao final de seis meses estivesse outra vez em casa.

Em 2014, a surpresa de Natal foi que um mês depois viveria meio ano em Bogotá (Colômbia), lugar onde me senti em casa, apesar de não ter o mar, a família ou amigos por perto. Desde que cá cheguei que fiquei fascinado por poder ir de bicicleta ao escritório, que todo o sistema de transportes para mover tanta gente fosse em autocarro em carril bus dedicado (Transmilénio) e que aos domingos e feriados transformassem as grandes avenidas em ciclovias.

Geri projetos e equipas na COBA CONSULTING GROUP (multinacional portuguesa líder em projetos de engenharia) e ao mesmo tempo melhorei o meu espanhol, aprofundei o conhecimento do mercado e aprendi de todas as pessoas com as quais convivia no meu dia-a-dia. Nestes dois anos dedicava o tempo livre a viajar e a procurar vagas na área dos transportes, participava em fóruns, webinars, escrevia a professores e especialistas locais do tema por LinkedIn, ligava a amigos de conhecidos locais da área da mobilidade, transportes, etc.

E uma vez mais, durante esses dois anos, nenhum contacto ou proposta foram para a frente. Em 2016, já tinha desistido de mandar CVs e iria desfrutar das boas condições de expatriado. Mas, pouco tempo depois, uma das pessoas que tinha conhecido (como muitas com licenciatura e mestrado nas melhores universidades do mundo), convidou-me para fazer parte da nova equipe da Agência de Mobilidade de Bogotá com novo mandato do presidente da câmara Enrique Peñaloza. Era um contrato a “recibos verdes” por 9 meses, não era em euros, não tinha viagens pagas a Portugal ou seguro de saúde, nem sabia bem o que ia fazer, mas aceitei.

A nova incerteza profissional era também uma oportunidade única de trabalhar na entidade que gere a mobilidade de mais pessoas que Portugal inteiro - oportunidade que estava à procura desde 2013. Estive dois anos na Secretaria de Mobilidade de Bogotá onde fui ganhando o meu espaço e meses depois criei o grupo de logística urbana (#encargatedebogotá) com o objetivo de desenhar e gerir a política pública para abastecer 10 milhões de pessoas.

Em 2018, por outro conhecido, convidaram-me para o Ministério dos Transportes, desta vez como Subdiretor dos Transportes da Colômbia, como responsável pelas políticas de transporte multimodal, tanto de pessoas como de mercadorias a nível nacional, nomeação que não se materializou. Assumi como assessor do Diretor de Transporte e Trânsito e do Viceministro dos Transportes, era responsável de projetos especiais na entidade, tais como o de reestruturar a política de modernização de frota de camiões interurbanos do país com um orçamento de 350 milhões de dólares.

Em 2020, pelo LinkedIn, convidam-me para voltar a trabalhar com Bogotá, desta vez com o desafio de mudar e melhorar a qualidade do ar na cidade. No mesmo momento comecei também a trabalhar com a equipa portuense da start-up UBIRIDER, com o propósito de transformar a forma como nos movemos dentro e fora das cidades, em qualquer modo de transporte num único pagamento em poucos cliques.

O fator comum destes anos de alumni FEUP é o sentido de perseverança e persistência em não desistir, em ter confiança e curiosidade para ir mais além, de ter encontrado um sentido de missão naquilo que faço e de querer de alguma forma deixar a minha marca, ajudando a mudar o mundo. “Quem quer a bolota trepa”.

Quero que o meu futuro seja com um pé mais frequente em Portugal, mas que continue a ser pela América Latina (onde cada vez mais descubro projetos interessantes e complexos com uma escala). Afinal podemos sempre voltar a casa, a única coisa que realmente arriscamos é um bilhete de regresso. Tal como em 2013, no Inov Contacto, acho que este é o momento de escrever uma nova carta ao “eu do futuro” sobre o que viverei nos próximos anos - “Não importa onde foste parar. Finalmente, o importante é que não ficaste parado, agora continua.

Daniela Braga

CEO da Defined Crowd, em Portugal

Antiga bolseira de investigação FEUP

Licenciei-me em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras da U.Porto e desde logo decidi que queria seguir o ramo científico. Surgiu a oportunidade de integrar uma Bolsa de Investigação da #FEUP para trabalhar num sintetizador de fala em Português Europeu para cegos e foi assim que comecei a trabalhar em Inteligência Artificial, ainda que não tivesse essa designação na altura. Comecei por fazer segmentação e anotação fonética de áudio (de um programa de rádio), o que me permitiu descobrir o que viria a ser a base da minha tese de doutoramento em Tecnologias de Fala e que originaram os primeiros artigos científicos que publiquei em conferências internacionais que ainda hoje são uma referência no meio académico.

Ingressei na Microsoft Portugal pouco depois e passei pelos escritórios da Microsoft na China e nos Estados Unidos. Colaborei com todas as áreas de Tecnologias de Fala dentro da Microsoft onde desenvolvi 26 línguas para o Exchange 14, soluções de conversão de texto para voz (TTS) em 10 línguas no Windows 8 e estive também envolvida no desenvolvimento da assistente virtual Cortana.

