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José Pedro Cabral dos Santos

Vogal do Conselho de Administração e da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos, Membro do Conselho de Representantes da FEP

Casos como o do BES e da PT trouxeram para o debate público a questão da qualidade da gestão das empresas em Portugal, tendo o tema sido referido num relatório do FMI, que destacou “que a qualidade dos gestores portugueses também afeta a produtividade dos trabalhadores”. Concorda com esta afirmação? Em que medida a qualidade da gestão em Portugal é um obstáculo ao desenvolvimento e sucesso das empresas portuguesas?

Sem dúvida que a qualidade dos gestores influencia decisivamente a qualidade das empresas, nas diferentes perspetivas em que esta possa ser analisada. E a qualidade dos gestores é importante, não só ao nível do topo da pirâmide hierárquica, como aos seus diferentes níveis.
Ter bons gestores e boas equipas de gestão é decisivo para o sucesso das empresas, quer elas sejam analisadas como um todo, quer sejam analisadas nalgumas vertentes da sua atividade.
Há pouco tempo ouvi de um bem-sucedido investidor internacional que as empresas em que mais gostava de investir eram aquelas que podiam ser geridas pelos piores gestores e serem bem-sucedidas. Acho que estas empresas não existem.
Na minha opinião não há boas empresas sem bons gestores. E quanto melhores forem os gestores e quantos melhores gestores existirem numa empresa, maior a probabilidade de ela ser bem-sucedida.
Quando, academicamente, se coloca por vezes a pergunta se é melhor uma boa empresa com um mau gestor ou uma má empresa com um bom gestor, a resposta mais indicada é “uma boa empresa com um bom gestor”.
Em Portugal, como em todo o sítio, existem bons e maus gestores e boas e más empresas. O futuro está nas boas empresas e nos bons gestores. O que há a fazer é seguir os seus exemplos.

O que pode ser feito para alterar este cenário? No seu entender a solução passa por intervir no ensino da gestão em Portugal?

A melhoria da qualidade da gestão das empresas pode ser efetuada de diferentes formas, mas é indiscutível que uma boa relação das empresas com as escolas de gestão pode ter um papel determinante.
Para quem chega ao mercado de trabalho e a áreas de gestão é importante que traga a adequada formação e já alguma convivência com boas práticas de gestão existentes no mercado. Esta é a faceta que o mercado está habituado a valorizar nas escolas.
Por outro lado, há empresas e grupos económicos que são verdadeiras “escolas de gestão”, com resultados bem evidentes e que, sem qualquer tipo de hesitação, devem ser tidas como referência e aproveitadas pelas escolas na sua atividade formativa.
A ligação entre empresas e escolas de gestão é mutuamente proveitosa, pelo que deve ser intensificada. Tal ligação é importante, não só na formação anterior à entrada no mercado de trabalho, como naquela que existe cada vez mais no dia-a-dia das escolas.
A minha perspetiva é que, cada vez mais, as escolas devem ser parte do dia-a-dia das empresas e que as empresas devem ser parte do dia-a-dia das escolas.

Foi recentemente eleito membro do Conselho de Representantes da FEP, o órgão máximo da Faculdade, composto por duas personalidades externas. Quais são, na sua opinião, as principais vantagens desta ligação da Faculdade ao meio empresarial?

Foi para mim um motivo de enorme orgulho e satisfação ter sido cooptado para membro do Conselho de Representantes da FEP e, assim, voltar à FEP.
Não vale a pena, por ser tão evidente, referir a importância que tem o Conselho de Representantes no bom funcionamento e sucesso da FEP.
A participação neste Conselho de duas personalidades externas só se justifica se conseguirem trazer uma visão externa, que consiga aportar diferentes experiências e competências e possa evidenciar aquilo que o mercado espera da FEP e aquilo que a FEP pode construir para ser, por ele, cada vez mais e melhor aceite nas suas diferentes solicitações.
Tudo farei para que o meu contributo possa ser importante para tal e para que a FEP esteja cada vez mais aberta e adequada ao mercado e cada vez mais considerada.

Quais são as suas expectativas relativamente ao trabalho a desenvolver pela nova Direção, em particular nas relações entre a Faculdade e o mundo empresarial e do trabalho?

Existe hoje na FEP uma grande expectativa relativamente ao trabalho a desenvolver pela nova Direção.
É importante que todos os que integram a FEP gostem de vir todos os dias para Escola e saiam dela todos dias um pouco mais enriquecidos.
Em paralelo, é também importante que a FEP seja cada vez mais reconhecida como uma escola que não trabalha só para si, mas trabalha para o mundo empresarial e do trabalho, melhorando todos os dias a sua capacidade e qualidade na resposta que dá às suas diferentes solicitações.
Este é hoje o grande desafio da FEP e da sua Direção e estou convencido que os resultados aparecerão a muito curto prazo.

