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Carlos Costa (Cesar, 1949)

2 filhos

Ano de entrada na FEP: 1968

Vice-Presidente do Banco Europeu de Investimento

Quem é o Carlos Costa?


Um antigo aluno da Faculdade de Economia do Porto, que fez o seu percurso académico em três etapas: primeiro, concluiu o Curso Geral de Comércio na Escola Comercial de Oliveira de Azeméis, isto é no antigo ensino técnico; depois concluiu o curso de Contabilista e, em paralelo, a habilitação ao Ensino Superior e parte do Curso de Perito Aduaneiro, no Instituto Comercial do Porto, com um estágio de final do curso de Contabilista na auditoria do Banco Borges & Irmão; e, por fim, frequentou e concluiu a licenciatura de Economia da FEP, entre 1968 e 1973. Um antigo aluno da FEP que, em 1973, quando frequentava o quinto ano da licenciatura foi convidado para ser monitor da FEP, para a área da matemática financeira, o que acontecia pela primeira vez na história da escola (foi a primeira vez que alguém com o estatuto de aluno frequentava a sala dos professores da Faculdade). Um antigo aluno da FEP que, concluída a licenciatura, em 1973, foi convidado para exercer funções de assistente de Teoria da Contabilidade, em 1973/74, e que, depois, passou a integrar o Grupo das Ciências Sociais, como docente de História do Pensamento Económico, de 1974 a 1985, e, cumulativamente, de um seminário Macroeconomia Aplicada, de 1981 a 1985. Um antigo aluno que, entre outras funções, foi Director do Centro de Estudos de Economia Portuguesa do Banco Português do Atlântico, Coordenador do Núcleo de Economia e Finanças da Representação de Portugal junto da CEE, Chefe de Gabinete do Comissário Europeu, Administrador da CGD e que é, hoje, Vice-Presidente da maior instituição financeira multilateral, o Banco Europeu de Investimento. Mas sobretudo, e essencialmente, um antigo aluno da FEP, que, enquanto estudante, se integrou bem na sua faculdade, onde fez grandes amigos, e na “cidade” e no seu “tempo”, participando activa e entusiasticamente na vida intelectual da cidade do Porto, que na época era muito estimulante, com múltiplas tertúlias, organizadas em torno dos muitos cafés que havia na cidade, onde se discutia literatura, poesia, teatro e política; e um antigo aluno da FEP que, uma vez licenciado, teve o privilégio de participar em projectos e partilhar momentos que foram muito gratificantes e que, paralelamente, esteve disponível para dar o seu contributo cívico sempre que tal lhe foi proporcionado.

Como era a Faculdade de Economia nos seus tempos de estudante?


