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Francisco Sousa Pimentel

Diretor de Desenvolvimento Internacional da Sonae SR

Licenciou-se em Gestão na FEP. Como definiria a sua passagem pela Faculdade enquanto estudante?

Fantástica, e sinto que ganha cada vez mais com o distanciamento do tempo (risos). Tirei a licenciatura em Gestão entre 1995 e 2000, mas tive uma adaptação difícil, desde logo porque vinha da área de Ciências e só uns meses antes de entrar no ensino superior decidi que queria mudar para a área da economia.
Ainda me recordo de passar na secretaria da FEP para pedir os planos curriculares e tentar escolher entre Economia e Gestão!
Felizmente fui rapidamente envolvido pela faculdade, pelos colegas, professores, pelas atividades académicas e acabei a achar que passou tudo depressa demais.

Sente que a preparação aqui obtida foi fundamental para a sua vida profissional?

Sem dúvida, houve vários professores que me marcaram porque me ensinaram a olhar para a gestão como uma oportunidade para exercer uma profissão muito nobre, e me ajudaram a avaliar as decisões de uma forma mais completa e pragmática, muito para além da teoria. Geralmente eram os que mais experiência profissional tinham. Mas mais importante ainda são as excelentes amizades que aqui fiz e que muito prezo!

Como recrutador, agora na Sonae, quais são as características que privilegia ou que procura nos jovens recém licenciados ou mestres? É possível identificar características transversais aos diplomados da FEP?

Para mim as caraterísticas mais importantes talvez sejam a curiosidade intelectual e a tenacidade, mas procuramos muitas outras. Sempre recrutei na FEP e acho que os alunos cada vez mais procuram diferenciar-se uns dos outros, e bem, justamente para fugir às características comuns. No entanto é reconhecida a excelente preparação analítica e disciplina de trabalho da FEP, além de ter alunos intrinsecamente muito bons, o que ajuda.

Tem acompanhado o percurso seguido pela FEP ao longo dos anos, quer enquanto Alumnus envolvido na task-force, quer enquanto membro do júri do Prémio Carreira FEP. Como definiria hoje a Faculdade no mundo académico e na relação que mantém com as empresas?

A FEP sempre foi uma referência em Portugal, e julgo que nas últimas provas de acesso até reforçou a sua liderança nacional. O desafio tem de ser comparar-nos com os melhores da Europa, não os melhores da nossa rua. Felizmente é com esse espírito que o corpo docente e Conselho Diretivo estão a preparar a FEP para os novos desafios. Tive a oportunidade de participar em algumas sessões e é entusiasmante ver a dedicação e energia que colocam no trabalho.

Concorda que as Universidades têm de se aproximar mais do mercado de trabalho para fomentar a produtividade e combater o desemprego?
Concordo plenamente, mas diria mais.
Acho que as Universidades têm de se aproximar mais das comunidades, da investigação, das empresas, das pessoas, do debate de prioridades estratégicas, e com isso ajudar a sociedade a encontrar soluções para os problemas de hoje. Não é só uma questão de desemprego. É para isso que as Universidades foram criadas e essa deveria continuar a ser a sua vocação.
Infelizmente acho que algo disso se perdeu, mas as recentes mudanças de contexto podem levar a que se recupere.

A União Europeia divulgou recentemente um estudo que aponta que existe um desajustamento entre os desempregados à procura de emprego e as necessidades atuais das empresas. Concorda? Como se poderá alterar esta situação?

Apesar de não conhecer o estudo em causa, acho que em termos de licenciatura é errado formar um aluno pensando numa posição específica e por isso defendo uma forte componente generalista que lhe permita encarar diferentes desafios. O exemplo da FEP, com taxas de empregabilidade nos 90% confirma isso. A formação específica introduz rigidez no mercado de trabalho e dificulta a transição quando o mercado muda. E se há algo que sabemos é que ao longo de uma carreira de 30 ou 40 anos as necessidades vão mudar, e várias vezes. Preparar esse aluno para o imediato sem acautelar a sua capacidade de evoluir ao longo de uma carreira parece-me redutor das suas potencialidades. As empresas é que terão de complementar a formação académica dos novos quadros, o que é reforçado com as licenciaturas de Bolonha. A Sonae tem uma Academia Interna (Sonae Retail School) que permite justamente colmatar alguma falta de formação específica. É uma área onde as Universidades também poderiam ter um importante papel a desempenhar se estivessem mais próximas das empresas.

