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Entrevista a Maria Antónia Costa

Business Executive do Presidente da Sage Brasil

Maria Antónia Costa



“Ser licenciada pela FEP é sempre uma boa referência e motivo de orgulho”

Maria Antónia Melo Costa nasceu no Porto. Licenciou-se em Economia, pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto, onde frequentou também o II Curso de Pós-graduação em Análise Financeira. Em 1995 concluiu o Executive MBA em Comércio Internacional ministrado na AEP (Associação Empresarial de Portugal) pelo ESADE (Escuela de Administracion e Direccion de Empresas) de Barcelona. Trabalhou no setor têxtil, primeiro como diretora financeira e depois como consultora de algumas empresas têxteis. Foi também sócia-gerente de uma empresa de representação e comercialização de produtos têxteis. Em setembro de 1995 ingressou na Sage Portugal (então Infologia) como diretora financeira, assumindo o cargo de Country Manager, de outubro de 2014 a setembro de 2016. Desde outubro de 2016 é Business Executive do Presidente da Sage Brasil em São Paulo.

Quem é a Maria Antónia Costa?

Sou do Porto e licenciei-me em 1984, embora tenha entrado para a faculdade no ano letivo 76/77. A meio do meu percurso académico fiz um abrandamento no estudo e comecei a trabalhar numa empresa distribuidora de produtos têxteis, na qual tratava da gestão de clientes. Mais tarde, já licenciada, ingressei no setor industrial. Lembro-me de ter preparado um projeto de investimento para apresentar ao sistema de incentivos então em vigor. Na altura não havia computadores. As projeções eram feitas com a ajuda da máquina de calcular e registadas a lápis em folhas de papel quadriculado. Não imaginam o trabalho que dava fazer qualquer alteração e foi preciso fazer muitas até acertar os valores finais! Depois desta experiência fui fazendo outras coisas, nomeadamente ajudei a organizar algumas áreas, acompanhei a área financeira, negociações com os bancos, etc. Foi muito bom, porque me deu uma visão da gestão da empresa como um todo, da interligação das várias áreas. Depois mudei para uma empresa maior como diretora financeira. Também tive a minha própria empresa; fiz uma sociedade com uma amiga e colega e representávamos algumas marcas de tecidos que vendíamos às empresas de confeção no Norte do país. O meu papel era tratar do back-office e fazer consultoria nalgumas empresas. Em determinada altura mudei para o setor da tecnologia, quando fui trabalhar para a Sage (então designada por Infologia), que desenvolve e comercializa software de gestão, na qual me mantive até hoje. Há um ano e pouco deixei a Sage Portugal, onde desempenhava o cargo de Country Manager, e mudei para a Sage Brasil, onde sou assessora do Presidente. Tenho uma carreira já bem longa, com bastante experiência.

O que a fez escolher a FEP para estudar?

No liceu, quando tive de escolher a área de estudo, tinha a possibilidade de optar por quase todas as disciplinas. Filosofia era uma cadeira obrigatória e depois tinha que incluir as duas disciplinas nucleares para a licenciatura que quisesse fazer. Gostava muito de inglês, francês e português, mas nenhuma das profissões a que os cursos de letras davam normalmente acesso me fascinava. Assim, voltei-me para as ciências, o que fazia sentido já que gostava bastante de matemática e também de geografia. Descobri então um curso que tinha como requisitos matemática e geografia: Economia. Gostei muito do curso de economia na FEP!

Como era a Faculdade no seu tempo?

Entrei para a faculdade dois anos depois do 25 de abril. Era uma época em que a política estava muito presente e na Faculdade de Economia talvez ainda mais. Discutia-se muito sobre ideologias, sobre política, sobre economia e havia alguma radicalização entre a esquerda e o centro-direita; as discussões chegavam a ser muito acesas. Na FEP a esquerda tinha a maioria, sobretudo entre os professores, o que para mim, que era mais centrista, me desagradava bastante. Hoje, olhando para trás e para aquele período da minha juventude, vejo que me serviu para aprender muito no que toca aos ideais, à liberdade e ao respeito pelos outros. Com o passar dos anos o ambiente foi mudando, tornou-se menos politizado e bem mais divertido.

Como foi o seu percurso na FEP?