A Faculdade de Economia era uma escola muito sui-generis, com dois ramos providos de lógicas de funcionamento e de dinâmicas bem distintas:
• De um lado, a área de teoria económica orientada predominantemente para uma transmissão de um “corpus” teórico estruturado em torno de uma síntese neoclássica, ortodoxa e monolítica. Tratava-se de um modelo de ensino magistral, e por consequência unidireccional, que privilegiava uma inculcação exigente dos conhecimentos constantes das chamadas “sebentas” acompanhada de uma avaliação muito selectiva, onde não havia abertura para a reflexão e análise críticas, fosse através do confronto com outras abordagens teóricas, mesmo que devedoras do paradigma neoclássico, fosse através da reflexão sobre a sua capacidade explicativa da realidade económica ou, ainda, sobre a sua adequação ao estádio de desenvolvimento do país e da região Norte. Esta situação era um reflexo, primeiro, de um modelo de escola em que o ensino predominava sobre a investigação, que era muito incipiente; em segundo lugar, da reduzida dimensão do corpo docente, sem a escala necessária para gerar um ambiente de inquietude teórica e intelectual; e, em terceiro lugar, do facto de estarem em Lisboa os poucos departamentos de economia aplicada e de política económica e monetária existentes no país, que, em si, constituíriam um factor de perspectivação crítica da teoria económica. Os professores de teoria económica não só estavam condicionados pela falta de um meio favorável à investigação como também pela falta de oportunidades para exercerem a profissão de macro-economista fora da Faculdade. Antes de 1974, o único organismo relevante que se instalou no Porto foi a Comissão de Coordenação da Região Norte, o qual, dada a origem do seu animador, o Prof. Valente de Oliveira, e as temáticas que tratou, teve um efeito spill-over sobretudo sobre a Faculdade de Engenharia do Porto. O segundo organismo relevante a surgir no Porto, com efeitos de spill-over sobre a FEP, afirmou-se depois de 1974 – a Direcção de Estudos Económicos do Banco Português do Atlântico.
Convém ter presente que a inculcação acrítica de uma “vulgata” teórica neoclássica era comum às demais escolas superiores de economia, muito embora no caso do ISCEF, actual ISEG, esta prática tenha sido atenuada pela influência, primeiro, de figuras tutelares, com destaque para o Professor Pereira de Moura, que, a partir de meados da década de sessenta, se distanciaram do modelo monolítico então dominante; depois, pela influência dos professores que estavam envolvidos no estudo dos problemas da economia portuguesa, nomeadamente no quadro da preparação dos Planos de Fomento, ou que trabalhavam também no Secretariado Técnico da Presidência do Conselho, terem tido necessidade de recorrer a outras ferramentas analíticas ou a modelos explicativos alternativos; e, ainda, pela influência indirecta dos trabalhos do GIS no domínio da epistemologia das ciências sociais e, em particular, pela introdução da dimensão social na reflexão sobre os fenómenos económicos. Há que ter presente que este modelo de ensino magistral e monolítico era sobre-determinado pela política e pelo policiamento ideológico impostos nessa época. Note-se que, todavia, sob um estado de coisas aparentemente estático, se foi registando uma evolução lenta, mas inelutável, como se tratasse de uma deslocação de placas tectónicas, que veio a eclodir, a partir de 1970, sob a forma de uma crescente contestação tanto da “vulgata” neoclássica como dos modelos de inculcação – evolução que viria a culminar nas mudanças e nas alterações ao plano de curso no período a seguir ao 25 de Abril de 1974.
• Do outro lado, as áreas de empresa e do direito, confiadas a professores que combinavam a sua vida docente com uma actividade profissional relevante e que não eram nem se assumiam como meros transmissores de um corpo teórico mas sim como transmissores de uma experiência prática e de uma percepção da realidade económica e empresarial do país, praticando uma permanente dialéctica entre a teoria e a prática resultante da sua própria experiência. Esta vertente conferiu à Faculdade uma marcada ancoragem na realidade económica. Na área das ciências empresariais, em particular na área das contabilidades, esta combinação entre docência e actividade empresarial determinou a emergência de um pensamento próprio, com traços de inovação, que poderia ter feito “escola” caso tivesse sido publicado em revistas de especialidade. Infelizmente, tal não sucedeu e, a meu ver, por duas ordens de razões: a primeira e menos relevante, a falta de tempo por parte dos docentes em causa; e a segunda, determinante, a falta de um meio académico que patrocinasse, estimulasse e validasse um pensamento que tinha origem em docentes que viviam paredes-meias entre o meio académico e empresarial e, por isso, se sentiam exteriores ao “campo de legitimação académica”. Foi pena, porque poderia ter projectado ainda mais a escola fora da região. Isto é, a projecção na região foi progressiva e sólida, mas ficou sobretudo a dever-se à especificidade do seu modelo de docentes que acumulavam a docência com uma vida profissional nas empresas da região. Para compreender a importância deste traço característico da escola importará ter presente que em 1953, quando a Faculdade de Economia foi criada, o papel do economista não era ainda reconhecido pelos agentes económicos e empresariais da região, que confundiam o economista com o técnico de contas. Era o reflexo do predomínio da pequena dimensão das empresas, das insuficiências de organização e do primitivismo dos modelos de gestão então predominantes. Os professores e os primeiros licenciados da FEP foram determinantes para o reconhecimento da especificidade do papel do economista na empresa. Foram eles que promoveram a colocação de sucessivas gerações de licenciados da Faculdade, convidando-os para colaborar nas empresas onde prestavam serviço ou que faziam parte da sua rede de relações. Tiveram um papel determinante na consolidação do lugar da FEP no mercado do trabalho ao funcionar como uma autêntica rede, uma network, que identificou oportunidades, caucionou colocações e, de algum modo, supervisionou a qualidade da prestação dos licenciados que iam saindo da Faculdade. Isto é, os professores que acumulavam com funções nas empresas foram os agentes da sedimentação e da consolidação da Faculdade de Economia na região. Note-se que parte dos professores da área da teoria económica também participou nesta afirmação da Faculdade, dado que, por falta de um mercado de trabalho na área da macroeconomia, desempenhava funções de economistas de empresa. O que significa que a notoriedade e o prestígio da FEP no tecido empresarial da região, que ainda hoje confere à FEP uma vantagem competitiva, deve muito à originalidade do modelo da Faculdade, com professores que faziam a ponte entre a escola e o meio empresarial e, claro, à prestação dos licenciados que eles formaram.

