Saltar para:
Logótipo
Comuta visibilidade da coluna esquerda
Você está em: Início >

Alípio Dias (Porto, 1943)

2 filhos

Ano de entrada na FEP: 1960

Vogal do Conselho de Administração Executivo do Millenium BCP



Dr. Alípio Dias, vamos viajar no tempo e agora não me interessa o Dr. Alípio Dias, interessa o Alípio, o jovem de 17 anos.

É muito simples. O Alípio era um pouco o menino do papá e da mamã, era o filho mais velho. Fui apaparicado pelos meus pais. Eles teriam gostado que, no quinto ano do liceu, tivesse optado pela medicina ou pela agronomia, enfim, as coisas que os meus pais queriam… Eu gostava bastante de Matemática e de Química. No Desenho à vista, tinha alguma dificuldade. Foi então que decidi. Vou para Economia! Estava no quinto ano, a matrícula era a alínea G e o meu pai, quando cheguei a casa à hora do almoço, pergunta-me o que escolhi… “Já tínhamos falado nisso. Isso é curso?”. Diz-me ele. Só lhe respondi “É, de certeza. A Faculdade integra a Universidade do Porto.” Bom, e assim foi. Fiz o Liceu no Colégio S. João de Deus, na Rua de Santa Catarina, tive bons professores e os apontamentos das aulas eram muito bons. Gosto realmente muito de estudar e gostava de colaborar com os colegas e foi assim que entrei na Universidade, em 1960. Havia uma elevada “mortalidade”, nas Matemáticas, na Economia I, nas Finanças e na Economia II; depois, no terceiro ano, Estatística, Economia III, eram cadeiras que de facto davam muito trabalho, mas eram aliciantes e de grande utilidade.

Como é que era a Faculdade de Economia naquela altura? O ambiente, os alunos?

Nos Leões era muito bom. Era muito agradável. Mas repare, eu era mais ou menos um estudante profissional, porque ia às aulas, não faltava a nenhuma, nem práticas nem teóricas. Para mim era uma coisa muito importante. Procurava comprar as “sebentas” de Lisboa. Tinha uns amigos ligados a Lisboa e, normalmente no começo do ano lectivo, ia lá e comprava as Sebentas. Só havia escola de “Economia” no Porto e Lisboa. Era “profissional” e utilizava muito a casa paterna, todavia havia um dia por semana, que era às quintas-feiras, em que tinha um dia mais sobrecarregado de aulas e almoçava no Centro Universitário, ali em frente ao Hospital Santo António; de resto levava uma vida muito pacata. Um cinema de vez em quando, férias em Francelos e de quando em vez, em Inglaterra em casa de família mas, normalmente levava uma vida normal. Gosto muito de ler e portanto não tinha muito tempo para passar a vida no Estrela ou no “Piolho”... Gostava muito do Orfeão e o Maestro Afonso Valentim tinha sido meu professor de canto coral, no “João de Deus” durante sete anos. Na altura falei ao maestro, perguntei-lhe se havia muitos ensaios, deslocações, etc. Gostas disso?”. Apenas lhe respondi: “Assim, não tenho tempo, quero estar bem preparado para os exames. De facto, a Faculdade era muito “apertada” em notas. No quinto ano lá “aparecia” um dezassete ou um dezoito.

O que gostou mais da FEP?


Eu gostava de tudo. Era verdade… Gostava das aulas, gostava do ambiente e procurava de facto colaborar, num caso ou noutro até com alguma ingenuidade. O convívio com os professores, com os colegas agradava-me muito para além de ter a sorte de ter uma casa, nas Antas, que tinha - e devo muito aos meus pais - uma sala que eu chamava “sala de estudo” com biblioteca e uma entrada para o jardim. Era uma casa de quatro frentes e os colegas iam lá para casa, tínhamos condições para debater ali temas e questões muito variadas resultando uma grande amizade.

O que é que gostou menos? Há sempre um senão…

Nada.

Que conselhos é que daria agora aos novos jovens que saem, baseado naquilo que viveu?


Que conselhos que eu dava? Os conselhos que dou aos meus filhos. Primeiro têm que gostar do que fazem, têm que se apaixonar pelo que fazem. Têm que estar disponíveis para fazerem o que fazem, têm que continuar a estudar. Quando acabarem os cursos têm que continuar a estudar, têm que ter um sentido de mais responsabilidade e têm que lutar pelos seus objectivos, de uma forma sadia. Eu penso que, se uma pessoa está preparada, se gosta do que faz, se gosta de estudar e se está disponível para isso, tem um pouco o sentido do serviço à comunidade. Tem o sentido da responsabilidade do que está a fazer, e as oportunidades acabarão penso que um jovem destes, tem futuro. Às vezes há que ter um pouco de paciência. A nossa geração tinha algo favorável. Dava para prever. O 25 de Abril decapitou muitos profissionais que estavam à nossa frente, e daí que aos 29/30 anos tivesse o caminho aberto... Aos 33 anos entrei no Governo do Doutor Mota Pinto para Secretário de Estado das Finanças com o Doutor Jacinto Gomes. Anteriormente era Assistente na FEP e comecei a escrever a tese de doutoramento sobre os Orçamentos plurianuais. O pensamento era simples: se o PIDDAC é plurianual, nós devíamos ter um orçamento plurianual, que estivesse de acordo com o mesmo. Simultaneamente, passei a trabalhar no Banco Borges & Irmão, com o Dr. Pires de Matos, que considero um colega (e um mestre) verdadeiramente excepcional.

Entrevista realizada por Pedro Quelhas Brito
Recomendar Página Voltar ao Topo
Copyright 1996-2022 © Faculdade de Economia da Universidade do Porto  I Termos e Condições  I Acessibilidade  I Índice A-Z  I Livro de Visitas
Última actualização: 2016-09-08 I  Página gerada em: 2022-08-14 às 19:21:07 | Política de Utilização Aceitável | Política de Proteção de Dados Pessoais | Denúncias
SAMA2