Como vê a mudança que a FEP tem vindo a promover através da internacionalização dos seus cursos?

É um passo muito importante. A internacionalização dos alunos, dos conteúdos, da língua e dos professores contribuem para enriquecer cada vez mais a experiência letiva. Esse movimento traz mais capacidade de reter os melhores. Não ignoro que tenha sido complexo gerir essa mudança, mas felizmente os resultados têm aparecido e confirmado que esse deve ser o caminho. A FEP tem de estar preparada para introduzir melhorias todos os anos se quiser continuar a ser uma entidade líder.

O contacto com a realidade internacional é importante para os estudantes? Acha que existe hoje essa consciencialização por parte dos responsáveis pelo Ensino Superior em Portugal?

Como responsável de uma área internacional não posso dizer o contrário (risos). Mais a sério, acho que o contacto internacional é indispensável. Não quero com isto dizer que devam necessariamente ir viver para o estrangeiro. Eu fui mais que uma vez e adorei, mas outro poderá não sentir essa necessidade.
O importante é conhecer outras realidades e outras formas de pensar. Só assim podemos estar abertos a interpretar e tolerar comportamentos que nos são estranhos, mas que num mundo cada vez mais globalizado se vão cruzar connosco com mais frequência.

A estratégia da Faculdade passa também pela aproximação aos seus Alumni. Como avalia o trabalho feito a este nível até ao momento?

Tem sido feito muito trabalho mas leva sempre o seu tempo. O lançamento do site de Alumni foi um grande passo. Sei que já estão umas largas centenas inscritos e com o tempo julgo que veremos cada vez mais eventos FEP em cidades mais distantes.
Eu viajo bastante e encontro Alumni FEP em muitas partes do mundo o que muito prestigia a Faculdade. Essa rede só existe hoje porque eles decidiram ter uma experiência internacional. E se hoje os Alumni da FEP têm esse ativo é uma pena não participarem e tirar partido dela, juntamente com os alunos atuais.

Qual é a sua visão para os próximos anos entre o ensino e o mundo empresarial nacional e internacional?

Espero que exista muita vontade de colaborar e criar laços. Há muito a ganhar por trabalharmos em conjunto. Essa não é característica pela qual os Portugueses são mais conhecidos, mas o que vejo na FEP deixa-me otimista!

Perfil

Francisco Sousa Pimentel licenciou-se em Gestão na FEP, em 2000, com uma das melhores notas do seu ano.
Frequentou durante um ano a Univ. Autonoma de Barcelona, com bolsa de mérito, ao abrigo do programa Erasmus.
Sempre envolvido com a FEP, foi eleito tesoureiro no 3º ano de curso, presidente da comissão de finalistas e membro da Assembleia de Representantes. Tem um MBA pela Harvard Business School.
A afinidade com as áreas de finanças e estatística que demonstrou ao longo do seu curso na FEP refletiu-se na sua carreira profissional. Ingressou em 2000 na FUTOP como analista de investimentos, de onde saiu no mesmo ano para a Mckinsey & Company.
Esta experiência profissional durou até 2003, contudo viria a fazer novamente parte do seu percurso profissional. Antes disso passou pelo banco de investimento Deutsche Bank, em Londres, e foi eleito CFO na associação PAPS USA durante a sua estadia nos Estados Unidos.
Em 2005 voltou à Mckinsey, tendo acompanhado processos de internacionalização de empresas na Europa, América Latina e África. Foi responsável como Sócio Associado pelos serviços de Corporate Finance em Banca na Europa.
É atualmente Director de Desenvolvimento Internacional da Sonae SR (insígnias Worten, SportZone, Zippy e Mo), com responsabilidade pela entrada em novos mercados e consolidação das 16 geografias onde o grupo já está presente.
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