Que diferenças encontra entre ontem e hoje?


Sobre o presente tenho que me pronunciar com cautela, dado que, desde 1985 contacto esporadicamente com a realidade da FEP e do ensino superior em geral, e por isso não tenho com o mesmo conhecimento de causa que tenho sobre os anos de 1968 a 1973. Para entender e situar aos anos de 1968 a 1973 é necessário ter em consideração que aqueles foram anos marcados por cinco ordens de factores: num plano internacional e interno, pela alteração dos padrões comportamentais e pela emergência de novas formas de pensar e praticar a política, fenómenos que foram precipitados pelo Maio de 68, em França; e, no plano interno, pela guerra colonial, pela vigilância político e ideológica da polícia política, acompanhada de repressão e prisões, e pela tentativa de redireccionamento da política de ensino, “Do outro lado, as áreas de empresa e do direito, confiadas a professores que combinavam a sua vida docente com uma actividade profissional relevante e que não eram nem se assumiam como meros transmissores de um corpo teórico mas sim como transmissores de uma experiência prática e de uma percepção da realidade económica e empresarial do país” NotíciasFEPJANEIRO/ABRIL2008 em particular da ensino superior, ensaiada pelo Ministro Veiga Simão. Quando entrei para a FEP os efeitos de Maio de 68 começavam a sentir-se, num processo acelerado de absorção. Os comportados dos estudantes libertavam-se dos espartilhos da sociedade tradicional portuguesa, nomeadamente no que respeita às relações entre sexos e à condição feminina. O pensamento político dos estudantes absorvia as críticas libertárias, trotskistas e maoístas do establishment oposicionista, de tal modo que a oposição à ditadura passa a ser um mosaico de famílias e de pensamento, com linhas de fractura e de antagonismo muito marcadas, o que determinou a emergência de práticas muito contrastadas de intervenção crítica tanto na escola como na sociedade. Ao mesmo tempo, os estudantes universitários tinham no seu horizonte uma certeza portadora das maiores incertezas: a guerra colonial que, na melhor das hipótese, os esperava no fim da licenciatura. Quatro anos que se interpunham entre a saída da faculdade e a entrada no mundo profissional e que congelavam projectos pessoais, na melhor das hipótese, ou dissuadiam mesmo a elaboração de projectos. Em termos de carreira, tratava-se de uma travessia de um deserto carregado de ameaças e de perigos, que encurtava o horizonte do sonho (muitas vezes, resumia-se a passar incólume quatro anos de riscos…). Uma guerra colonial que nem os estudantes nem a sociedade podiam livremente questionar quanto à sua razão de ser, à sua necessidade e à sua finalidade. Os jovens universitários questionavam-se e, face à repressão política, compreendiam e convergiam com os movimentos de oposição que tinham por ponto de partida uma crítica do modelo económico-social do país ou tão só a falta de liberdade política, gerando uma vaga de fundo que desencadeia movimentos de repressão por parte do poder político, com cargas policiais, prisões e incorporação militar antecipada de dirigentes estudantis. Paralelamente, e contraditoriamente, o Ministro Veiga Simão tenta arejar o sistema superior, aproximando-o dos modelos europeus, como se tal fosse possível num contexto de ditadura e de agravamento de tensão com a comunidade universitária. Durante os anos de 1968 a 1973 a FEP viveu, em crescendo, este agravamento de tensões no seio da universidade portuguesa com reflexos no plano escolar, académico e político. No plano escolar, os alunos passaram a ter uma atitude crítica dos conteúdos e das condições de avaliação. Procuraram-se textos alternativos aos conteúdos das sebentas, reflectindo o pensamento político marxista que atravessava a maior parte dos movimentos políticos estudantis. Todavia