Licenciou-se em Economia pela FEP, a Escola com as médias de entrada mais altas em Economia e Gestão em Portugal. Sente que a preparação aqui obtida foi fundamental para a sua vida profissional?

A minha ligação à FEP é muito grande.
O meu pai licenciou-se no primeiro curso da FEP, o meu irmão também se licenciou na FEP e o meu filho mais novo também.
Por isso, não só tenho a certeza da importância que teve a minha formação na FEP, como tenho bons exemplos lá em casa. E quando falo em formação, não me restrinjo aos aspetos académicos. Aspetos tão importantes como o rigor, o exemplo, a profundidade, a camaradagem e mesmo amizade foram por mim colhidos nos cinco anos que passei na FEP como aluno, marcando e influenciando aquilo que sou hoje pessoal e profissionalmente.
E na minha vida profissional várias vezes tenho-me cruzado com profissionais licenciados na FEP e sinto que estes valores são comungados por quase todos e fazem de nós um grupo especial. Dizer que somos licenciados na FEP é sempre um bom cartão-de-visita.

Como recrutador, quais são as características que privilegia ou que procura nos jovens recém-licenciados ou mestres? É possível identificar características transversais aos diplomados da FEP?

Qualquer recrutador quer rodear-se dos melhores, em qualquer tipo de recrutamento, seja para jovens recém-licenciados ou não.
Sou obviamente suspeito na minha opinião, mas ao recrutar alguém da FEP a probabilidade de sucesso é sempre maior.
Talvez a característica transversal mais evidente dos licenciados na FEP seja a forte e sólida formação de base e aí a FEP cumpre o que o mercado procura.

Que conselho gostaria de deixar aos estudantes da FEP?

Que aproveitem ao máximo a sua passagem pela FEP, que é uma escola que certamente lhes deixará saudades e marcará o seu futuro profissional.
Que tenham sentido crítico, que sejam exigentes com eles próprios e com todos com quem privem.
Que não se limitem a absorver os conhecimentos proporcionados e que questionem sempre as realidades com que se depararem.
Não há melhor sinal do que esse para sentirmos que estamos vivos e que queremos e temos capacidade de intervir e de melhorar tudo aquilo de que somos parte.
E dignifiquem sempre a nossa FEP.

Qual o momento mais marcante e ao mesmo tempo mais enriquecedor na sua passagem pela Faculdade?

Passei muitos bons anos na FEP como aluno e professor. Momentos marcantes e enriquecedores foram muitos.
Como aluno, aprendi muito, cresci, conheci muitas pessoas que me marcaram, fiz amigos e a vida académica proporcionou-me momentos bem agradáveis.
Como professor fiz aquilo que ainda gosto muito de fazer: comunicar, transmitir conhecimentos e ter a necessidade e gosto por uma constante atualização e busca de conhecimento. E desculpem a imodéstia, ver o meu trabalho apreciado.
Mas ver o meu filho licenciar-se na FEP talvez tenha sido o momento mais marcante da minha vida relacionado com a Faculdade.

Perfil

José Pedro Cabral dos Santos licenciou-se em Economia na FEP, onde foi, mais tarde Professor Assistente Convidado (entre 1983 e 1988). O Alumnus da Faculdade que destaca o dia em que viu o filho licenciar-se como o momento mais marcante da sua vida relacionado com a FEP, iniciou o seu percurso profissional na banca, em 1984, na União de Bancos Portugueses. Em 1989 transitou para a Finindústria – Sociedade de Investimentos e de Financiamento Industrial, onde assumiu mais tarde as funções de Subdiretor e Administrador não executivo da Finicrédito. Antes de ingressar na CGD, José Pedro Cabral dos Santos passou pelo Grupo BFE/Grupo BPI no papel de Diretor Coordenador, inicialmente do Banco Borges & Irmão e posteriormente com funções alargadas ao Banco de Fomento e Exterior e Banco BPI.
A entrada na CGD aconteceu em 1998. De Diretor da Direção Comercial Norte passou a Diretor Central da Direção de Grandes Empresas, num espaço de quatro anos. Desde março de 2012 ocupa o cargo de Vogal do Conselho de Administração e da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos. Desempenha ainda as funções de Presidente do Conselho de Administração da Caixa Leasing e Factoring, Presidente do Conselho de Administração da Locarent e Vice-Presidente da Caixa Seguros e Saúde desde maio de 2013, entre outros cargos.

“é importante que a FEP seja cada vez mais reconhecida como uma escola que trabalha para o mundo empresarial e do trabalho”

“… ver o meu filho licenciar-se na FEP talvez tenha sido o momento mais marcante da minha vida relacionado com a Faculdade.” 
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