Mais tarde, na Voicebox Technologies, criei a equipa de Data Science e entreguei produtos de voz para clientes como Samsung e Toyota, introduzi o crowdsourcing para soluções de big data, e reestruturei a infraestrutura de engenharia em torno da recolha, processamento, ingestão, instrumentalização e detetabilidade de dados.

Decidi fundar a DefinedCrowd em 2015 para fazer face a um dos maiores problemas com que me deparei durante o meu percurso: a falta de dados de treino de alta qualidade que permitissem desenvolver sistemas de Inteligência Artificial (IA) fiáveis e ‘ready to go-to-market’.

Passados 5 anos, vejo a DefinedCrowd como um parceiro global de dados para IA, indispensável para qualquer organização de média ou grande dimensão que esteja a enfrentar o grande desafio da transformação digital e que queira estar na vanguarda da inovação. As nossas soluções de recolha, anotação e estruturação de dados para sistemas de reconhecimento de voz, Natural Language Processing (NLP, NLU) e Computer Vision permitem treinar, testar e implementar os modelos de machine learning que dão suporte aos sistemas de IA de forma mais ágil, confiável e sem preconceitos. 

A longo prazo acredito que a Europa se tornará uma potência importante no que respeita à inovação tecnológica graças à excelente oferta educativa na área das Engenharias e graças ao seu ecossistema empresarial e de empreendedorismo. Tenho a certeza que rapidamente pode tornar-se a referência mundial no que respeita à transição digital. É nesse sentido que defendo a criação de um Centro de Excelência para a Inteligência Artificial localizado na Europa que promova a aceleração do impacto das TI a nível mundial.

Viviana Silva

Especialista Sénior em Sustentabilidade na BASF, na Alemanha

Alumna da Licenciatura e Doutoramento em Engenharia Química na FEUP

“Há quem olhe para as coisas como elas são e pergunte porquê… Eu sonho com coisas que nunca aconteceram, e pergunto por que não?” Esta foi a citação inspiradora que selecionei para a minha tese de doutoramento! Ainda hoje, esta frase expressa a minha atitude otimista e aberta à exploração de coisas novas na vida. Acredito que a paixão pela descoberta está no meu ADN, uma herança da minha ascendência portuguesa. Nasci em Viana, licenciei-me e doutorei-me em Engenharia Química da Universidade do Porto e estou a morar na Alemanha, na Renânia Palatinato, com o meu marido e filho desde janeiro de 2012.

A inovação é a minha paixão, e tenho mais de 15 anos de experiência a impulsionar a inovação através de diferentes culturas de trabalho: academia, start-ups e empresas. Na BASF, comecei em I&D para engenharia de reacção. Depois fui promovida a gestora de inovação & exploradora de tecnologia para o fabrico de agroquímicos. A partir de 2019, entrei para a BASF 4.0, trabalhando na digitalização da produção como especialista em Otimização de Processos pela Big Data.

Como Líder da Unidade de Negócio da Fluidinova, desenvolvi e implementei um conceito de negócio de raiz, da ideia aos produtos e serviços concretos, na área dos nanomateriais inovadores para dispositivos médicos, cuidados pessoais e farmacêuticos. Fui responsável pelo desenvolvimento e implementação da estratégia de marketing B2B, incluindo vendas.  Como Líder de Investigação na Universidade do Porto, fui a gestora de vários projetos nacionais e internacionais com parceiros académicos e industriais em biorefinarias e nanotecnologias. Fui Professora no Instituto Politécnico de Bragança e fui orientadora de vários alunos de mestrado, doutoramento e pós-doutoramento.

Em termos profissionais, encontro-me atualmente em projetos que aliam a Sustentabilidade e a Digitalização para combater as alterações climáticas. A BASF tem a estratégia de redução da Pegada de Carbono, com a meta de ter Carbono Zero em 2050. Estou muito empenhada em contribuir para este ambicioso objetivo.

Já pessoalmente, sou, atualmente, presidente da ASPPA - Associação de Pós-Graduados Portugueses na Alemanha - e tenho a ambição e motivação de empoderar a Diáspora Portuguesa na Alemanha. Estamos a lançar uma plataforma de mentoria “Alma Lusa”, que vai contar com o lançamento de um Podcast para dar voz aos Portugueses na Alemanha. Estamos a iniciar também os projetos “Astrolábio 360° - Diplomacia Científica”, “Roadtrip Empreendedorismo”, “Digitalização da ASPPA” e o Think-Tank “Pensar Sustentabilidade”. Porque “fazemos uma vida através do que damos”, sou mentora de jovens profissionais na Alemanha ou que queiram vir para a Alemanha e que procuram orientação para o desenvolvimento e progressão de carreira ou mudança de percurso profissional.

Como sonhos a cumprir, tenho um retiro espiritual no Tibete e uma missão de voluntariado em Moçambique. Profissionalmente, gostaria de criar uma empresa, voltar a Portugal e continuar a ser mentora/coach de jovens talentos.

 
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