esses textos foram sempre cultivados à margem das próprias aulas, salvo em situações de contestação, meramente circunstanciais e episódicas, sem qualquer efeito sobre o conteúdo das cadeiras em causa (a pobreza de variantes da teoria e de problematização no ensino da economia facilitou a sedução por um modelo crítico que tendia a ser monolítico e simplista, com prejuízo da própria doutrina marxista). Surgiram movimentos de contestação dos padrões e dos modos se avaliação das disciplinas da licenciatura, que culminaram com a realização de duas greves que duraram um ano lectivo, em que a quase totalidade dos alunos se manteve solidária, com o consequente adiamento da disciplina para o ano seguinte. Estes desenvolvimentos foram acentuados por um modelo de direcção da Faculdade que era muito limitativo de iniciativas individuais dos professores. O facto de os professores, condicionados pela inexistência de modelos alternativos de ensino, terem tido muita dificuldade em afirmar a sua autoridade sem recorrer a atitudes autoritárias, teve por consequência que alguns deles acabaram por ser postos em causa, nomeadamente através de greves – professores cuja idoneidade intelectual e profissional, continua ainda hoje a suscitar o respeito dos antigos alunos dessa época. Tratou-se de professores que tiveram dificuldade em conciliar as expectativas de participação dos alunos com o seu conceito de exercício da autoridade pedagógica, ou que não souberam ou não puderam conciliar a adopção de uma relação pedagógica mais participativa, que os alunos queriam, com o modelo de relação pedagógica, autoritária, que a Direcção da FEP preconizava ou impunha (estes professores que, como disse, eram idóneos tanto do ponto de vista pessoal e profissional, sofreram as turbulências da FEP porque se encontravam no momento errado e no sítio errado). No plano académico, assistiu-se a uma progressiva contestação das tradições académicas – o traje académico praticamente desapareceu e a Queima das Fitas deixou de ser organizada, a partir de 1971. No plano político, assistiu-se a uma politização das associações de estudantes. O poder académico e político reagiu violentamente à contestação das práticas da escola e à politização do movimento associativo, lançando a polícia de choque sobre os estudantes, com invasão das instalações da escola e encerrando mesmo a Associação de Estudantes. Comparando aquela época com a actual há um contraste flagrante na medida em que nenhuma daquelas circunstâncias persiste: está adquirida a pluralidade, dissipou-se o deslumbramento de novas doutrinas políticas e não há condicionamentos à liberdade de expressão e de militância; não há guerra colonial que interrompa a integração na vida profissional e que cerce a vontade e a capacidade de sonhar; os modelos de relação pedagógica e de gestão da escola são hoje participativos e estão institucionalizados. O que não significa que os estudantes não se confrontem hoje com problemas e que não tenham horizontes carregados de nuvens de incerteza. Hoje, o desemprego é uma ameaça que pesa e condiciona os comportamentos dos estudantes. O cepticismo político e filosófico coarcta a capacidade de sonhar uma sociedade melhor (há causas, como a ambiental, mas não há grandes “Quando entrei para a FEP os efeitos de Maio de 68 começavam a sentir-se, num processo acelerado de absorção. Os comportados dos estudantes libertavam- -se dos espartilhos da sociedade tradicional portuguesa, nomeadamente no que respeita às relações entre sexos e à condição feminina.” desígnios ou utopias capazes de gerar surtos de generosidade e solidariedade comparáveis aos que se viveram nos finais doa anos sessenta e anos setenta. Como a morte nas gravuras antigas, o desemprego é hoje um espectro que ronda os estudantes e os atrofia na sua capacidade de sonhar.

