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Entrevista a Sandra Santos

CEO da BA Vidro
Por Catarina Freitas e Margarida Guimarães

Sandra Santos


“Adorei cá estar e tirei muito partido dos bons professores que tivemos, alguns dos quais ainda cá estão”

Sandra Santos licenciou-se em Gestão na FEP, em 1994 e tem um MBA, pela Porto Business School, concluído em 1999.

Iniciou a sua carreira no Banco Espírito Santo (BES), onde desempenhou várias funções (analista, gerente de balcão e gestora de contas de empresa). Durante esse período foi docente convidada na FEP e FEUP. Em 1999 iniciou uma nova carreira, na indústria, ao integrar a equipa da BA (nesse momento Barbosa & Almeida), uma empresa produtora de embalagens de vidro, onde desempenhou várias funções (controller, diretora financeira, diretora de recursos humanos, diretora de fábrica e CFO). Desde 2014 lidera, como CEO, a Comissão Executiva de um Grupo que conta com 3.800 colaboradores, distribuídos por 7 geografias europeias e fatura cerca de 800 milhões de euros.

Quem é a Sandra Santos?

Uma pergunta difícil logo para começar!

Eu acho que sou uma pessoa perfeitamente normal.

A única coisa que poderá ter feito alguma diferença no meu percurso é que eu acreditei sempre que valia a pena fazer o esforço, particularmente se está em causa alguma coisa que eu quero muito. Na altura da escola, por exemplo, recordo-me que para mim era muito importante ser boa aluna e ter boas notas, porque eu pensava sempre que isso podia um dia ajudar-me a conseguir as coisas que eu quisesse. Tive sempre como grande filosofia de vida: como temos que trabalhar, o ideal é que trabalhemos naquilo que gostamos mais de fazer. Fui gerindo particularmente a minha vida profissional no sentido de nunca estar condicionada a uma escolha e ir fazendo sempre aquilo que eu mais gostava. Acho que atualmente faço algo de que gosto imenso.

O que a fez escolher a FEP para estudar?

Durante o meu período escolar, tentei sempre ser muito boa aluna, porque eu sabia que era na FEP que eu queria entrar. Uma escola privada estava fora de questão, sair da cidade estava fora de questão e tudo o que não fosse a Faculdade de Economia eram coisas que me pareciam menos interessantes. A escolha foi muito simples.

Como era a Faculdade no seu tempo?

Quando eu cheguei à Faculdade o curso de Gestão era muito recente. O nosso ano era o segundo, pelo que éramos poucos alunos e éramos uns privilegiados. Sentia-me privilegiada por cá estar nessa altura, porque o curso estava a ser liderado por quem queria fazer algo muito diferente daquilo que se fazia em Economia o que fazia sentido, na medida em que havia áreas que podiam ser tratadas de maneira muito distinta. Ao mesmo tempo, era uma grande incógnita, pois nós vínhamos sem saber muito bem o que ia ser, mas como eu gosto muito disso, também achei que valia a pena. Quando cheguei cá, encontrei este curso como um grupo realmente privilegiado em que os professores nos tratavam de uma forma muito próxima. Naquela altura, os professores universitários estavam muito distantes dos alunos, mas no curso de Gestão estávamos muito próximos dos professores, porque eles também estavam a construir este curso.
Foi uma época muito especial. Eu adorei cá estar e tirei muito partido dos bons professores que tivemos, alguns dos quais ainda cá estão.

Como foi o seu percurso na FEP?

Concentrei-me muito no que era ter bons resultados, em fazer bons amigos (tenho ainda bons amigos da altura da faculdade!) e tirar partido de um curso que era novo e que abria perspetivas diferentes de carreira e até da visão do mundo.

O que recebeu da formação da FEP que sabe que não receberia noutro local? O que tem de especial por ser aluna da FEP?

Eu acho que, na altura, o que nós recebíamos e que diferenciava o ensino na FEP eram os temas tratados e a forma como os mesmos eram abordados. Poucas universidades tratavam as questões comportamentais e organizacionais. Recordo-me muito bem das disciplinas menos tradicionais ou menos standard e recordo que havia professores que, mesmo as disciplinas mais standard, como a contabilidade, tratavam de uma forma muito diferente. Levei muito o sentido prático, a vontade de trabalhar em empresas. Eu tinha escolhido Gestão exatamente para seguir uma carreira diferente e aqui encontrei muito sentido prático.

Comecei a trabalhar num banco, a fazer um estágio, e fiquei lá mais 4 anos. À medida que o tempo foi passando e eu tive que começar a gerir pessoas, percebi que a faculdade me tinha dado uma base para o fazer. Foi muito curioso perceber que provavelmente tínhamos recebido formação na área dos comportamentos e da organização cedo demais, porque eram disciplinas do primeiro ou segundo ano, e nós não sabíamos o que era uma empresa.

"Na altura, penso que o que nos distinguia era a nossa capacidade de sacrifício e de esforço, porque, como disse, estava-se a criar um curso, em que nem tudo era óbvio, ou pré-definido."

Considera que existem características que sejam transversais aos alunos diplomados da FEP que não estejam tão presentes nos alunos vindos de outras faculdades?

Na altura, penso que o que nos distinguia era a nossa capacidade de sacrifício e de esforço, porque, como disse, estava-se a criar um curso, em que nem tudo era óbvio, ou pré-definido. Isso ensinou-nos a ser suficientemente flexíveis e aceitar que nem sempre a vida pode estar pré-definida à partida. Na altura, quando entrávamos no mercado de trabalho, tínhamos alguma preferência por esse sentido de adaptabilidade; estávamos disponíveis para fazer coisas, quaisquer que elas fossem, quanto mais não seja para experimentar e aprender. Portanto, penso que nessa altura notava-se essa pequena distinção.

Quer deixar um conselho aos atuais e futuros alunos da Faculdade?

Conheçam o que lá está fora e preparem-se para qualquer eventualidade. Acho que vale a pena partir do princípio que há coisas que eventualmente não querem fazer, mas não devem partir do princípio que só devem querer fazer algumas coisas, o que é muito diferente. Devem manter o leque de opções bem aberto e não serem muito exigentes no início.

Acho que os alunos que saem hoje das faculdades são muito exigentes, quer com as empresas que os recebem, quer com eles próprios, porque acham que rapidamente têm que ter poder e muita autonomia.
Estejam disponíveis para aprender!

As pessoas mais bem-sucedidas que eu conheço são as que fazem aquilo que mais gostam; para mim o sucesso é isso, não tem nada a ver com posição, nem com poder, mas sim com acordar todos os dias e ir trabalhar satisfeita. É ser capaz e gostar de aprender, aprender, aprender e no momento em que achamos que não estamos a fazer algo que nos preenche, ter a coragem de mudar.

Devem ter um compromisso com vocês próprios em procurarem e fazerem aquilo que mais gostam, porque a vida de trabalho é dura, em qualquer sítio, apesar de acharem que às vezes há empresas mais difíceis, mais penosas, e outras menos. Trabalhar é difícil, conquistar o espaço é difícil, mas se fizermos aquilo que gostamos de fazer vai custar muito menos e vai ser muito divertido!

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