Demorei mais tempo do que seria de esperar a acabar o curso, principalmente porque a meio comecei a trabalhar e entusiasmei-me com a experiência. O trabalho que inicialmente era para ser um part-time, rapidamente passou a quase full-time, pelo entusiasmo que me despertou. O que me valia era o dono da empresa onde eu trabalhava que me via no escritório fora das horas combinadas e me recomendava que fosse para as aulas! Isto fez-me atrasar a conclusão da licenciatura, mas, por outro lado, ajudou-me muito a perceber e a aprender como funciona uma empresa, as hierarquias, as relações de trabalho. Lembro-me bem de como foi importante para mim ter recebido o segredo do cofre, poucos meses depois de ter começado a trabalhar. Percebi como é importante e gratificante conquistarmos e merecermos a confiança dos outros e isto vale tanto para a vida profissional como para a pessoal.

Qual foi o seu maior feito enquanto estudante da Faculdade?

Não tive grandes feitos; era uma aluna mediana. No quinto ano resolvi deixar de trabalhar e dedicar-me a 100% a terminar o curso. Tinha todas as cadeiras do quinto ano para fazer e ainda algumas cadeiras atrasadas, o que era muita coisa. Comecei a ir às aulas e a passar o dia na faculdade. Tinha um grupo de colegas, com quem estudava e me identificava, que me ajudou muito. Fiz todas as cadeiras até julho, o que nunca tinha conseguido antes, com algumas notas bastante boas. O meu 17 a Planeamento foi memorável! O último exame foi Gestão, que fiz quase só com o que tinha aprendido nas aulas práticas. Lembro-me bem de ter ido ao gabinete dos professores saber a nota e o Dr. Baganha me ter dito “Estou muito desiludido” e eu pensei “chumbei… lá vou ter que voltar em setembro”, mas não… o resto da frase foi: “a colega só teve 12”!

O que recebeu da formação da FEP que sabe que não receberia noutro local? O que tem de especial por ter sido aluna da FEP?

Gosto muito da FEP. A formação que recebi foi muito boa e aprendi muito para além da formação técnica. Os professores da FEP eram muito exigentes, mas muito bons professores. Fazer algumas cadeiras era muito difícil, muitas vezes reprovávamos por motivos que achávamos injustos, mas isso fazia parte da aprendizagem. Na época não havia muitas outras faculdades e portanto a escolha recaia na FEP, Coimbra ou Lisboa. A qualidade dos professores da FEP era indiscutível. A licenciatura em Economia era muito abrangente, com uma componente de gestão e muito forte em contabilidade. Embora nunca tenha exercido a profissão de contabilista, ajudou-me muito ter uma base sólida nesta matéria. Também aprendi muito com os colegas. Tive a sorte de conviver com um conjunto de colegas “Notáveis”.

O que a FEP fez por si enquanto pessoa e enquanto profissional?

A FEP é uma excelente escola. Ser licenciada pela FEP é sempre uma boa referência e motivo de orgulho.

Considera que existem características que sejam transversais aos alunos diplomados pela FEP que não estejam tão presentes em alunos de outras Faculdades?

Durante o meu percurso profissional recrutei muitas pessoas e posso dizer que sempre que escolhi um aluno da FEP a experiência foi boa. Nos últimos anos acompanhei mais de perto algumas das iniciativas que os alunos da Faculdade levam a cabo durante o curso e considero que são atividades que os ajudam muito a crescer, a aprender e a empenharem-se. Aprendem a definir objetivos e a trabalhar para os alcançar, procurando os meios necessários, sejam eles recursos humanos ou financeiros.

Gostaria de deixar um conselho aos atuais e futuros alunos da Faculdade?

Trabalhar muito, com muita dedicação e muito empenho. Nada se consegue sem esforço. Estar sempre a aprender, estar sempre atento ao que se passa à vossa volta, estar atento e respeitar as pessoas, estar atento às oportunidades que vão aparecendo e agarrá-las. Entendo que é difícil quando saímos da faculdade decidir o que queremos fazer, qual a área onde nos vamos sentir melhor, mas isso é normal. O que não podemos é ficar parados à espera que alguém decida por nós. Temos que começar por algum lado e dedicar-nos àquilo que começarmos a fazer com todo o entusiasmo. Depois as oportunidades vão aparecendo. Durante o curso abracem alguns dos projetos que existem na FEP, na medida em que são experiências e contactos muito importantes.

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