E o ambiente entre colegas?


O espírito de entreajuda era muito forte. Nunca senti que alguém limitasse o acesso dos colegas à documentação de que dispunha Partilhávamos notas, apontamentos e documentação entre nós. A vida académica estava organizada em torno de uma nebulosa de cafés que tinha por epicentro a Praça dos Leões, onde ficava a antiga Faculdade de Ciências. Dada a ausência de espaços de trabalho e de convívio na Faculdade, era nesses cafés (a que acrescento a Biblioteca Municipal, em S. Lázaro) que os alunos da FEP se encontravam antes das aulas, nos intervalos, depois das aulas e depois de jantar. Aí se estudava e se preparavam os exames. Aí adquiriram a sua formação política e cultural. Aí decorreu uma importante parte da sua educação sentimental. Partilhavam apontamentos e se entre-ajudavam. Nunca senti uma resistência à partilha de informação.

Havia alguma coisa que gostasse menos?


Para lá da já referida limitação dos horizontes a nível da própria ciência económica que resultava da inculcação acrítica de uma vulgata neoclássica, acho que um dos factores mais negativos dessa época tinha a ver com limitação dos horizontes dos alunos e dos licenciados. Por um lado, não se estimulava a mobilidade entre faculdades, sobretudo para as situadas no estrangeiro – não havia mecanismos financeiros de apoio, salvo um número escassíssimo de bolsas, e o ambiente intelectual não promovia, ou mesmo desencorajava a saída do país (o que era determinante no caso de assistentes dado que não tinham garantida nem a bolsa nem a possibilidade de reingressar na escola de partida. O que hoje os alunos de economia conhecem como ERASMUS, era de facto uma coisa totalmente excluída. A Faculdade não só não financiava a realização de estudos de pós-graduação fora da Faculdade como também não estimulava ou patrocinava tal formação. Também não tinha formação de pós-graduação, o que significa que nessa época os que, depois da licenciatura, continuaram a estudar e a investigar o fizeram muito na base da sua autoformação.
Como disse antes, o enfoque da escola restringia-se ao ensino, o que se reflectiu no reduzido número de doutoramentos defendidos na FEP e no reduzido número de doutorados entre os respectivos docentes.

Com base naquilo que viveu na sua altura, que conselhos daria aos recém-licenciados?


Primeiro, a aquisição dos fundamentos científicos das diferentes disciplinas que concorrem para a aquisição de uma competência de um economista ou de um gestor: uma sólida formação macro e micro económica, uma sólida formação em métodos de análise quantitativa, alicerçada numa boa formação matemática, e, no caso da área de gestão, um profundo conhecimento das ciências ligadas à empresa (recolha, processamento e análise da informação relacionada com a empresa e a sua envolvente – fundamental para a gestão – competências de decisão com base na informação produzida, capacidade de reflexão e de decisão estratégica e uma fina compreensão dos factores determinantes da dinâmica psicossociológica de uma organização). Em segundo lugar, adquirir uma boa bagagem analítica, epistemológica, sociológica e histórica que o habilite a compreender a historicidade das organizações e dos modelos sócio-económicos de forma a saber confrontar-se com novas situações. É preciso ter a capacidade de primeiro compreender o que emerge e depois responder com as ferramentas que adquiriu. Trata-se de completar a caixa de ferramentas que são os saberes com a capacidade de saber pensar e de reagir às mutações sociais, científicas e tecnológicas. Em terceiro lugar, é necessário nunca perder de vista que o economista ou o gestor, tal como o médico não pode esquecer o todo que é o paciente, têm que ter sempre presente que a realidade com que estão confrontados é sistémica (todas as partes se implicam), é complexa e que, mais do que o detalhe, interessa o todo, que é sempre maior do que a soma das partes. Têm que ter muito bomsenso, muita humildade analítica, capacidade para ver que para lá de um pormenor técnico há um sistema. Vale pouco dissecar profundamente uma faceta da realidade, se não se entende o enquadramento dessa mesma (fica-se com uma boa radiografia de uma parte do sistema, mas incapaz de formular as relações de implicação entre essa parte e o todo e, por consequência, de estabelecer diagnósticos e agir de modo eficaz. Trata-se de uma competência que se adquire ultrapassando os limites e as fronteiras de cada uma das disciplinas que dissecam o objecto de trabalho do economista ou do gestor. O que significa que mais do que técnicos de partes da economia ou da empresa – e isso implica capacidade para assumir uma abordagem interdisciplinar. Quanto mais monodisciplinar for a formação menor será a capacidade de compreender e intervir eficazmente sobre a realidade que interpela o economista ou o gestor.

Entrevista realizada por Pedro Quelhas Brito

“…participando activa e entusiasticamente da vida da cidade do Porto, que na época era muito estimulante, com múltiplas tertúlias, organizadas em torno dos muitos cafés que havia na cidade, onde se discutia literatura, poesia, teatro e política”

“Do outro lado, as áreas de empresa e do direito, confiadas a professores que combinavam a sua vida docente com uma actividade profissional relevante e que não eram nem se assumiam como meros transmissores de um corpo teórico mas sim como transmissores de uma experiência prática e de uma percepção da realidade económica e empresarial do país”

“Quando entrei para a FEP os efeitos de Maio de 68 começavam a sentir-se, num processo acelerado de absorção. Os comportados dos estudantes libertavam- -se dos espartilhos da sociedade tradicional portuguesa, nomeadamente no que respeita às relações entre sexos e à condição feminina.”

“É preciso ter a capacidade de primeiro compreender o que emerge e depois responder com as ferramentas que adquiriu. Trata-se de completar a caixa de ferramentas que são os saberes com a capacidade de saber pensar e de reagir às mutações sociais, científicas e tecnológicas.”

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